Santa Dulce: veja os políticos brasileiros que foram ao Vaticano

Governo brasileiro levou 15 representantes para o Vaticano. Deputados, ministros, entre outros, estiveram na cerimônia

atualizado 14/10/2019 10:07

Reprodução/Twitter Hamilton Mourão

Políticos brasileiros participaram da missa de canonização de Santa Dulce dos Pobres, no Vaticano. Neste domingo (13/10/2019), o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (foto em destaque), os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ),  do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, estiveram na celebração.

Alcolumbre assistiu ao rito sentado ao lado de Charles, o príncipe de Gales. O senador brasileiro chegou a olhar trechos da liturgia da missa no livro do representante da monarquia britânica. O ex-presidente da República José Sarney (MDB) também esteve na cerimônia religiosa.

O governo brasileiro foi representado por 15 autoridades na canonização. Ao todo, 25 políticos viajaram, contando com deputados, senadores e as esposas. A comitiva oficial inclui ainda o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o procurador-geral da República, Augusto Aras, o embaixador do Brasil na Santa Sé, Henrique Sardinha Pinto, e o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA).

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O decreto que designou a comitiva foi publicado na edição de quinta-feira (13/10/2019) no Diário Oficial da União, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) e pelo ministro das Relações Exteriores, chanceler Ernesto Araújo.

O subprocurador-geral junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Rocha Furtado, pediu à Corte de Contas que apure a legalidade e transparência dos gastos do poder público com viagens de autoridades para a cerimônia.

O que eles disseram: 

Davi Alcolumbre, presidente do Senado
“É uma honra inexplicável fazer parte deste momento. Salve Santa Dulce dos Pobres, abençoe o nosso país”.

General Hamilton Mourão, vice-presidente
“Irmã Dulce, que com grande amor e fé intercedeu pela saúde e vida de milhares de brasileiros, torna-se santa de todo nosso Brasil e do mundo”.

Rui Costa, governador da Bahia
“É uma honra muito grande representar a Bahia neste momento único e especial. Gravarei na memória e no coração”.

ACM Neto, prefeito de Salvador
“Que emoção acompanhar a canonização do nosso Anjo Bom da Bahia aqui no Vaticano. Nas minhas orações, pedi que ela continue guiando os nossos caminhos e olhando pelos que mais precisam”.

Lista de autoridades que viajaram à canonização de Irmã Dulce

Deputados
André Fufuca (PP-MA)
Celio Studart (PV-CE)
Elmar Nascimento (DEM-BA), líder do DEM
José Rocha (PL-BA), líder do PL
Daniel Almeida (PCdoB-BA), líder do PCdoB
Adolfo Viana (PSDB-BA)
Arthur Oliveira Maia (DEM-BA)
Eduardo da Fonte (PP-PE)
Flávio Nogueira (PDT-PI)
Leur Lomanto Júnior (DEM-BA)
Nelson Pellegrino (PT-BA)
Paulo Azi (DEM-BA)

Senadores 
Jaques Wagner (PT-BA)
Angelo Coronel (PSD-BA)
José Serra (PSDB-SP)
Weverton (PDT-MA)
Roberto Rocha (PSDB-MA)
Elmano Férrer (Podemos-PI)
Ciro Nogueira (PP-PI)

Repercussão
O músico José Maurício Moreira, que recuperou a visão após intercessão da Irmã Dulce participou da missa. No altar onde ocorreu a cerimônia, estavam a imagem de Nossa Senhora originária do Brasil, uma pedra ametista em formato de coração que pertenceu a Irmã Dulce e um osso da costela da religiosa baiana, que agora passa a ser chamada de Santa Dulce dos Pobres. O evento ocorreu em meio ao Sínodo da Amazônia.

José Maurício comemorou bastante emocionado a canonização de Santa Dulce dos Pobres. “Minhas pernas estão tremendo até agora”, disse, em entrevista à TV Globo, após a cerimônia na Praça São Pedro, no Vaticano.

Familiares de Irmã Dulce também acompanharam a canonização. Entre eles, a sobrinha da religiosa baiana, Maria Rita Lopes Pontes. Ela resumiu em uma palavra o seu sentimento: “Gratidão”. Segundo ela, gratidão, primeiro, a Deus, e segundo aos homens, pelo momento histórico.

Durante a missa, o Papa Francisco afirmou que essas pessoas que se dedicam aos mais pobres na vida religiosa fizeram “um caminho de amor nas periferias existenciais do mundo”.

O líder da Igreja Católica disse que, como os leprosos citados nos textos bíblicos, “todos nós precisamos de cura e somente Jesus oferece essa cura”. Por isso, segundo ele, é preciso rezar, pois “a oração é a porta da fé, o remédio do coração”. “Você quer crescer na fé? Cuide de um irmão distante, de uma irmã distante”, destacou.

Quem foi a primeira santa brasileira

Irmã Dulce teve uma vida marcada por trabalhos assistenciais feitos em comunidades carentes de Salvador (BA). Conhecida como o “Anjo Bom da Bahia”, ela realizou diversos milagres, segundo testemunhas. Um deles, a cura do maestro que voltou a enxergar, foi a chave para ser elevada aos altares.

“A gente não vê, na história, ela fazendo novena, rezando o terço. Possivelmente ela fazia isso sozinha. A gente só vê a Irmã Dulce trabalhando, desafiando tudo e todos para poder atender os mais pobres”, explica o jornalista Renato Riella, que conviveu 24 anos com a santa.

Renato Riella nasceu em Salvador e assistiu de perto às obras da beata. O profissional de comunicação conta ter conhecido a Irmã Dulce na década de 1960 no armazém do pai dele. Iniciante no ofício, a mulher aparecia constantemente em uma Kombi velha para “pegar” alimentos.

“Era alguém com a vaidade controlada, o que revela uma absurda missão, talvez a maior de todas elas: atender aos baianos. Isso fez a vida toda, desde os 13 anos de idade. Atendendo, pulando”, relata o jornalista ao Metrópoles.

A vida de Irmã Dulce

Maria Rita Lopes Pontes nasceu em 1914, em Salvador (BA). Filha de pais ricos, a jovem sempre teve a vocação de ajudar os mais pobres, segundo relatos de pessoas que conviveram com ela.

Aos 13 anos, a jovem Maria Rita passou a acolher mendigos e doentes em sua casa, transformando a residência da família.

Em 1933, após se formar como professora primária, então com 19 anos, Maria Rita entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em Sergipe.

Em 1939, Irmã Dulce inaugurou o Colégio Santo Antônio, voltado para os operários e seus filhos. “No mesmo ano, para abrigar doentes que recolhia nas ruas, invadiu cinco casas na Ilha do Rato, em Salvador. Depois de ser expulsa, teve de peregrinar durante dez anos, instalando os doentes em vários lugares”, diz Renato.

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