Pressão sobre aliados de Trump cresce na América Latina

Ao passo em que aliados enfrentam pressões, governo dos EUA prevê que eleições podem mudar o tabuleiro político da América Latina

atualizado

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Imagem colorida mostra o ex-presidente dos EUA Donald Trump em frente a bandeiras do país - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra o ex-presidente dos EUA Donald Trump em frente a bandeiras do país - Metrópoles - Foto: Instagram/Reprodução

Apesar da guinada à direita que a América Latina viveu nos últimos anos, governos aliados aos planos para a região do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrentam pressões. Os casos mais recentes acontecem na Bolívia e Chile, onde a população foi para as ruas contra as atuais políticas dos presidentes que assumiram o controle dos países recentemente. 

Na Bolívia, manifestantes tomam as ruas do país desde o início de maio, com uma demanda: a renúncia do presidente que está no cargo há cerca de 6 meses.

Rodrigo Paz assumiu o poder boliviano em novembro de 2025, após encerrar a hegemonia da esquerda, que comandou a Bolívia por 20 anos. O político de centro-direita conseguiu o feito após formar uma aliança com Edmand Lara, seu vice que ajudou no diálogo com setores populares bolivianos.

Mas, após a posse, o político de 58 adotou políticas contrárias as demandas de movimentos sociais do país que o ajudaram na vitória. Entre elas, medidas voltadas ao agronegócio e a indústria, e uma polêmica lei que poderia enfraquecer a proteção de terras indígenas e camponesas.

Diante da pressão, o presidente boliviano chegou a recuar e revogou a lei sobre terras indígenas e camponesas, reduziu o próprio salário e demitiu alguns ministros de seu governo na tentativa de conter a crise.

As medidas, no entanto, não foram suficientes para cessar as manifestações, que continuam pedindo sua renúncia — e podem passar a ser alvos de repressão pelas Forças Armadas após um projeto sobre a implementação do estado de exceção avançar no legislativo da Bolívia.

Apesar do apelo popular, os protestos foram classificados pelo governo norte-americano como uma tentativa de golpe de Estado. A retórica foi apoiada pela coalizão militar ligada pelos EUA, Escudo das Américas, que condenou as manifestações e prestou apoio à Paz.

Cortes geram manifestações contra Kast

No Chile, manifestantes saíram às ruas na última semana devido a um pacote de ajuste fiscal do governo de José Antonio Kast — que assumiu a presidência do país em março deste ano.

Uma das principais plataformas de governo do político de direito é, justamente, cortar US$ 6 bilhões de gastos públicos ao longo de 18 meses, através da redução de quase 3% no orçamento de todos os ministérios do país. O objetivo é equilibrar as contas públicas e impulsionar a economia local.

No país andino, as manifestações são puxadas principalmente por estudantes e professores, que enxergam as medidas do atual governo como uma ameaça à educação e saúde chilena.

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Confrontos entre a polícia e manifestantes na Bolívia
Confrontos entre a polícia e manifestantes na Bolívia
Rodrigo Paz, presidente da Bolívia
Manifestações Chile
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Confrontos entre a polícia e manifestantes na Bolívia
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Confrontos entre a polícia e manifestantes na Bolívia

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Confrontos entre a polícia e manifestantes na Bolívia

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Rodrigo Paz, presidente da Bolívia
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Rodrigo Paz, presidente da Bolívia

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Manifestações Chile

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José Antonio Kast
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José Antonio Kast

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As falas de Marco Rubio

Crítico aberto de governos de esquerda, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse aguardar mudanças políticas na América Latina, que podem aumentar a cooperação entre Washington e nações da região.

Durante audiência no Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, o chefe da diplomacia do país falou com parlamentares sobre uma possível expansão do Escudo das Américas.

“Mais de 14 países do hemisfério se juntaram à nossa aliança contra o terrorismo, o narcotráfico e para assuntos de segurança”, disse o secretário de Estado dos EUA. “Acreditamos que este número deve aumentar nos próximos meses, à medida que as eleições mudem a liderança em vários países”.

O Escudo das Américas é uma coalizão militar criada no início deste ano, com o objetivo declarado de combater o tráfico de drogas na América Latina. Ela é composta por 13 países: EUA, Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trindade e Tobago.

Um dia antes da fala na Câmara, Rubio comentou sobre a vasta rede de aliados dos EUA na região, mas deixou de fora países comandados por políticos de esquerda: Nicarágua, Cuba, Venezuela, Colômbia e Brasil.

De acordo com o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Senior Fellow do Instituto de Pesquisas Estratégicas em Relações Internacionais e Diplomacia (IPERID), Elton Gomes, as declarações de Rubio vão de encontro a mudanças políticas a nível mundial — onde a direita ganhou mais força nos últimos anos.

“O objetivo do grupo político do qual faz parte o secretário Marco Rubio é criar condições para que aliados ideológicos do trumpismo sejam eleitos pelo mundo afora, porque entende que esse é o esforço internacional de promoção de ideias nacional populistas”, explica Gomes.

Eleições à vista

Enquanto alguns governos de direita na América Latina convivem com protestos, e o chefe da diplomacia de Trump prevê mudanças na região, três pleitos que podem redefinir a política regional estão prestes a acontecer — ambos marcados por um ambiente de polarização, e apoio norte-americano para candidatos de direita.

O primeiro deles acontece neste fim de semana, no Peru, que elegerá o novo presidente do país no segundo turno das eleições presidenciais no domingo (7/6).

A disputa envolve o candidato de esquerda Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, e de Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori. Na última pesquisa de intenção de votos os dois candidatos apareceram empatados tecnicamente.

A Colômbia também vai definir o destino político do país em segundo turno, em 21 de junho. A disputa envolve Abelardo de la Espriella, candidato de extrema-direita, e Ivan Cepeda, da esquerda.

Espriella saiu na frente no primeiro turno, e conquistou 43,7% dos votos válidos. Cepeda ficou com 40%. O pleito colombiano ainda é marcado por acusações de fraude, iniciadas pelo atual presidente do país, Gustavo Petro.

No Brasil, o mesmo cenário de divisão parece se desenhar, ainda que o pleito só vá acontecer em outubro. Nas últimas pesquisas dois nomes se destacam: o atual presidente do país, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Pressões norte-americanas

Desde que Trump assumiu o seu segundo mandato, a América Latina se tornou a prioridade número 1 de Washington, conforme a Estratégia de Segurança Nacional dos EUA divulgada no fim de 2025.

Nos últimos meses, enquanto a guerra no Irã tem se mostrado um fracasso, a administração norte-americana voltou os olhos para a região, e mirou, principalmente, em Cuba e Brasil. 

No caso da ilha caribenha, além da pressão por vias econômicas, os EUA miraram a última figura do castrismo ainda viva: Raúl Castro.

Recentemente, o militar de 95 anos foi indicado pelos EUA acusado de envolvimento direto com o abate de duas aeronaves norte-americanas na década de 1990, que pertenciam à organização anti-castrista Hermanos al Recaste.

A medida foi seguida pelo envio de navios de guerra para a região do Caribe, em um movimento semelhante ao que antecedeu a operação que terminou na captura do ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro.

Já o Brasil passou a ser alvo de políticas norte-americanas que surgiram após lobby da família Bolsonaro. A primeira delas foi a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A decisão, porém, preocupa o governo brasileiro e analistas, que enxergam uma brecha para possíveis interferências dos EUA no país sob a bandeira do combate ao que Washington classifica como “narcoterrorismo”.

Em seguida, o governo dos EUA anunciou a intenção de voltar a taxar alguns produtos brasileiros em 25%, o que reabriu uma crise entre os dois países.

Neste último caso, o senador Flávio Bolsonaro negou que tenha relação com a sobretaxa.

No último ano, o país já havia sido alvo de tarifas norte-americanas, que na época foram justificadas, entre outras coisas, pelo julgamento em curso Jair Bolsonaro. A taxa foi revertida posteriormente, enquanto o ex-presidente foi condenado a pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

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