França: “Mau negócio”, diz Macron sobre acordo entre UE e Mercosul

De acordo com o presidente da França, Emmanuel Macron, acordo é antigo e mal negociado. Ele defende a preferência europeia

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Em entrevista a jornais franceses nesta terça-feira (10/2), o presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a criticar o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, ao afirmar é um “mau negócio”.

Ao ser questionado sobre a possibilidade, Macron declarou que o acordo é antigo e mal negociado. “Em qualquer caso, o Mercosul não terá o impacto dramático na nossa agricultura que alguns temem, nem o impacto positivo no nosso crescimento que outros imaginam”, disse ele.

Macron aponta que a Europa enfrente um “enorme” desafio e defende investimentos da UE na transição ecológica, inteligência artificial e tecnologia quântica, por meio de dívida comum.

Empréstimo conjunto

O presidente da França defendeu que a União Europeia (UE) tenha um mecanismo de dívida comum, por exemplo, por meio de eurobônus, o que permitiria à UE investir em grande escala e desafiar a hegemonia do dólar americano.

“Agora é o momento de lançar uma capacidade conjunta de empréstimo para essas despesas futuras, por meio de eurobônus orientados para o futuro”, declarou ele.

Macron acredita que a Europa precisa proteger melhor suas próprias indústrias. O líder francês alega uma “preferência europeia” em setores estratégicos, caso contrário os europeus “serão varridos pela correnteza”.

As declarações ocorrem antes da reunião dos chefes de Estado e de governo europeus, marcada para quinta-feira (12), em Bruxelas, para discutir a competitividade.

Negociação histórica

Em negociação há mais 25 anos, o tratado Mercosul-UE consiste no livre comércio entre os dois blocos, incluindo o setor do agronegócio e da indústria. Entre os principais pontos do tratado estão previstas reduções em taxas de importação e exportação.

Macron contesta o tratado Mercosul-UE e não admite que a França o assine por considerar que a França tem um potencial poderoso no setor agrícola e que, se o acordo for seguido como previsto, os produtos agrícolas sul-americanos poderiam “dominar” o mercado europeu.

Segundo Macron, isso ocasionaria na perda de lucro nacional da França com os fazendeiros, que não conseguiria competir com o potencial de produção brasileiro e outros países da América do Sul.

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