Guerra no Irã expõe crise entre Estados Unidos e Otan

Donald Trump falou em retirar os EUA da Otan após aliados da Europa recusarem apoio na tentativa de reabrir o Estreito de Ormuz

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação/Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)
Imagem colorida mostra chefes de Estado da Otan - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra chefes de Estado da Otan - Metrópoles - Foto: Divulgação/Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)

A guerra no Irã, que já dura 19 dias, voltou a expor tensões entre os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), iniciadas antes mesmo de Donald Trump reassumir a presidência em janeiro de 2025.

O líder norte-americano voltou a falar em tirar o país que comanda da aliança militar, criada no contexto da Guerra Fria para conter a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), após falta de apoio da Europa no conflito com o Irã.

Devido à crise no Estreito de Ormuz, fechado por forças iranianas desde o início da guerra no Oriente Médio, o presidente dos EUA pediu ajuda de aliados para tentar desbloquear o local — por onde circulam cerca de 20% de toda produção mundial de petróleo. O chamado, porém, não foi atendido por nenhum dos 32 membros da Otan, e deixou Trump insatisfeito.

Durante uma reunião com o primeiro-ministro da Irlanda na Casa Branca, na terça-feira (17/3), o líder norte-americano foi questionado se a relutância da Otan poderia fazer os EUA repensar a relação com a aliança, incluindo uma possível retirada.

“Certamente é algo sobre o que devemos pensar”, respondeu Trump. “Não preciso do Congresso para essa decisão. Como vocês provavelmente sabem, eu posso tomar essa decisão sozinho”.

Estreito de Ormuz como foco da tensão

  • A guerra entre EUA, Israel e Irã não afeta apenas o Oriente Médio, onde bases norte-americanas têm sido atacadas em diversos países da região.
  • A principal consequência global do conflito diz respeito ao Estreito de Ormuz, por onde cerca de 20% do petróleo produzido mundialmente é escoado. 
  • Desde o início da guerra, o Irã, que controla o local, decidiu bloquear a passagem de navios petroleiros que buscam entrar ou saiar do estreito. 
  • Com a medida, o preço do petróleo disparou, e já é comercializado acima da casa dos US$ 100 dólares por barril do tipo brent. 
  • Segundo o governo iraniano, Ormuz está bloqueado para todos países que apoiam EUA e Israel no conflito. 
  • Por conta da situação, Trump pediu ajuda de aliados para reabrir a passagem e garantir o comércio de petróleo. O pedido, porém, foi negado por países da Otan.
  • A Índia chegou a negociar com o Irã, e teve sinal verde para a passagem de petroleiros no estreito. O governo do Iraque anunciou que também mantém discussões com a administração iraniana neste sentido.

Ameaça antiga

Durante a corrida presidencial de 2024, Trump afirmou que poderia encorajar a Rússia a atacar aliados da Otan que não cumprissem metas relacionadas a gastos mínimos com defesa.

Logo após vencer Joe Biden nas eleições de 2024, Trump fez ameaças que abalaram o futuro da Otan. Por conta da insatisfação com o valor que os países parceiros gastavam em segurança, o líder norte-americano afirmou que cogitava tirar os EUA da aliança caso países não pagassem “suas contas”.

Na época, o presidente dos EUA alegou que seu país gastava muito com a aliança em relação a outros membros da Otan.

Meses depois, os 32 países da Otan concordaram em aumentar seus gastos mínimos em defesa de 2% para 5% do PIB.

Guerra no Irã expõe crise entre Estados Unidos e Otan - destaque galeria
15 imagens
Otan é a sigla para Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma aliança militar intergovernamental criada em 4 de abril de 1949, após o fim da Segunda Guerra Mundial
Os países signatários do tratado, na época, eram a Bélgica, França, Noruega, Canadá, Islândia, Países Baixos, Dinamarca, Portugal, Itália, Estados Unidos, Luxemburgo e Reino Unido
Quando criada, reunia países ocidentais e capitalistas, liderados no contexto da bipolaridade formada entre os Estados Unidos (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), no período da Guerra Fria
A Otan tinha por objetivos impedir o avanço do bloco socialista no continente europeu, fazendo frente à URSS e a seus aliados da Europa Oriental, além de fornecer ajuda mútua a todos os países-membros
A aliança era baseada em três pilares: a defesa coletiva dos Estados-membros, impedir o revigoramento do militarismo nacionalista na Europa, e encorajar a integração política europeia
Guerra no Irã expõe crise entre Estados Unidos e Otan - imagem 1
1 de 15

Divulgação/Otan
Otan é a sigla para Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma aliança militar intergovernamental criada em 4 de abril de 1949, após o fim da Segunda Guerra Mundial
2 de 15

Otan é a sigla para Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma aliança militar intergovernamental criada em 4 de abril de 1949, após o fim da Segunda Guerra Mundial

Getty Images
Os países signatários do tratado, na época, eram a Bélgica, França, Noruega, Canadá, Islândia, Países Baixos, Dinamarca, Portugal, Itália, Estados Unidos, Luxemburgo e Reino Unido
3 de 15

Os países signatários do tratado, na época, eram a Bélgica, França, Noruega, Canadá, Islândia, Países Baixos, Dinamarca, Portugal, Itália, Estados Unidos, Luxemburgo e Reino Unido

Otan
Quando criada, reunia países ocidentais e capitalistas, liderados no contexto da bipolaridade formada entre os Estados Unidos (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), no período da Guerra Fria
4 de 15

Quando criada, reunia países ocidentais e capitalistas, liderados no contexto da bipolaridade formada entre os Estados Unidos (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), no período da Guerra Fria

Dirck Halstead/Getty Images
A Otan tinha por objetivos impedir o avanço do bloco socialista no continente europeu, fazendo frente à URSS e a seus aliados da Europa Oriental, além de fornecer ajuda mútua a todos os países-membros
5 de 15

A Otan tinha por objetivos impedir o avanço do bloco socialista no continente europeu, fazendo frente à URSS e a seus aliados da Europa Oriental, além de fornecer ajuda mútua a todos os países-membros

Keystone/Getty Images
A aliança era baseada em três pilares: a defesa coletiva dos Estados-membros, impedir o revigoramento do militarismo nacionalista na Europa, e encorajar a integração política europeia
6 de 15

A aliança era baseada em três pilares: a defesa coletiva dos Estados-membros, impedir o revigoramento do militarismo nacionalista na Europa, e encorajar a integração política europeia

Getty Images
O período de bipolaridade entre EUA e URSS dividiu o mundo. Os dois países e seus respectivos aliados mantinham-se em alerta para eventuais ataques bélicos
7 de 15

O período de bipolaridade entre EUA e URSS dividiu o mundo. Os dois países e seus respectivos aliados mantinham-se em alerta para eventuais ataques bélicos

Getty Images
A Otan investiu em tecnologia de defesa, na produção de armas estratégicas e também espalhou pelas fronteiras soviéticas sistemas de defesa antimísseis
8 de 15

A Otan investiu em tecnologia de defesa, na produção de armas estratégicas e também espalhou pelas fronteiras soviéticas sistemas de defesa antimísseis

DavidLees/Getty Images
Na fase final da Guerra Fria, a organização passou a assumir novos papéis. Em 1990, sob ordem do Conselho de Segurança da ONU, a Otan interveio no conflito da ex-Iugoslávia. Foi a primeira vez que agiu em território de um Estado não membro
9 de 15

Na fase final da Guerra Fria, a organização passou a assumir novos papéis. Em 1990, sob ordem do Conselho de Segurança da ONU, a Otan interveio no conflito da ex-Iugoslávia. Foi a primeira vez que agiu em território de um Estado não membro

Getty Images
Em 2001, a Otan anunciou a aplicação do princípio da segurança coletiva: um ataque feito a um país membro seria um ataque contra todos os demais
10 de 15

Em 2001, a Otan anunciou a aplicação do princípio da segurança coletiva: um ataque feito a um país membro seria um ataque contra todos os demais

Getty Images
Como os ataques terroristas ocorridos em setembro de 2001 foram considerados atos de guerra pelo governo norte-americano, a cláusula foi acionada. Por esse motivo, a organização participou da invasão ao Afeganistão
11 de 15

Como os ataques terroristas ocorridos em setembro de 2001 foram considerados atos de guerra pelo governo norte-americano, a cláusula foi acionada. Por esse motivo, a organização participou da invasão ao Afeganistão

Scott Nelson/Getty Images
Além de ver o terrorismo como nova ameaça, a Otan colaborou com operações de paz e realizou ajuda humanitária, como aos sobreviventes do furacão Katrina, em 2005
12 de 15

Além de ver o terrorismo como nova ameaça, a Otan colaborou com operações de paz e realizou ajuda humanitária, como aos sobreviventes do furacão Katrina, em 2005

Getty Images
Soldados da Otan também realizaram operações militares em zonas conflituosas do mundo, como o Bálcãs, o Oriente Médio e o norte da África
13 de 15

Soldados da Otan também realizaram operações militares em zonas conflituosas do mundo, como o Bálcãs, o Oriente Médio e o norte da África

Getty Images
Atualmente, a aliança é composta por 32 países, localizados principalmente na Europa
14 de 15

Atualmente, a aliança é composta por 32 países, localizados principalmente na Europa

Getty Images
Bósnia e Herzegovina, Geórgia e Ucrânia são os três países classificados como “membros aspirantes” à organização. Porém, para a Rússia, a perspectiva da antiga república soviética Ucrânia se juntar à Otan é impensável
15 de 15

Bósnia e Herzegovina, Geórgia e Ucrânia são os três países classificados como “membros aspirantes” à organização. Porém, para a Rússia, a perspectiva da antiga república soviética Ucrânia se juntar à Otan é impensável

Getty Images

Groenlândia

Apesar do compromisso de aliados em gastar mais para defender a aliança, EUA e Otan voltaram a entrar em rota de colisão no início deste ano. Em janeiro, Trump retomou ameaças antigas, iniciadas no seu primeiro mandato como presidente, sobre uma possível anexação da Groenlândia de um “jeito fácil ou difícil”.

Uma atitude que, de acordo com o mandatário norte-americano, buscava proteger os interesses dos EUA. Entre eles, impedir a presença militar de rivais, como a Rússia e China, na região do Ártico.

As declarações, porém, não foram bem recebidas pela Otan, já que a Groenlândia é uma ilha autônoma localizada no território de um dos 32 membros da organização: a Dinamarca.

Além do governo dinamarquês, diversos países europeus que integram a Otan se mostraram prontos para acionar o artigo 5º da aliança militar. Nele está previsto que todos os membros da organização devem defender aliados que sejam atacados.

Diante do cenário, e das ameaças de ações militares contra a ilha, a premiê da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou que um possível ataque dos EUA contra outro país da Otan significaria o fim da aliança.

O impasse relacionado a Groenlândia, contudo, foi solucionado durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Depois de se reunir com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, Trump veio a público anunciar a estrutura para um acordo relacionado a ilha. Nele, informou o republicano, os EUA teriam “acesso total” à Groenlândia.

Os detalhes do pacto não foram anunciados, mas a expectativa é de que as negociações envolvam um aumento da presença militar dos EUA na ilha, além acesso a minerais de terras raras e a possível criação de um “escudo” contra possíveis mísseis disparados por Rússia e China em direção ao território norte-americano.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?