Trump abandona discurso otimista após impasses nas negociações com Irã

Donald Trump alterna ameaças e recuos, amplia trégua e admite incerteza sobre acordo em meio a guerra com Irã e pressão econômica global

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Donald Trump e a bandeira do Irã
1 de 1 Donald Trump e a bandeira do Irã - Foto: Arte Carla Sena/Metrópoles sobre fotos Getty Images

Donald Trump voltou a oscilar no discurso e indicou um novo recuo na guerra que perdura no Oriente Médio. Com o conflito prestes a completar um mês de duração, o republicano passa a ajustar o discurso diante dos impasses do conflito, ainda em meio a contradições, prazos estendidos e ameaças reiteradas.

Nessa quinta-feira (26/3), o presidente dos Estados Unidos anunciou que vai ampliar por mais 10 dias a trégua em ataques a instalações energéticas do Irã. A decisão ocorre após uma sequência de idas e vindas que expõem incerteza estratégica e dificuldades em avançar nas negociações.

Horas antes da decisão, em reunião de gabinete, Trump adotou um tom menos confiante do que em dias anteriores.  “Não sei se seremos capazes de fazer isso. Não sei se estamos dispostos a fazer isso”, afirmou, ao comentar a possibilidade de um acordo de paz.

Ainda assim, voltou a pressionar Teerã: “Eles estão implorando para chegar a um acordo”. Inclusive, ao ampliar a trégua, o presidente norte-americano indicou que a decisão atende a um pedido do governo iraniano.

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Trump diz que precisa estar envolvido na escolha do novo líder do Irã
O Estreito de Ormuz é a principal rota marítima de petróleo do mundo
Donald Trump e a guerra no Irã
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Donald Trump e a guerra no Irã

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

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Trump diz que precisa estar envolvido na escolha do novo líder do Irã
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Trump diz que precisa estar envolvido na escolha do novo líder do Irã

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O Estreito de Ormuz é a principal rota marítima de petróleo do mundo
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O Estreito de Ormuz é a principal rota marítima de petróleo do mundo

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Recuos, prazos e contradições

  • A nova extensão da trégua é o segundo recuo do republicano em menos de uma semana.
  • No sábado (21/3), Trump havia dado um ultimato de 48 horas para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz, sob ameaça de ataques a usinas.
  • Dois dias depois, concedeu uma trégua de cinco dias. Agora, estende novamente a janela diplomática por mais 10.
  • Apesar do discurso recente de que as negociações “estão indo muito bem”, o próprio governo iraniano nega qualquer diálogo direto.
  • O impasse se agravou após Teerã rejeitar uma proposta norte-americana de 15 pontos, mediada pelo Paquistão, que incluía restrições ao programa nuclear e ao arsenal de mísseis.
  • Do lado iraniano, o plano foi classificado como “inconsistente com a realidade”.
  • A chancelaria iraniana apresentou contrapropostas que incluem o fim imediato dos ataques, garantias contra novas ofensivas e indenizações pelos danos causados.
  • Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, afirmou que ocorre apenas conversas indiretas e que os Estados Unidos “reconhecem a derrota” ao insistir em negociações nesse formato.

Improviso e prolongamento da guerra

Ao Metrópoles, o professor de direito internacional Roberto Amaral explicou que a mudança de postura de Trump revela falta de planejamento estratégico desde o início da guerra.

“O discurso do presidente Donald Trump mudou completamente. Primeiro, era um discurso agressivo. Havia uma insistência dos Estados Unidos de que o Irã deveria abandonar o programa nuclear. Agora, propõem um acordo com o Irã. Vale lembrar que os Estados Unidos começaram a guerra contra o Irã sem ter um plano para quando o conflito terminasse. Os Estados Unidos continuam a não ter um plano”, afirmou.

Guerra cara e sem horizonte claro

O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, já apresenta custos significativos para Washington. Estimativas apontam cerca de US$ 800 milhões apenas em danos a bases e equipamentos militares, além de baixas entre soldados norte-americanos.

No plano interno, o impacto também é evidente. A aprovação de Trump caiu, pressionada pelo aumento dos preços dos combustíveis e pela instabilidade econômica gerada pela crise no petróleo — diretamente ligada ao bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção global.

A volatilidade também influencia o comportamento do presidente. Anúncios e recuos coincidem, em diversos momentos, com a abertura ou fechamento dos mercados financeiros — padrão já observado em outras decisões econômicas de Trump, como no episódio das tarifas globais anunciadas em 2025.

Entre a guerra e a diplomacia

Apesar de sinalizar abertura ao diálogo, os Estados Unidos mantêm a pressão militar. A Casa Branca chegou a afirmar, na véspera, que Trump está pronto para “desencadear o inferno” caso não haja avanço nas negociações.

Ao mesmo tempo, há movimentações que indicam preparação para uma possível escalada. Segundo a imprensa internacional, cerca de 2 mil paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada foram deslocados para a região, elevando o risco de uma incursão terrestre.

O cenário expõe uma estratégia ambígua: enquanto amplia prazos e fala em diplomacia, Washington mantém o discurso de força e a capacidade de intensificar o conflito.

Na avaliação do Amaral, essa oscilação tende a prolongar o conflito de forma imprevisível. Segundo ele, o próprio desenho da estratégia iraniana contribui para estender o cenário de instabilidade. Todo o empenho do governo iraniano, explica, é para prolongar a guerra e ampliar os custos para os adversários.

“O Irã tenta causar os maiores danos possíveis aos Estados Unidos e aos aliados. Sem a menor dúvida, essa postura dos Estados Unidos tende a prolongar o conflito por um período ainda indeterminado.”

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