Secretário de Trump pede que países da América Latina deixem TPI
Hegseth acusou tribunal de ameaçar soberania dos países e cita novo lema da Coalizão das Américas: "Fazemos coisas ruins com pessoas ruins"

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, pediu nesta quarta-feira (12/8) que países da América Latina deixem o Tribunal Penal Internacional (TPI). Durante um discurso no Panamá, o chefe do Pentágono acusou a corte de ameaçar a soberania dos países e de tentar retirar de governos e tribunais nacionais a autoridade para julgar seus próprios cidadãos.
“Encorajo fortemente cada membro da ACCC a sair do TPI e rejeitar suas tentativas de retirar de seus governos e tribunais a soberania”, afirmou.
A ACCC conta com adesão de países latinos com governos aliados a Trump, como Argentina, El Salvador e Paraguai.
Hegseth ainda defendeu que os países mantenham autonomia para mobilizar suas Forças Armadas e proteger a população de acordo com as próprias leis e constituições.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Nossas nações mantêm sua soberania e sua capacidade de mobilizar seus próprios combatentes em defesa própria. Respondemos apenas aos nossos cidadãos e às nossas constituições, não a burocratas internacionais não eleitos”, disse.
Hegseth também acusou o tribunal de tentar exercer jurisdição sobre militares e operações dos Estados Unidos e de países aliados. Ele classificou a atuação da corte como uma “apropriação ilegal de poder”.
O secretário ainda adotou um tom duro ao apresentar o que chamou de novo lema da coalizão: “Fazemos coisas ruins com pessoas ruins”.
“Estamos lidando com pessoas ruins que fizeram muitas coisas ruins a muitas, muitas pessoas boas por um tempo muito longo. E elas estão prestes a conhecer um novo xerife na cidade: a ACCC”, afirmou.
Pressão de Trump contra o tribunal
A administração de Donald Trump tem criticado a atuação do tribunal e adotado medidas para restringir sua capacidade de atuar contra cidadãos dos Estados Unidos e autoridades de países aliados de Washington.
Os Estados Unidos não são signatários do Estatuto de Roma, tratado que criou o TPI.
O país assinou o documento em 2000, mas nunca o ratificou.
O que é o TPI
- Criado pelo Estatuto de Roma, o Tribunal Penal Internacional é uma corte permanente responsável por julgar indivíduos acusados dos crimes considerados mais graves pela comunidade internacional: genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crime de agressão.
- Sua atuação é direcionada a pessoas, principalmente autoridades políticas e militares suspeitas de envolvimento nesses crimes.
- A corte funciona de forma complementar aos sistemas nacionais de Justiça.
- Isso significa que sua atuação ocorre quando um país signatário não tem condições ou não demonstra disposição para investigar e julgar adequadamente os suspeitos.
- A pressão de Washington tem um peso particular na América Latina porque grande parte dos países da região aderiu ao Estatuto de Roma.
- Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai estão entre os países latino-americanos que aderiram ao tratado.
- A Venezuela, porém, anunciou em julho o início de sua retirada do TPI.
EUA reforçam discurso sobre América Latina
A declaração de Hegseth também ocorre um dia depois de o Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgar um vídeo sobre a Doutrina Monroe e defender uma posição mais assertiva de Washington no Hemisfério Ocidental.
O movimento ocorre em meio ao aumento das tensões entre os Estados Unidos e países da América Latina em diferentes frentes, incluindo comércio, segurança e política externa.









