Por segurança, agência nuclear da ONU retira inspetores do Irã

A decisão de retirada ocorre poucos dias após o presidente iraniano aprovar uma lei que impede a entrada de novos inspetores da AIEA

atualizado

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Imagem colorida de dois homens sentados ao lado da bandeira do Irã
1 de 1 Imagem colorida de dois homens sentados ao lado da bandeira do Irã - Foto: Getty Images/Anadolu

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou, nesta sexta-feira (4/7), que seus inspetores retornarão à sede em Viena, após permanecerem em Teerã, no Irã, durante o conflito, por questões de segurança.

A decisão ocorre após a aprovação de uma lei pelo presidente iraniano Masoud Pazeshkian, que determina a suspensão da cooperação do país com a agência.

“Uma equipe de inspetores da AIEA partiu, hoje, em segurança, do Irã para retornar à sede da Agência em Viena, após permanecer em Teerã durante o recente conflito militar”, alegou a agência nas redes sociais.

Entenda a lei que rompe cooperação

  • Após os bombardeios israelenses e americanos contra instalações nucleares iranianas, o Conselho de Guardiões da Revolução Islâmica, órgão executivo responsável por assegurar que a lei esteja de acordo com a Constituição, ratificou um projeto de lei que propõe a suspensão total da cooperação com a agência nuclear.
  • O órgão global de vigilância nuclear, por sua vez, afirmou que não recebeu informações oficiais do país iraniano até o momento. “Até o momento, a AIEA não recebeu uma comunicação oficial do Irã sobre esse assunto”, confirmou.
  • A informação foi noticiada pelo Iran International, um canal próximo à oposição iraniana no exterior, mencionando declarações de um porta-voz do Conselho dos Guardiões. Diante da suspensão, a ONU não tem permissão para inspecionar o programa nuclear do Irã.
  • De acordo com a televisão estatal, 221 deputados votaram a favor do texto, nenhum votou contra e um se absteve. “A proposta que exige ao governo suspender sua cooperação com a AIEA foi revisada pelo Conselho dos Guardiões e é considerada conforme aos princípios da sharia e da Constituição”, declarou à agência oficial Irna o porta-voz do Conselho, Hadi Tahan Naz.

A decisão de retirada ocorre poucos dias após o presidente iraniano aprovar uma lei que impede a entrada de inspetores no Irã, a menos que seja garantida a segurança das instalações nucleares e das atividades nucleares pacíficas.

O diretor-geral da agência de fiscalização da ONU, Rafael Grossi, reforçou a importância de discutir com o Irã, “as modalidades para retomar suas indispensáveis atividades de monitoramenteo e verificação do Irã, o mais rápido possível”.

Na quinta (3/7), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país mantém o comprometimento com o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e com o Acordo de Salvaguardas.

Além de afirmar que o país continua no tratado, Abbas declarou que a cooperação com a agência nuclear da ONU, passará a ser conduzida por meio do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.

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