Magnata que explorará petróleo na Venezuela é citado nos arquivos Epstein
Alejandro Betancourt é dono da empresa que explorará 17 poços de petróleo com reservas estimadas em 65 bilhões de barris

Um magnata venezuelano citado nos arquivos Epstein está no centro do acordo do governo dos Estados Unidos para explorar poços de petróleo na Venezuela. O trato foi anunciado pelos governos dos EUA, de Donald Trump, e da Venezuela, de Delcy Rodríguez, na última sexta-feira (28/8), oito meses após o sequestro de Nicolás Maduro.
Alejandro Betancourt é dono da empresa petrolífera North American Blue Energy Partners (Nabep), que ficará encarregada da exploração de 17 poços de petróleo em território venezuelano, com uma concessão de 100 anos. O governo Trump classificou a empresa como uma “operadora comprovada” e “segunda maior produtora privada de petróleo da Venezuela”.
Betancourt é figura polêmica na Venezuela. Aumentou seu patrimônio durante a era de Hugo Chávez (1999-2013) e já foi acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. O empresário foi citado ou aparece como o destinatário de e-mails nos arquivos liberados pelo governo americano sobre o caso do bilionário Jeffrey Epstein – condenado por crimes sexuais e tráfico de menores, que morreu na prisão em 2019.
Um dos e-mails foi encaminhado em setembro 2012 a Epstein pelo empresário venezuelano Francisco D’Agostino – que já foi sancionado pelos EUA em 2021 por ajudar a Venezuela a driblar sanções contra petróleo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Alejandro Betancourt, meu parceiro de negócios, e eu estamos disponíveis para te encontrar na segunda-feira (19/11/2012). Podemos ter um almoço? Sua casa?”, diz um e-mail encaminhado de D’Agostino a Epstein.
Em outubro, D’Agostino encaminhou a seguinte mensagem ao bilionário: “Oi Jeffrey! Minha sugestão é que você encontre Alejandro Betancourt, dono do Derwick e Associados. Ele é muito interessante porque só tem 34 anos e tem mais de $3 bilhões em contratos com o governo venezuelano. Uma criança muito, muito interessante”.
O empresário ainda cita uma série de pessoas que gostaria de apresentar a Epstein, incluindo empresários, banqueiros e políticos venezuelanos – como o General Alejandro Andrade, então chefe do Tesouro venezuelano citado no e-mail como “um dos amigos mais próximos de Chavez”.
“Esta é apenas uma ideia… das pessoas mais importantes do país, tanto no setor privado quanto no governamental, os ‘influenciadores e tomadores de decisão’. Você tem algo em particular em mente que seria interessante para você? Meu pai, Franco D’Agostino, vai se juntar a nós na viagem… ele é muito influente, pois foi uma figura-chave na eleição de Jaime Lusinchi e Carlos Andrés Pérez como presidentes, e atualmente possui a licença para a única empresa de hospedagem de internet na Venezuela. Ele também é muito divertido!!!”, disse ao bilionário americano.
Epstein respondeu: “Você poderia me dar uma ideia aproximada de um roteiro de uma noite e dois dias para Caracas… para que eu possa apresentar para o meu pessoal? Espero que tenha se divertido”. Não há informações públicas de que a viagem do bilionário à Venezuela tenha acontecido.
Um dia depois da data marcada para o almoço, em 20 de novembro de 2012, o bilionário responde a Agostino com o seguinte texto: “Me mande o nome do seu amigo, por favor”.
Outro e-mail, datado de dezembro de 2012, foi encaminhado de Agostino a um contato disponível como “S A”, com cópia para Epstein e Betancourt.
O anexo do e-mail consta como “Memo oil Venezuela”. No texto, o empresário venezuelano se dirige a “Mr. Abdulhak”, e diz “Jeff, obrigado pela introdução. Em anexo uma breve descrição da oportunidade de investimento que gostaria de discutir contigo”.
Acordo EUA-Venezuela
O acordo entre o governo Trump e a Venezuela, comandada interinamente pela presidente Delcy Rodríguez, prevê os seguintes termos:
- Autoridades venezuelanas concederão à empresa petrolífera NABEP concessões de 100 anos para explorar 17 campos de petróleo.
- As reservas destes campos são de aproximadamente 65 bilhões de barris, segundo a Casa Branca.
- A NABEP concedeu ao Departamento de Guerra americano uma participação em 35% das ações de sua empresa controladora. O valor representa centenas de bilhões de dólares em valor e dividendos para os EUA.
- O Departamento de Estado dos EUA poderá comprar 20% da produção, a preço de custo, de todos os campos atuais e futuros que a NABEP operar.
- O governo americano ainda tem a preferência na compra dos outros 80% da produção.
- A maioria dos membros do conselho da NABEP deve ser composta por cidadãos americanos.
“A NABEP contará com auditores, advogados e consultores americanos de renome, e o acordo do governo dos EUA com a NABEP é regido pela legislação americana e está sujeito à jurisdição dos tribunais americanos”, diz o comunicado da Casa Branca sobre o acordo.
O acordo ainda prevê que a empresa irá investir US$ 100 bilhões em novas infraestruturas petrolíferas na Venezuela.
Argumento venezuelano
Pelo lado venezuelano, a presidente Delcy Rodríguez classificou o acordo como “histórico” para o país e afirma que a Venezuela vai manter a “propriedade e soberania” do petróleo de lá.
A presidente interina alega que o acordo é útil à Venezuela pois o país não tem capacidade de explorar combustível fóssil por si só, apesar de possuir uma das maiores reservas de petróleo do mundo.
“Escolhemos o caminho da diplomacia com os Estados Unidos, para transformar nossas diferenças em cooperação, e essa cooperação em investimentos, produção, bem-estar e resultados concretos para os venezuelanos”, afirmou Delcy sobre o trato.
O parlamento venezuelano aprovou o acordo esta terça (1°/9).







