Irã vê resgate de piloto dos EUA como disfarce para “roubo de urânio”

O regime iraniano afirma que abateu o caça americano na sexta-feira (3/4). A aeronave caiu no sudoeste do país

atualizado

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Staff Sgt. Tylin Rust/U.S. Air Force via Getty Images
U.S. Airforce Holds Exercise ‘Marauder Shield’ With Kuwait Airforce
1 de 1 U.S. Airforce Holds Exercise ‘Marauder Shield’ With Kuwait Airforce - Foto: Staff Sgt. Tylin Rust/U.S. Air Force via Getty Images

O Irã afirmou nesta segunda-feira (6/4) que a operação dos Estados Unidos para resgatar um piloto americano no país teria sido usada como cobertura para tentar roubar urânio enriquecido. As autoridades iranianas dizem haver “muitas dúvidas e incertezas” sobre o resgate. O segundo tripulante do caça F‑15E, que caiu na sexta-feira (3/4) em território iraniano, foi recuperado no domingo em uma manobra descrita pelo presidente Donald Trump como “audaciosa”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghai, declarou que existem “muitas informações obscuras” a respeito da operação.

O regime iraniano afirma que abateu o caça americano na sexta-feira. A aeronave caiu no sudoeste do país. Um dos pilotos foi resgatado rapidamente pelas forças dos Estados Unidos e o segundo permaneceu desaparecido até domingo.

Durante uma coletiva semanal, Baghai afirmou que “o local onde o aviador americano estaria, na província sudoeste de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, fica muito distante da área onde tentaram ou queriam pousar os aviões no centro do Irã”.

No centro iraniano há uma instalação de processamento de urânio na província de Yazd. Segundo o porta-voz, “a possibilidade de que tenha sido uma operação de fachada para roubar o urânio enriquecido não deve ser ignorada de forma alguma”. Ele classificou a ação como “um desastre” para os Estados Unidos.

O Exército iraniano declara ter destruído dois helicópteros Black Hawk e dois aviões de transporte C‑130 que participavam das buscas. De acordo com comunicado divulgado pela televisão estatal, as aeronaves teriam sido atingidas por tiros e obrigadas a realizar um pouso de emergência na província de Isfahan. Em seguida, ainda segundo o Irã, os americanos teriam “bombardeado massivamente as aeronaves” para impedir sua captura.

A imprensa dos Estados Unidos informou que dois aviões usados na operação ficaram bloqueados em uma base remota no Irã e tiveram de ser destruídos para evitar que fossem apreendidos pelas forças iranianas.

Operação arriscada e complexa

A imprensa francesa analisou a ação militar e descreveu o resgate como uma operação “arriscada e complexa”, conduzida ao longo de mais de 48 horas em território iraniano em guerra. O segundo piloto, ferido na queda, conseguiu se esconder em uma fenda rochosa na Cordilheira de Zagros, no sudoeste do país, até ser encontrado no domingo.

O jornal Le Parisien caracterizou a missão de busca ao coronel da Força Aérea americana, especialista em sistemas de combate, como “espetacular”. Dezenas de aeronaves dos Estados Unidos foram enviadas à região onde o caça foi abatido, enquanto o regime iraniano mobilizava seus próprios recursos para localizar o militar.

A reportagem ressalta que autoridades iranianas ofereceram uma recompensa “equivalente a cem vezes o salário mínimo” do país a quem entregasse o aviador vivo.

Ao se ejetar, o piloto carregava uma pistola, uma faca e um dispositivo de comunicação criptografada para evitar ser rastreado. Le Parisien relata que os serviços de inteligência americanos espalharam “fake news” afirmando que o militar já havia sido encontrado e que seria retirado por terra, como forma de despistar as forças iranianas.

Mesmo ferido, o piloto escalou mais de 2.100 metros na região montanhosa até alcançar o ponto de resgate. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos bombardearam a província do Khuzistão, provavelmente para desviar a atenção das forças iranianas, enquanto o piloto se encontrava em uma área próxima.

Trump tenta tirar proveito político

O jornal francês Le Figaro afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta se beneficiar politicamente do resgate. Segundo o jornal, Trump comemorou a operação com mensagens nas redes sociais “exaltando a superioridade militar dos Estados Unidos”, em um momento em que a guerra no Oriente Médio chega à sexta semana. A publicação acrescenta que, para Trump, a ação comprova “a supremacia aérea esmagadora dos Estados Unidos no céu iraniano”.

Le Figaro lembrou que o Irã ainda dispõe de defesas antiaéreas e que, embora os Estados Unidos e Israel tenham superioridade aérea que permite operações dentro do território iraniano, essas ações não são isentas de riscos.

O jornal destacou que, na sexta-feira, outra aeronave americana foi atingida por um míssil iraniano na região do Estreito de Ormuz. Nesse caso, o piloto conseguiu voar até o espaço aéreo do Kuwait, onde se ejetou e foi resgatado.

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