Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mundo

Magnata que explorará petróleo na Venezuela é citado nos arquivos Epstein

Alejandro Betancourt é dono da empresa que explorará 17 poços de petróleo com reservas estimadas em 65 bilhões de barris

06/09/2026 04:30
Otavio Augusto/Arte Metrópoles
Magnata venezuelano no centro do acordo EUA-Venezuela por petróleo é citado nos arquivos Epstein

Um magnata venezuelano citado nos arquivos Epstein está no centro do acordo do governo dos Estados Unidos para explorar poços de petróleo na Venezuela. O trato foi anunciado pelos governos dos EUA, de Donald Trump, e da Venezuela, de Delcy Rodríguez, na última sexta-feira (28/8), oito meses após o sequestro de Nicolás Maduro.

Alejandro Betancourt é dono da empresa petrolífera North American Blue Energy Partners (Nabep), que ficará encarregada da exploração de 17 poços de petróleo em território venezuelano, com uma concessão de 100 anos. O governo Trump classificou a empresa como uma “operadora comprovada” e “segunda maior produtora privada de petróleo da Venezuela”.

Betancourt é figura polêmica na Venezuela. Aumentou seu patrimônio durante a era de Hugo Chávez (1999-2013) e já foi acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. O empresário foi citado ou aparece como o destinatário de e-mails nos arquivos liberados pelo governo americano sobre o caso do bilionário Jeffrey Epstein – condenado por crimes sexuais e tráfico de menores, que morreu na prisão em 2019.

Magnata que explorará petróleo na Venezuela é citado nos arquivos Epstein - destaque galeria
2 imagens
Bilionário Jeffrey Epstein morreu na prisão em 2019
Alejandro Betancourt, dono da petrolífera Nabep
1 de 2

Alejandro Betancourt, dono da petrolífera Nabep

Reprodução/Redes Sociais
Bilionário Jeffrey Epstein morreu na prisão em 2019
2 de 2

Bilionário Jeffrey Epstein morreu na prisão em 2019

Getty Images

Um dos e-mails foi encaminhado em setembro 2012 a Epstein pelo empresário venezuelano Francisco D’Agostino – que já foi sancionado pelos EUA em 2021 por ajudar a Venezuela a driblar sanções contra petróleo.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

“Alejandro Betancourt, meu parceiro de negócios, e eu estamos disponíveis para te encontrar na segunda-feira (19/11/2012). Podemos ter um almoço? Sua casa?”, diz um e-mail encaminhado de D’Agostino a Epstein.

Em outubro, D’Agostino encaminhou a seguinte mensagem ao bilionário: “Oi Jeffrey! Minha sugestão é que você encontre Alejandro Betancourt, dono do Derwick e Associados. Ele é muito interessante porque só tem 34 anos e tem mais de $3 bilhões em contratos com o governo venezuelano. Uma criança muito, muito interessante”.

O empresário ainda cita uma série de pessoas que gostaria de apresentar a Epstein, incluindo empresários, banqueiros e políticos venezuelanos – como o General Alejandro Andrade, então chefe do Tesouro venezuelano citado no e-mail como “um dos amigos mais próximos de Chavez”.

“Esta é apenas uma ideia… das pessoas mais importantes do país, tanto no setor privado quanto no governamental, os ‘influenciadores e tomadores de decisão’. Você tem algo em particular em mente que seria interessante para você? Meu pai, Franco D’Agostino, vai se juntar a nós na viagem… ele é muito influente, pois foi uma figura-chave na eleição de Jaime Lusinchi e Carlos Andrés Pérez como presidentes, e atualmente possui a licença para a única empresa de hospedagem de internet na Venezuela. Ele também é muito divertido!!!”, disse ao bilionário americano.

Epstein respondeu: “Você poderia me dar uma ideia aproximada de um roteiro de uma noite e dois dias para Caracas… para que eu possa apresentar para o meu pessoal? Espero que tenha se divertido”. Não há informações públicas de que a viagem do bilionário à Venezuela tenha acontecido.

Um dia depois da data marcada para o almoço, em 20 de novembro de 2012, o bilionário responde a Agostino com o seguinte texto: “Me mande o nome do seu amigo, por favor”.

Outro e-mail, datado de dezembro de 2012, foi encaminhado de Agostino a um contato disponível como “S A”, com cópia para Epstein e Betancourt.

O anexo do e-mail consta como “Memo oil Venezuela”. No texto, o empresário venezuelano se dirige a “Mr. Abdulhak”, e diz “Jeff, obrigado pela introdução. Em anexo uma breve descrição da oportunidade de investimento que gostaria de discutir contigo”.


Acordo EUA-Venezuela

O acordo entre o governo Trump e a Venezuela, comandada interinamente pela presidente Delcy Rodríguez, prevê os seguintes termos:

  • Autoridades venezuelanas concederão à empresa petrolífera NABEP concessões de 100 anos para explorar 17 campos de petróleo.
  • As reservas destes campos são de aproximadamente 65 bilhões de barris, segundo a Casa Branca.
  • A NABEP concedeu ao Departamento de Guerra americano uma participação em 35% das ações de sua empresa controladora. O valor representa centenas de bilhões de dólares em valor e dividendos para os EUA.
  • O Departamento de Estado dos EUA poderá comprar 20% da produção, a preço de custo, de todos os campos atuais e futuros que a NABEP operar.
  • O governo americano ainda tem a preferência na compra dos outros 80% da produção.
  • A maioria dos membros do conselho da NABEP deve ser composta por cidadãos americanos.

“A NABEP contará com auditores, advogados e consultores americanos de renome, e o acordo do governo dos EUA com a NABEP é regido pela legislação americana e está sujeito à jurisdição dos tribunais americanos”, diz o comunicado da Casa Branca sobre o acordo.

O acordo ainda prevê que a empresa irá investir US$ 100 bilhões em novas infraestruturas petrolíferas na Venezuela.

Argumento venezuelano

Pelo lado venezuelano, a presidente Delcy Rodríguez classificou o acordo como “histórico” para o país e afirma que a Venezuela vai manter a “propriedade e soberania” do petróleo de lá.

A presidente interina alega que o acordo é útil à Venezuela pois o país não tem capacidade de explorar combustível fóssil por si só, apesar de possuir uma das maiores reservas de petróleo do mundo.

“Escolhemos o caminho da diplomacia com os Estados Unidos, para transformar nossas diferenças em cooperação, e essa cooperação em investimentos, produção, bem-estar e resultados concretos para os venezuelanos”, afirmou Delcy sobre o trato.

O parlamento venezuelano aprovou o acordo esta terça (1°/9).