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Mundo

Rússia diz que Europa se exclui de negociações sobre guerra da Ucrânia

Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rebate fala de chanceler alemão e diz que garantias de segurança à Ucrânia são impossíveis sem a Rússia

14/07/2026 15:42

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta terça-feira (14/7) que a posição defendida por líderes europeus sobre as garantias de segurança para a Ucrânia exclui o continente de uma eventual negociação para encerrar a guerra. A declaração foi uma resposta ao chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, que afirmou que a Rússia não deve participar das discussões sobre o tema.

“A declaração de Merz destaca claramente o beco sem saída em que os europeus se encontram. Insistir nessa posição excluiria os europeus da participação no processo de paz”, disse.

Peskov ainda acrescentou que “é impossível formular garantias de segurança sem a participação da Rússia” e afirmou que, caso essa permaneça como uma posição firme dos países europeus, “isso exclui completamente a possibilidade de participação dos países europeus no processo de resolução do conflito”.

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Vladimir Putin
Dmitry Peskov é secretário de imprensa de Vladmir Putin
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Rolf Vennenbernd/picture alliance via Getty Images
Presidente da Ucrânia
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Presidente da Ucrânia

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Fala de Merz

As declarações ocorreram após Merz defender, após a reunião da chamada “Coalizão dos Dispostos”, em Paris, nessa segunda-feira (13/7), que as garantias de segurança para a Ucrânia devem ser fornecidas exclusivamente por Kiev e seus aliados.

“Exatamente, essas garantias de segurança serão assumidas pela Ucrânia e seus parceiros, não por Moscou”, afirmou o chanceler alemão.

A Rússia tem reiterado que vê com reservas a participação europeia nas negociações sobre a guerra. O Ministério das Relações Exteriores russo sustenta que a principal garantia para a segurança da Ucrânia passa, antes, por assegurar a própria segurança da Rússia.

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Segundo a chancelaria russa, caso o território ucraniano deixe de representar uma ameaça à segurança russa, a estabilidade da Ucrânia estaria garantida.

Moscou também afirma que uma solução para o conflito deve incluir o reconhecimento da Crimeia, Sevastopol e das demais regiões anexadas como parte da Federação Russa, além da neutralidade, da desmilitarização e da desnuclearização da Ucrânia.

Conflito passa por nova escalada

O presidente Vladimir Putin também voltou a defender uma solução diplomática para a guerra, desde que sejam eliminadas, segundo ele, as “causas profundas” do conflito, entre elas a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e o que o Kremlin classifica como violações dos direitos da população russófona na Ucrânia.

As declarações de Peskov ocorrem um dia após o líder russo afirmar que Moscou responderá aos ataques ucranianos em território russo de forma “espelhada” e “várias vezes mais poderosa”.

Putin indicou que as Forças Armadas russas mantêm a iniciativa estratégica no conflito e prometeu ampliar a intensidade das respostas às ofensivas de Kiev.

O cenário também coincide com um novo movimento europeu para fortalecer a defesa do continente. Nessa segunda-feira, Ucrânia, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Espanha, Holanda, Noruega, Suécia e Dinamarca anunciaram a criação da coalizão FREYJA, voltada ao desenvolvimento de um sistema integrado de defesa contra mísseis balísticos, em meio ao aumento dos ataques russos contra cidades ucranianas.