Rússia ameaça punir Armênia por aproximação com a UE

Kremlin sinaliza suspensão de contratos de fornecimento de petróleo e gás caso país do Cáucaso reforce laços com Bruxelas

atualizado

metropoles.com

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Grigory Sysoev / Kremlin
Presidente russo, Vladimir Putin
1 de 1 Presidente russo, Vladimir Putin - Foto: Grigory Sysoev / Kremlin

Autoridades da Rússia ameaçaram nesta quarta-feira (27/5) a Armênia com a suspensão de contratos de fornecimento de petróleo e gás natural caso o país do Cáucaso continue a estreitar laços com a União Europeia (UE).

“Em 27 de maio, a embaixada russa entregou oficialmente à parte armênia uma carta do ministro da Energia, Serguei Tsiviliov”, afirmou a porta-voz do Ministério do Exterior russo, Maria Zakharova.

A carta, segundo a diplomata, assinala que “caso continue o processo de integração da República da Armênia à UE, a parte russa suspenderá ou denunciará unilateralmente o Acordo entre os Governos da Rússia e da Armênia sobre a cooperação no âmbito dos fornecimentos de gás natural, produtos petrolíferos e diamantes brutos de 2 de dezembro de 2013”.

A mensagem é dirigida ao Ministério da Administração Territorial e Infraestrutura da Armênia, que, até o momento, nega ter recebido o documento.

Segundo o jornal russo Kommersant, o ministro Tsiviliov argumenta na carta que o aprofundamento das relações entre a Armênia e a UE põe em risco o futuro da cooperação com Moscou.

“As medidas práticas em curso para aprofundar a interação da Armênia com a União Europeia e a aspiração declarada do governo armênio de ingressar na UE ameaçam a preservação e o desenvolvimento do nível fundamentalmente elevado de cooperação comercial, econômica e de investimento russo-armênia”, informou o jornal, citando a carta do Ministério da Energia da Rússia.

Dependente da energia russa

Em virtude do acordo assinado em 2013, a Armênia recebe da Rússia, em condições preferenciais e sem tarifas, 85% de suas importações de gás, dois terços de seus produtos petrolíferos e 50% dos diamantes.

O líder russo, Vladimir Putin, insinuou há algumas semanas que, caso as relações bilaterais esfriem, a Armênia poderia deixar de pagar 177 dólares (R$ 895) por mil metros cúbicos de gás, com o preço podendo aumentar para 600 dólares, valor cobrado dos países europeus que ainda importam gás da Rússia, como Hungria e Eslováquia.

“Os descontos sempre são à custa de alguém […] não são algo que surge do nada. São à custa da Rússia. É realmente a nossa contribuição para o desenvolvimento da Armênia”, afirmou nesta quarta-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Ele reforçou que a Armênia “é um país irmão, sempre foi e será um país irmão. Mas isso é à nossa custa, é preciso chamar as coisas pelo nome; é a nossa ajuda à Armênia”.

“Isto está sujeito a revisão. E as corporações podem levantar esta questão. Trata-se de um assunto corporativo, é preciso dirigir-se à Gazprom”, afirmou, se referindo à empresa estatal de energia da Rússia.

O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, respondeu nesta quarta-feira que “parceiros que respondem com ameaças, mesmo que veladas, agem contra si mesmos”.

Embora continue a ser muito dependente de Moscou, o governo armênio tem tentado nos últimos anos diversificar suas fontes de energia e aumentou suas importações de combustíveis de Romênia, Egito e Bulgária, e, desde o ano passado, do Azerbaijão.

“Não é lógico ameaçar a Armênia com preços altos”, acrescentou Pashinyan.

Moscou aumenta a pressão

Em uma cúpula recente em Ierevan, capital do país, a Armênia prometeu aumentar a colaboração com a UE em segurança, defesa, energia, transporte e economia digital.

A aproximação armênia da UE em detrimento da União Econômica Eurasiática levou a Rússia a proibir nas últimas semanas as importações armênias de flores e água mineral, além de suspender as compras de vinho e conhaque de várias empresas armênias. Moscou ainda ameaça impor sanções a frutas e verduras.

Pashinyan e Putin entraram em conflito recentemente em torno de liberdades políticas. O líder russo alegou que a oposição pró-Rússia na Armênia estava sendo reprimida, enquanto o premiê armênio respondeu que ninguém em seu país é preso por suas opiniões políticas.

Em meio às tensões entre Armênia e Rússia, e a menos de duas semanas das eleições legislativas armênias, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, assinou nesta segunda-feira, em Ierevan, vários acordos bilaterais, o que foi interpretado como um apoio a Pashinyan diante da interferência russa, visando à votação de 7 de junho.

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