Pressão do Irã faz Trump pedir ajuda de aliados da Europa
Trump pressiona aliados da Europa a ajudarem os EUA em uma missão para reabrir o Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã
atualizado
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A tática do Irã de estrangular o setor petrolífero mundial com o fechamento do Estreito de Ormuz forçou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a buscar ajuda de aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) — além de criar um novo ponto de tensão entre o presidente norte-americano e a aliança militar.
Crise em Ormuz
- O Estreito de Ormuz está localizado entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico. Por lá transitam cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.
- Por conta dos ataques dos EUA e Israel, o Irã, que controla a passagem, decidiu bloquear o local.
- Desde então, navios petroleiros que transportam o combustível produzido em países da Golfo estão impedidos de navegar na região.
- Após 17 dias, o governo iraniano informou que o Estreito de Ormuz funciona sob “condições especiais”, e revelou que navios de alguns países já foram autorizados a transitar pela região.
- Há relatos de que navios indianos cruzaram o estreito no último fim de semana. Anteriormente, o país persa afirmou que Ormuz estava aberto para todos, exceto para os EUA e seus aliados.
- O bloqueio resultou em uma crise no setor petrolífero. O preço do barril tipo brent, usado como referência internacional, disparou e já ultrapassa a casa dos US$ 100.
- Nas últimas semanas Trump afirmou que os EUA começariam a escoltar embarcações no local. Os planos, contudo, não avançaram.
No último sábado (14/3), o líder dos EUA fez um chamado global, e pediu que países afetados pelo fechamento de Ormuz — por onde cerca de 20% do comércio mundial de petróleo passa — enviassem navios de guerra para manter o local aberto. Trump citou nominalmente China, França, Japão e Coreia do Sul como nações das quais esperava suporte.
“Muitos países, especialmente aqueles afetados pela tentativa do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, enviarão navios de guerra, em conjunto com os Estados Unidos da América, para manter o estreito aberto e seguro”, escreveu o presidente dos EUA em uma publicação na rede social Truth.
Um dia depois, Trump se dirigiu diretamente aos aliados da Otan, e afirmou que a aliança poderá ter um “futuro muito ruim” caso seu pedido não seja atendido.
“Se não houver resposta ou se for uma resposta negativa, acho que será muito ruim para o futuro da Otan”, declarou o mandatário norte-americano em entrevista ao jornal Financial Times.
Reação Europeia
Apesar das ameaças sobre o futuro da aliança militar — mais uma de Trump desde que reassumiu a Casa Branca em janeiro de 2025 —, a resposta europeia não foi a esperada pelo presidente dos EUA.
Depois do pedido do líder norte-americano, o Conselho de Relações Exteriores da União Europeia (UE) se reuniu para discutir a situação.
Segundo a chefe da diplomacia do bloco, a ideia de enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz foi rejeitada pela maioria dos membros da UE. Isso porque, informou, Kaja Kallas “esta não é uma guerra da Europa”.
“Esta não é uma guerra da Europa, esta é uma situação regional”, disse Kallas após o encontro de chanceleres da UE. “Como eu disse, ninguém quer entrar ativamente nesta guerra. E, claro, todos estão preocupados com o resultado”.
Antes da reunião da UR, alguns governos europeus, como da Itália, Grécia, Espanha e Alemanha, já havia se recusado publicamente a aderir a missão.
O posicionamento mais firme veio da Alemanha, por meio do porta-voz do governo local, Stefan Kornelius.
“A Otan é uma aliança para a defesa do território de seus membros e, na situação atual, não existe mandato para mobilizar a Otan”, disse Kornelius.
Enquanto isso, o governo do Reino Unido se mostrou indeciso sobre dar suporte à ideia de Trump. Segundo o premiê do país, Keir Starmer, países da Europa discutem um “plano coletivo viável” para a reabertura do Estreito de Ormuz, mas não confirmou ou negou se poderá enviar navios de guerra para o Oriente Médio.
Até o momento a liderança da Otan ainda não se pronunciou sobre o pedido do presidente dos EUA.
Decepção
Diante da falta de apoio, Trump se mostrou decepcionado com aliados europeus que foram contrários a sua ideia de enviar uma missão militar para o local.
“Durante 40 anos estamos protegendo eles, e agora eles não querem se envolver em algo que é muito menor?”, disse o presidente dos EUA se referindo aos membros da Otan.
Apesar disso, Trump alegou que alguns países se mostraram prontos para apoiar Washington com o envio de ativos militares para as águas de Ormuz. O mandatário norte-americano, porém, não revelou quais nações poderiam estar envolvidas nos planos, nem deu provas concretas sobre sua declaração.





















