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Guerra no Irã pode ter custo político para Trump e Netanyahu

A guerra é vista como tema sensível pela população dos EUA. O apoio a Israel vem sendo contestado. Conflito já impactou, ao menos, 11 países

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Foto-montagem mostra Ali Khamenei, Donald Trump e Benjamin Netanyahu - Metrópoles
1 de 1 Foto-montagem mostra Ali Khamenei, Donald Trump e Benjamin Netanyahu - Metrópoles - Foto: Arte/Metrópoles

A decisão dos Estados Unidos e Israel atacarem o Irã pode ter impactos políticos para Donald Trump e para Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense. A guerra é vista como um tema sensível pela população norte-americana, que também não vê com bons olhos o apoio a Israel em relação a este caso. O fato de Trump ter sido eleito para “acabar com as guerras mundo afora” pode acabar pesando de forma contrária a ele.

No último sábado (28/2), Washington e Tel Aviv fizeram uma ação coordenada contra o Irã, que causou a morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, e aumentou as hostilidades no Oriente Médio. O confronto, até o momento, impactou diretamente ao menos 11 países e promete se estender pelos próximos dias.

A morte de Khamenei e de outras autoridades iranianas no conflito foi comemorada por EUA e Israel, mas pode não ter o efeito esperado diante da opinião pública.

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Donald Trump e Benjamin Netanyahu nos Estados Unidos
Benjamin Netanyahu e Trump no parlamento, em Jerusalém
Israel lança ataques contra o Irã
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Israel lança ataques contra o Irã

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Donald Trump e Benjamin Netanyahu nos Estados Unidos
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Donald Trump e Benjamin Netanyahu nos Estados Unidos

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Benjamin Netanyahu e Trump no parlamento, em Jerusalém
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Benjamin Netanyahu e Trump no parlamento, em Jerusalém

Saul Loeb - Pool/Getty Images

Como a guerra impacta Trump

Para analistas consultados pelo Metrópoles, a guerra pode ter um saldo negativo para Donald Trump, que se elegeu com promessas de colocar fim às guerras.

“A população americana tem uma percepção negativa sobre os EUA se envolvendo em guerras do outro lado do mundo. Além do alto custo, quem vai para a guerra é o filho do cidadão comum e nenhuma mãe quer ver seu filho voltar para casa em um caixão”, pontua Andrew Traumann, professor de História das Relações Internacionais no Unicuritiba.

Traumann avalia que, se a guerra for curta e não necessitar do envio de tropas americanas para a linha frente, Trump pode ter um efeito positivo, sobretudo se o país conseguir pressionar o regime iraniano a negociar a sua produção nuclear — o que o regime iraniano já negou estar sob a mesa.

Por outro lado, em caso de altos gastos e ausência de um acordo com Teerã, a invasão pode ser fator decisivo para as eleições de meio de mandato deste ano, quando governadores, além de deputados e senadores, são eleitos para o Congresso americano.

Atualmente, o republicano tem maioria na Casa, mas este cenário ameaça mudanças. A popularidade de Trump enfrenta queda pressionada pela repressão do ICE e sua política imigratória, bem como pela economia, que não teve bons resultados nem mesmo depois do tarifaço.

Neste sentido, Traumann relembra que a população norte-americana ainda amarga as mortes e o prejuízo financeiro que as invasões ao Iraque e ao Afeganistão causaram na economia dos Estados Unidos.

“Essas invasões custaram milhões e até trilhões, no caso do Afeganistão, aos cofres americanos, o que impactou a economia do país e no bolso da população. Quando chega ao ponto de impactar diretamente a vida do cidadão comum, não há popularidade que aguente”, avalia Traumann.

Sucessão no Irã

  • A morte de Ali Khamenei provocou protestos e comemorações ao redor do mundo.
  • O Irã deu início ao processo de sucessão com a nomeação do aiatolá Alireza Arafi como membro jurista do Conselho dos Guardiões.
  • O órgão é responsável por comandar o país de forma interina até a escolha do novo líder.
  • Junto dele, assumem o controle temporário o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei.
  • Autoridades iranianas apostam em uma rápida transição. De acordo com o ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, o novo líder supremo deve ser escolhido em “um ou dois dias”.

Como afeta Israel

No caso de Benjamin Netanyahu, o efeito pode ser outro. Diferentemente de Donald Trump, a população israelense tem uma percepção positiva sobre a invasão ao Irã, que acredita que derrotar o regime iraniano seria “cortar o mal do Oriente Médio pela raiz“.

“Um dos poucos pontos que a opinião pública concorda em Israel é que o Irã é um grande perigo para Israel, pelos financiamentos a grupos terroristas e pelo discurso hostil contra Israel”, declarou Andrew Traumann.

Netanyahu, contudo, pode ver sua relação com os Estados Unidos ser afetada pelo resultado do conflito. Washington é um aliado histórico de Israel e apoiou o país ao longo dos últimos anos em guerras e conflitos na região.

Esse apoio irrestrito, no entanto, tem sido alvo de críticas por parte da população norte-americana, que questiona todos os esforços e valores investidos para defender um aliado do outro lado do mundo.

Embora a população israelense seja unificada na decisão de suprimir o regime iraniano, a permanência de Netanyahu no poder ainda é uma dúvida. O premiê teme sofrer um impeachment e enfrenta questionamentos sobre a condução do país nos conflitos locais.

Parte dos questionamentos tem origem na guerra contra o Hamas, que não resultou no fim do grupo terrorista e na extinção da influência da organização sobre a Faixa de Gaza. Os temores da população, neste momento, são os mesmos, mas agora com um novo ator.

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