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Mundo

Mais de 3 milhões de sírios voltam ao país após a queda de Assad

Segundo relatório da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), 3,3 milhões de sírios voltaram ao país em 2025

Junio Silva11/06/2026 02:00, atualizado 10/06/2026 22:58
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Burak Kara/Getty Images
Imagem colorida mostra Bashar al-Assad - Metrópoles

Mais de 3 milhões de pessoas voltaram para suas casas na Síria em 2025, nos meses que se seguiram à queda do ex-presidente do país, Bashar al-Assad. O número foi divulgado pela Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) nesta quinta-feira (11/6), no relatório Tendências Globais: Deslocamento Forçado em 2025.


Mudanças na Síria

  • O governo de Bashar al-Assad caiu em dezembro de 2024. Ele foi acusado de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade.
  • Assad comandou o país por 24 anos, após suceder seu país, Hafez al-Assad, que controlou a Síria com mãos de ferro entre 1971 e 2000.
  • O ex-presidente sírio foi deposto após uma ofensiva de grupos rebeldes, liderados pelo Hayat Tahrir al-Sham (HTS).
  • O HTS surgiu no contexto da guerra civil da Síria. Por anos, o grupo se chamou Frente al-Nusra, e atuava como um braço da Al-Qaeda no país. 
  • A organização foi fundada pelo atual presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, que manteve ligações com lideranças do que viria a ser o Estado Islâmico (ISIS) enquanto esteve preso no Iraque, no início dos anos 2000. 
  • Apesar da ligação com o jihadismo, al-Sharaa ascendeu ao poder com promessas sobre um governo mais inclusivo na Síria. Uma de suas primeiras medidas, por exemplo, foi dissolver grupos paramilitares, como o HTS, e integra-las ao Ministério da Defesa. 
  • Por conta de suas medidas, e da relativa estabilidade na Síria, seu governo tem recebido acenos positivos da comunidade internacional. Os principais deles dizem respeito à reaproximação diplomática da Síria com grandes potências, e o fim das sanções que afetavam a economia síria. 

Segundo o órgão da ONU, do número total 2,9 milhões de pessoas estavam deslocadas internamente dentro da Síria, devido aos 13 anos de guerra civil que abalou o país.

Enquanto isso, 1,3 milhão de sírios retornaram de refúgios no exterior. A maioria deles vieram estavam em cinco países vizinhos, que abrigaram cidadãos da Síria nos últimos anos:

  • Turquia – 556 mil
  • Líbano – 465.600 mil
  • Jordânia – 256.700 mil
  • Iraque – 37.100 mil
  • Egito – 25.600 mil

Ainda assim, o número de deslocados à força na Síria continua sendo uma das maiores do mundo. Até o fim do último ano, 4,9 milhões de sírios continuavam refugiados em outros países, enquanto 5,5 milhões de pessoas encontravam-se no rol de Pessoas Deslocadas Internamente (IDPs).

O contexto dos retornos

De acordo com o relatório da ONU, grande parte dos retornos aconteceram sob circunstâncias adversas, e em contextos de extrema fragilidade.

Mesmo após a derrubada do ex-presidente, e da ascensão do governo interino liderado por Ahmed al-Sharaa, a Síria continuou enfrentando ondas de violência ao longo de 2025.

Em março de 2025, por exemplo, conflitos étnicos voltaram a explodir na Síria, envolvendo as novas forças de segurança do país e os alauitas — o mesmo grupo étnico-religioso do qual Bashar al-Assad faz parte.

Segundo estimativas da organização Human Rights Watch (HRW), 1,5 mil pessoas, a maioria civis alauitas, morreram nos confrontos.

Já em julho do último ano, novas tensões foram registradas na província de Sweida, onde tribos beduínas, militares do governo interino e drusos entraram em combate.

O estopim da nova onda de violência aconteceu depois de ataques de beduínos árabes sunitas — a mesma orientação religiosa do grupo Hayat Tahrir Al-Sham (HTS), que derrubou Assad — atacarem, e roubarem, o carro de um druso.

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Reprodução/X

Milícias da minoria drusa, então, iniciaram retaliações contra os beduínos, e forçaram forças do atual governo sírio a se deslocarem para a região.

As tropas da administração de al-Sharaa foram acusadas de se juntaram aos beduínos nos combates. Isso acabou provocando uma reação de Israel, que lançou bombardeios contra a Síria por manter relações históricas com os drusos. 

Além disso, a Síria ainda convive com um problema antigo: o Estado Islâmico (ISIS). Apesar de ter perdido força após 2019, quando foi expulso do território sírio, a organização terrorista ainda mantém células ativas, e realiza ataques esporádicos no país.

Mesmo assim, o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Barham Salih, defende que a relativa estabilidade da Síria no pós-guerra é um dos caminhos que outros países devem seguir.

“Eu não diria necessariamente que sejam retornos inteiramente voluntários, mas a situação de paz e estabilidade na Síria representa uma enorme oportunidade para que um grande número desses refugiados, certamente nos países vizinhos, volte para casa. Claro, esse é definitivamente o caso”, afirmou Salih.