Bolsonaro recebe prêmio, bate continência à bandeira e troca o bordão

Em discurso durante premiação, o presidente finalizou com a frase "Brasil e Estados Unidos acima de todos, Brasil acima de tudo"

Marcos Corrêa/PRMarcos Corrêa/PR

atualizado 16/05/2019 18:30

Durante discurso no World Affairs Council, em Dallas, no Texas, onde foi homenageado com o prêmio de “Personalidade do Ano”, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta quinta-feira que a união entre o Brasil e os EUA pode trazer “felicidade” para os dois países, já que ambos possuem em comum “valores familiares de respeito ao próximo”. Ele afirmou que, com esta parceria, a democracia e a liberdade estarão “garantidas”.

“O Brasil de hoje é amigo, respeita os Estados Unidos e quer os americanos ao nosso lado”, disse. Ele finalizou seu discurso com uma adaptação de seu slogan de campanha – que ele continua a repetir na presidência.  “Brasil e Estados Unidos acima de tudo, e Brasil acima de todos”, improvisou. Ele também bateu continência à bandeira norte-americana.

Ainda durante sua fala, o presidente fez um apelo aos argentinos para que o país não vire o que chamou de uma “nova Venezuela”. A Argentina terá eleições neste ano e a ex-presidente esquerdista Cristina Kirchner desponta uma das principais candidatas no pleito. Bolsonaro disse que a esquerda foi vencida no Brasil e vaticinou que ela não irá prosperar pela América Latina.

“Não se esqueçam da nossa Argentina, que está indo para um caminho bastante complicado. O meu amigo [Maurício] Macri enfrenta dificuldades em ver crescer a possibilidade de a presidente última voltar ao poder”, disse.

Bolsonaro comparou Kirchner com a ex-presidente Dilma Roussff (PT) e Fidel Castro, destacando que eles podem roubar mais que um país. “Eles roubam mais que um sonho, vão roubar nosso país, roubar a liberdade de todos nós”, disparou. “Se tivermos outra Venezuela no cone sul, os problemas são enormes para nós e para os senhores”, disse.

Bolsonaro acusou os ex-presidentes brasileiros de carregarem homicídios em suas histórias durante o período militar. “Quem até a pouco ocupava o cargo e tem suas mãos manchadas de sangue na luta armada matando um capitão, como eu sou, naqueles anos triste que tivemos no passado”, afirmou, em referência velada a um suposto ataque que Dilma teria feito enquanto guerrilheira contra o regime militar.

“Não é vergonha contar a verdade, a verdade nos liberta. Nós nos apresentamos [à disputa presidencial] para mudar o Brasil”, completou o presidente.

A premiação
A premiação como personalidade do ano – que, do lado norte-americano, homenageará o secretário de Estado, Mike Pompeo – estava marcada inicialmente para o Museu de História Natural em Nova York. Contudo, a própria entidade desistiu de sediar o evento, que também enfrentou a resistência do prefeito da cidade, Bill de Blasio – com direito a troca de farpas via Twitter – e de organizações de defesa do meio ambiente.

Em discurso, Bolsonaro lamentou não poder ter ido a Nova York, mas disse que mantém o respeito aos novaiorquinos e à cidade. “Não posso ir a casa de outra pessoa, onde a pessoa não me aceite bem”, disse.

A ida de Bolsonaro para Dallas, no entanto, não será acompanhada de elogios do prefeito local, Mike Rawlings. Na semana passada, por meio de nota, Rawlings afirmou que “discorda fortemente de algumas das posições declaradas do presidente Bolsonaro”. Mas completou: “Eu tenho um grande respeito pelo povo brasileiro e não vou me envolver em uma disputa política pública com nenhum líder democraticamente eleito”, afirmou Rawlings.

Política externa
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse que o objetivo de Bolsonaro não é “controlar” a máquina, mas sim “acabar com a máquina. “Essa maquina que durante décadas tem gerado o desemprego, a corrupção, abandonando valores e princípios dos brasileiros”, disse.

Segundo o ministro, o objetivo é do Brasil é se aproximar do cenário internacional, “sobretudo com os Estados Unidos”. “Foram paceiros econômicos e infelizmente foram esquecidos por muito tempo”, completou. Ele comparou ao relacionamento com Israel, que tem se estreitado desde a ida de Bolsonaro ao país.

Para Ernesto, o Brasil quer alcançar uma economia de mercado a fim de trazer novas iniciativas de empresários, e mostrar que sua economia está aberta ao mundo.

Na ocasião, o ministro de Minas e Energia, Bento de Albuquerque, comunicou os projetos e os esforços em modernizar o setor brasileiro, para atrair interessados internacionais na área. “Vamos fazer com que o país seja um país muito atrativo a novos investidores”, disse.

Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, destacou em seu discurso que a reforma da Previdência pode ser uma possibilidade de atrair novos investidores ao país. Ele avisou que o texto deve ser aprovado no Congresso Nacional em, no máximo 60 dias.

Segundo o ministro, o Brasil vive em uma baixa econômica por ter passado antes sob “total controle estatal”. Para reverter a situação, a equipe econômica da gestão Bolsonaro pretende promover privatizações e reformular legislações, como as normas vigentes para a aposentadoria dos brasileiros. “Vamos unificar a América Latina em uma economia de mercado”, concluiu Guedes.

A comitiva brasileira deixa o Texas nesta quinta-feira. Confira imagens da viagem: 

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