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Mundo

Justiça libera enterro de ex-líder da Zâmbia na África do Sul após 1 ano

Sentença destaca que o ex-presidente "se considerava persona non grata em seu próprio país"

24/06/2026 05:44
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Instagram/ reprodução
Edgar Lungu, ex-presidente da Zambia, morreu aos 68 anos em uma clínica em Pretória

A família do ex-presidente da Zâmbia Edgar Lungu conseguiu, nesta quarta-feira (24/6),  na Justiça, o direito de enterrar o corpo dele na África do Sul um ano após a morte do líder. Lungu faleceu na África do Sul, mas o governo zambiano tinha conseguido uma decisão do tribunal superior para repatriar o cadáver e fazer um enterro estatal.

O desejo do governo do país era de que Lungu fosse enterrado ao lado de seus antecessores no cemitério presidencial especial na capital, Lusaca. No entanto, essa não era a vontade da família, já que Lungu afirmava que não queria que o atual presidente do país, Hakainde Hichilema, estivesse em seu velório e nem que chegasse perto do seu corpo.

A sentença destaca que o ex-presidente “se considerava persona non grata em seu próprio país”.  A Corte Suprema de Apelação também enfatiza que os direitos constitucionais à dignidade, privacidade e autonomia familiar prevalecem sobre os interesses estatais. A família garantiu o direito de decidir o local e a forma do funeral de Lungu.

O ex-presidente morreu aos 68 anos em uma clínica em Pretória em junho do ano passado e a causa da morte não foi divulgada.  Ele presidiu o país  entre 2015 e 2021.

Após deixar a presidência, a família destaca que Lungu passou a receber um mau tratamento por parte do atual governo, como a retirada de todos os benefícios de ex-presidente (pensão, segurança, transporte) em 2023, após ele anunciar seu retorno à política ativa, o impedimento de viajar para o exterior para tratamento médico em setembro de 2023 e ações policiais para impedi-lo de frequentar cultos religiosos.

“Ele expressamente não queria que o Presidente Hichilema presidisse o seu funeral, pois considerava que seria “imoral e desrespeitoso submeter uma pessoa a ritos nos quais não acreditava em vida, no seu funeral, e pior ainda, supervisionar o funeral de um inimigo percebido, como se fossem espólios de guerra”, diz a família no pedido.