Após ataque contra Israel, Líbano proíbe atuação militar do Hezbollah
Organização terrorista do Líbano reivindicou ataques com mísseis feitos a Israel na noite de domingo (1º/3)
atualizado
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O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, condenou os ataques feitos pelo Hezbollah contra Israel na noite deste domingo (1º/3) e impôs restrições à atuação do grupo terrorista. De acordo com o governo libanês, a ação do grupo legitima ataques israelenses contra o país e “mina a credibilidade do Estado libanês”.
“O Estado libanês […] exige a proibição imediata de todas as atividades militares e de segurança do Hezbollah por serem ilegais, obrigando-o a entregar suas armas ao Estado libanês e a limitar sua atuação no campo político aos limites constitucionais e legais, de forma a consagrar a exclusividade das armas nas mãos do Estado e fortalecer sua plena soberania sobre seu território”, disse.
No comunicado, o premiê pede ainda que as agências de segurança do Estado tomem medidas para implementar as restrições “a fim de impedir qualquer operação militar ou o lançamento de mísseis ou drones a partir do território libanês”.
Neste domingo, o Hezbollah assumiu a autoria de um ataque contra uma base militar em Haifa, ao norte de Israel. As Forças de Defesa Israelenses (IDF) informaram ter interceptado projéteis na região. Segundo o órgão, não houve relatos de feridos ou danos.
Em um comunicado, o Hezbollah informou que a ofensiva ocorreu “em defesa do Líbano e de seu povo e em resposta às repetidas agressões israelenses”. O governo do país rejeitou a declaração.
A organização terrorista está sediada no Líbano e é financiada pelo regime iraniano. Após os ataques, o governo Libanês condenou a ação do grupo e afirmou que o ataque não tem qualquer relação com o governo do país e que era de “total responsabilidade do Hezbollah”.
“[O ataque] contradiz o princípio de que a decisão sobre guerra e paz é prerrogativa exclusiva do Estado libanês, e que também contradiz a rejeição de arrastar o Líbano para a guerra regional em curso, constituindo um afastamento das decisões do Conselho de Ministros e um desrespeito à vontade da maioria dos libaneses, o que mina a credibilidade do Estado libanês”, afirmou o premiê do Líbano.
Israel e Estados Unidos realizaram ataques contra Beirute, capital libanesa, com a intenção de atingir a cúpula do grupo terrorista.
EUA e Israel atacam Irã
Uma ação coordenada entre EUA e Israel realizada no sábado (28/2) resultou na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e em reações iranianas no Oriente Médio. Em retaliação, Teerã lançou ofensivas contra bases militares americanas instaladas na região.
Os ataques retaliatórios do Irã alcançaram ao menos nove países. São eles: Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Jordânia e Omã.
Os Emirados Árabes informaram três óbitos decorrentes da ofensiva iraniana, enquanto, no Kuwait, uma pessoa morreu. No Bahrein, destroços de um míssil interceptado causaram a morte de um trabalhador.
Em meio ao aumento de hostilidades no Oriente Médio, EUA e Israel realizaram um ataque coordenado contra o Líbano na manhã desta segunda-feira (02/3). O ataque ocorreu após o Hezbollah, organização terrorista do país, reivindicar um ataque contra Israel no domingo (1º/2).
Após a retaliação norte-americana, o Líbano afirma que também registrou mortes que ainda não foram contabilizadas oficialmente.
O que disse o premiê do Líbano
O Gabinete, em conformidade com a Constituição, o documento do Acordo Nacional e a declaração ministerial do governo, após rejeitar e condenar a operação de lançamento de mísseis reivindicada ontem pelo Hezbollah, que contradiz o princípio de que a decisão sobre guerra e paz é prerrogativa exclusiva do Estado libanês, e que também contradiz a rejeição de arrastar o Líbano para a guerra regional em curso, constituindo um afastamento das decisões do Conselho de Ministros e um desrespeito à vontade da maioria dos libaneses, o que mina a credibilidade do Estado libanês.
Após deliberação, o conselho decidiu:
Primeiro: o Estado libanês declara sua rejeição absoluta, sem qualquer ambiguidade ou interpretação, de quaisquer ações militares ou de segurança lançadas do território libanês fora do âmbito de suas instituições legítimas, e afirma que a decisão sobre guerra e paz está exclusivamente em suas mãos, o que exige a proibição imediata de todas as atividades militares e de segurança do Hezbollah por serem ilegais, obrigando-o a entregar suas armas ao Estado libanês e a limitar sua atuação no campo político aos limites constitucionais e legais, de forma a consagrar a exclusividade das armas nas mãos do Estado e fortalecer sua plena soberania sobre seu território.
O governo solicita a todas as agências militares e de segurança que tomem medidas imediatas para implementar o acima exposto, a fim de impedir qualquer operação militar ou o lançamento de mísseis ou drones a partir do território libanês e prender os infratores de acordo com as leis e regulamentos em vigor.
Segundo: solicitar ao comando direto do exército que implemente imediata e firmemente o plano que apresentei na sessão do Conselho de Ministros em 16/02/2026, na sua parte relativa à restrição de armas a norte do rio Litani, utilizando todos os meios que garantam a implementação deste plano.
Terceiro: com base em seu compromisso inabalável de impedir que o Líbano seja arrastado para qualquer conflito em meio à tensa situação regional, o Conselho insta os Estados garantes da Declaração de Cessação das Hostilidades a obterem um compromisso claro e definitivo do lado israelense de cessar todos os ataques em todo o território libanês, reafirmando, ao mesmo tempo, o compromisso pleno e definitivo do Líbano com todas as disposições da Declaração e com a preservação da paz e da estabilidade. O Conselho declara sua plena disposição de retomar as negociações sobre esta matéria com a participação da sociedade civil e sob os auspícios internacionais.
Quarto: solicitar ao Ministério das Relações Exteriores e dos Expatriados que intensifique os contatos diplomáticos com a comunidade internacional e com os países irmãos e amigos para pôr fim à agressão israelense e implementar as resoluções internacionais pertinentes.
Quinto: solicitar ao Ministério dos Assuntos Sociais que assegure abrigo aos deslocados e lhes forneça alimentos e suprimentos essenciais, em cooperação com os ministérios competentes, a Comissão Superior de Assistência, o Conselho para o Desenvolvimento e a Reconstrução, o Conselho do Sul e a Unidade de Gestão de Riscos de Desastres e Crises da Presidência do Conselho de Ministros.
