Peru decreta estado de emergência em 40% do país por chuvas do El Niño
o governo poderá adotar medidas extraordinárias por 60 dias para reduzir o risco alto em áreas afetadas pelas chuva

O governo do Peru decretou estado de emergência em 796 distritos do país devido ao risco de chuvas intensas associadas ao fenômeno climático El Niño. A medida, publicada nesta quinta-feira (2/6), terá validade de 60 dias e busca acelerar ações preventivas para reduzir os impactos provocados pelas precipitações previstas para os próximos meses.
O decreto foi assinado pelo presidente José Maria Balcazar e abrange cerca de 40% dos distritos peruanos, incluindo áreas das regiões de Lima, Cusco e Arequipa, consideradas entre as mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno.
Segundo o governo, a situação representa um risco considerado “muito alto” para milhares de moradores, o que justifica a adoção de medidas excepcionais para prevenção de desastres.
País busca reduzir impactos
Ao decretar o estado de emergência, o governo peruano pretende reforçar as ações de prevenção antes da intensificação do período chuvoso. A expectativa é minimizar os danos às comunidades mais vulneráveis e garantir uma resposta mais rápida caso ocorram enchentes, deslizamentos ou outras emergências relacionadas ao El Niño.
As autoridades seguem monitorando as condições meteorológicas e afirmam que novas medidas poderão ser adotadas caso haja agravamento do cenário nas próximas semanas.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais da região central e leste do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação atmosférica e influencia o clima em diversas partes do planeta.
Embora ocorra de forma periódica, seus efeitos variam de intensidade a cada episódio. Em alguns anos, o fenômeno provoca mudanças significativas no regime de chuvas e nas temperaturas em diferentes continentes.
Na costa oeste da América do Sul, especialmente no Peru e no Equador, o El Niño costuma aumentar consideravelmente o volume de chuvas. Isso favorece enchentes, transbordamento de rios, deslizamentos de terra e danos à infraestrutura, além de afetar a agricultura e provocar prejuízos econômicos.
Em outras regiões do mundo, o fenômeno pode causar efeitos opostos, como estiagens prolongadas, ondas de calor e aumento do risco de incêndios florestais.
Impactos também podem atingir o Brasil
No Brasil, os efeitos do El Niño variam conforme a região. Em anos de atuação do fenômeno, é comum que o Sul registre chuvas acima da média, aumentando o risco de enchentes, enquanto partes do Norte e do Nordeste enfrentam redução das precipitações e períodos de seca mais prolongados.
As alterações climáticas também podem influenciar a produção agrícola, a geração de energia hidrelétrica, o abastecimento de água e favorecer a ocorrência de eventos extremos em diferentes estados.


