Papa Leão XIV celebra primeira missa de Páscoa do seu pontificado
Primeira celebração sem o papa Francisco em mais de uma década ocorre sob comando de Leão XIV e o peso das guerras globais
atualizado
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O papa Leão XIV celebrou, neste domingo (5/4), a primeira missa de Domingo de Páscoa do seu pontificado, no Vaticano. Com a Praça de São Pedro lotada de fiéis, a cerimônia iniciou-se pontualmente às 5h15 (horário de Brasília).
O Metrópoles transmitiu a missa ao vivo. Veja aqui:
A missa, presidida em latim, teve início com a tradicional bênção inicial do papa Leão XIV e contou com a presença de cerca de 50 mil pessoas dentro da Praça de São Pedro e outras 10 mil fora dela. Diante do ícone de Jesus ressuscitado, o pontífice venerou e incensou a imagem do Senhor, inaugurando a celebração pascal.
O pontífice destacou a alegria da ressurreição de Cristo e convidou os presentes a recordarem o batismo, mantendo a “veste branca” imaculada até o fim da vida terrena.
Leão XIV, então, aspergiu água benta sobre os fiéis, gesto simbólico de purificação, antes de conduzir o Ato Penitencial.
Os primeiros fiéis começaram a chegar ainda nas primeiras horas da manhã para acompanhar a celebração pascal. A celebração ocorre sob um forte contexto de tensões geopolíticas que atravessam o cenário internacional.
Homilia
Durante a homilia, o pontífice refletiu sobre os desafios e sofrimentos do mundo contemporâneo. O sermão de Leão XIV ocorre em um contexto marcado por diversas crises internacionais, sobre as quais ele é um severo crítico.
“Fora de nós a morte está sempre à espreita. Vemo-la presente nas injustiças, nos egoísmos de parte, na opressão dos pobres, na escassa atenção para com os mais fracos. Vemo-la na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que se eleva de todas as partes, devido aos abusos que oprimem os mais vulneráveis, devido à idolatria do lucro que saquei os recursos da terra, devido à violência”, afirmou o papa.
“E somos nós, ressuscitados com Cristo, que devemos levá-lo pelas estradas do mundo. Corramos, pois, como Maria Madalena, anunciemos-lo a todos, levemos com a nossa vida a alegria da ressurreição, para que, onde quer que ainda pare o espectro da morte, possa brilhar a luz da vida. Que Cristo, nossa Páscoa, nos abençoe e conceda a sua paz ao mundo inteiro”, destacou.
Bênção Urbi et Orbi
Durante a bênção Urbi et Orbi, o pontífice fez um pronunciamento marcado por apelos à paz, mencionando conflitos armados em diferentes regiões do mundo e reforçando críticas à violência e à indiferença diante das guerras.
Em sua fala, o Leão XIV afirmou: “quem tem armas nas mãos que as deponha, quem tem o poder de desencadear guerras que opte pela paz, não uma paz conseguida com a força, mas com diálogo”.
Ele acrescentou que “não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar”, em referência à necessidade de soluções negociadas para os conflitos.
O pontífice ainda afirmou que a verdadeira paz se constrói a partir de relações respeitosas e do compromisso com o bem comum, defendendo que a cooperação entre povos e nações é o caminho para enfrentar os desafios globais atuais.
A celebração deste ano representa também uma ruptura histórica recente: é a primeira Páscoa, em mais de uma década, que não tem como principal celebrante o papa Francisco.
Entre 2013 e 2024, o argentino presidiu as missas pascais — mesmo em condições adversas, como durante a pandemia de Covid-19 — e, em 2025, embora debilitado, ainda participou da tradicional bênção “Urbi et Orbi”, um dia antes de sua morte. Francisco faleceu em 21 de abril de 2025.
A missa ocorre na Praça São Pedro, diante de milhares de fiéis, e será seguida pela bênção “Urbi et Orbi”, quando o papa tradicionalmente dirige uma mensagem ao mundo — frequentemente marcada por apelos à paz e reflexões sobre crises contemporâneas.
Semana Santa sob tensão global
A primeira Páscoa de Leão XIV acontece em meio à escalada de conflitos internacionais, especialmente no Oriente Médio, onde a guerra envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel amplia a instabilidade global. O pontífice já sinalizou preocupação com o cenário e deve abordar o tema em sua mensagem pascal.
Conhecido por um estilo mais diplomático e pragmático, Leão XIV adota um tom cauteloso, ainda que firme.
Apesar disso, o novo papa tem evitado confrontos diretos, priorizando a atuação diplomática do Vaticano. Fiéis apontam que sua estratégia, alinhada ao pensamento de Francisco, privilegia resultados concretos em negociações e mediações internacionais, em vez de declarações públicas contundentes.
Expectativa por mensagem política
A homilia e, sobretudo, a mensagem que antecede a bênção “Urbi et Orbi” são vistas como momentos-chave para entender o posicionamento do novo pontífice diante dos conflitos globais, incluindo a guerra na Ucrânia, conflito em Gaza e o confronto de Estados Unidos, Israel e Irã.
As meditações do rito trouxeram críticas ao abuso de poder e associaram o sofrimento de Cristo às vítimas contemporâneas de guerras, deslocamentos e crises humanitárias.
Além do peso geopolítico, a celebração também evidencia diferenças de estilo entre os pontificados. Enquanto Francisco priorizava gestos de proximidade com populações marginalizadas, Leão XIV tem resgatado elementos mais tradicionais da liturgia, como o rito do lava-pés em ambiente eclesiástico.














