Rodrigo Paz enfrenta ameaças seis meses após assumir poder na Bolívia

Bolívia enfrenta uma onda de protestos e bloqueios desde o início do mês, que pedem a renúncia do atual presidente do país, Rodrigo Paz

atualizado

metropoles.com

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HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
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1 de 1 o-presidente-luiz-inacio-lula-da-silva-em-pronunciamento-ao-lado-do-presidente-do-estado-plurinacional-da-bolivia-rodrigo-paz-pereira-metropoles–1 - Foto: <p>HUGO BARRETO / METRÓPOLES<br /> @hugobarretophoto</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div>

Cerca de sete meses após vencer as eleições presidenciais da Bolívia, no pleito que ficou marcado como o fim da hegemonia política da esquerda no país, o presidente Rodrigo Paz enfrenta protestos que colocam em xeque o futuro de sua administração.


O que está acontecendo?

  • Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão (PDC), foi eleito presidente nas últimas eleições da Bolívia, realizadas em outubro de 2025. 
  • Sua vitória representou o fim da hegemonia política da esquerda na Bolívia e do partido Movimento ao Socialismo (MAS), que governou o país por 20 anos.
  • Ele assumiu a Presidência em novembro do último ano, em meio a uma grave crise econômica e política na Bolívia. 
  • No início de maio, manifestações e bloqueios tomaram conta do país, puxados principalmente por setores que ajudaram na vitória de Paz. 
  • Os bloqueios em diversas rodovias bolivianas provocaram problemas de desabastecimento no país. 
  • Diante da situação, Rodrigo Paz buscou o governo brasileiro, que concordou em enviar ajuda humanitária para a Bolívia. 

No início de maio, a Bolívia foi tomada por manifestações, marchas, greves e bloqueios em estradas que pedem a renúncia do político de centro-direita.

Durante a campanha eleitoral, e após assumir a Presidência, Paz prometeu um “capitalismo para todos” no país, que enfrenta uma grave crise política e econômica desde meados de 2013. Os protestos têm sido puxados, justamente, por setores que contribuíram na sua vitória eleitoral.

Com a ajuda seu vice, Edmand Lara, que mantém certa entrada em movimentos sociais bolivianos, o político de 58 anos se elegeu com propostas de diálogo com tais setores. Mas, logo após a posse, Paz deu uma guinada à direita, deixando de lado demandas de segmentos indígenas e camponeses.

As ações do novo presidente da Bolívia incluíram o fim de impostos para grandes fortunas, e políticas voltadas para o agronegócio e a indústria.

Uma das medidas mais polêmicas foi a Lei de Reconversão de Terras (Lei 1720)  apresentada pelo governo Paz. Na prática, a medida buscava permitir que o Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA) a converter pequenas propriedades rurais em locais passíveis de compra, venda e hipoteca.

Na avaliação de setores populares, a legislação poderia abrir brechas para a especulação imobiliária, assim como enfraquecer a proteção da terra por comunidades indígenas e camponesas.

“A principal crítica desses movimentos é que, durante seus primeiros seis meses de governo, Rodrigo Paz teria priorizado políticas favoráveis aos setores empresariais e às elites econômicas, deixando em segundo plano as demandas dos setores indígenas, camponeses e populares. O elemento mais paradoxal dessa crise é que foram justamente esses setores os que contribuíram decisivamente para sua vitória eleitoral”, explica o advogado e pesquisador boliviano em direitos dos povos indígenas, Roger Adan Chambi.

Protestos ou disputa partidária?

Inicialmente, o presidente da Bolívia classificou as manifestações como vandalismo, e uma tentativa de desestabilizar o país. Neste cenário, o ex-presidente Evo Morales, seus seguidores e o partido Movimento ao Socialismo (MAS), que por anos esteve no poder boliviano, foram associados às ações.

Segundo analistas ouvidos pelo Metrópoles, a estratégia do governo Paz era tentar descredibilizar o movimento nas ruas, taxando como uma disputa partidária, e não atos de reivindicações sociais.

“Nesse caso não existe um partido específico que esteja liderado as manifestações. O que existe são os movimentos sociais, que são muito mais amplos do que Evo Morales”, explica a pesquisadora Ana Luica Lacerda, do Observatório Política Sul-Americano da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)”.

Recuo com ameaças

Diante da pressão, e da continuidade das manifestações que pedem sua renúncia, o presidente da Bolívia recuou e deu sinais de uma maior disposição ao diálogo. O que incluiu uma revogação da polêmica Lei 1720, e até mesmo uma redução de seu próprio salário. 

Isso, contudo, não baixou a tensão no país e os atos continuam — desta vez com contestações mais amplas. Até o momento, sete pessoas morreram nos protestos, que tem sido reprimidos por forças policiais, 23 ficaram feridas e mais de 300 foram presas, segundo a Defensoria do Povo da Bolívia.

“Embora tenham conseguido a revogação da norma, os protestos não cessaram. Pelo contrário, outras demandas que já vinham se acumulando desde o início do governo passaram a ganhar força e novos setores foram aderindo às mobilizações. Entre eles estão os professores do magistério rural e urbano, cooperativistas mineiros, organizações camponesas e setores vinculados ao movimento operário”, afirma Roger Adan Chambi.

Com isso — e apesar do recuo do presidente —, o governo da Bolívia revogou, no último dia 26 de maio, uma lei de 2020 que continha restrições relacionadas a declaração de estado de exceção e o uso das Forças Armadas para controlar manifestações. Ainda assim, a medida não foi acionada até a publicação desta reportagem.

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