Ex-presidente de Cuba, Raúl Castro é acusado criminalmente nos EUA
Castro é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um crime de conspiração para matar cidadãos americanos
atualizado
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Raúl Castro, ex-presidente de Cuba, foi acusado criminalmente nos Estados Unidos (EUA) nesta quarta-feira (20/5) segundo informações divulgadas pela agência Reuters.
Castro, de 94 anos, foi ministro da Defesa de Cuba antes de assumir a Presidência em 2008, após o afastamento por motivos de saúde de seu irmão, Fidel Castro. Ele deixou o cargo em 2018, dois anos após a morte de Fidel, mas segue sendo uma figura influente dentro do sistema político cubano.
De acordo com os autos, o ex-presidente é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um crime de conspiração para matar cidadãos americanos.
Outras cinco pessoas também são citadas como rés em uma moção dos EUA para tornar pública a acusação contra Castro.
A medida ocorre em meio ao aumento da pressão do governo do presidente Donald Trump sobre Cuba e ao discurso de mudança de regime na ilha. Historicamente, acusações formais feitas pelos EUA contra líderes estrangeiros são incomuns.
“Os Estados Unidos não tolerarão um estado pária que abrigue operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 145 quilômetros do território americano”, disse Trump em um comunicado divulgado na quarta.
Nos últimos meses, Washington endureceu as sanções contra Havana e passou a ameaçar países que fornecem combustível ao governo cubano. A medida agravou a crise energética na ilha, provocando apagões e ampliando a pior crise econômica enfrentada pelo país em décadas.
O governo cubano ainda não comentou diretamente a acusação. O chanceler Bruno Rodríguez Parrilla, porém, afirmou que o país não mudará sua posição diante das pressões americanas.
“Apesar do embargo, das sanções e das ameaças de uso da força, Cuba continua em um caminho de soberania rumo ao seu desenvolvimento socialista”, declarou Rodríguez.
Acusação estaria relacionada a aviões abatidos
As acusações contra Raúl Castro devem estar ligadas ao episódio de 1996, quando aviões militares cubanos derrubaram aeronaves operadas por um grupo de exilados cubanos, segundo informações repassadas à Reuters por um integrante do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sob condição de anonimato.
As aeronaves pertenciam ao grupo Brothers to the Rescue (“Irmãos ao Resgate”), formado por cubanos anticastristas exilados nos EUA. Os quatro tripulantes morreram, três deles cidadãos americanos.
O escritório do procurador federal em Miami anunciou um evento previsto para esta quarta-feira (20/5), às 14h (horário de Brasília), em homenagem às vítimas do caso. O Departamento de Justiça dos EUA também informou que fará um anúncio oficial relacionado à cerimônia, mas sem antecipar detalhes.
Troca de críticas entre autoridades de EUA e Cuba
Horas antes, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, divulgou uma mensagem em vídeo direcionada ao povo cubano, na qual afirmou desejar construir uma “nova relação” entre os dois países. Filho de imigrantes cubanos, Rubio declarou que a Casa Branca estaria disposta a oferecer US$ 100 milhões em ajuda humanitária à ilha.
Falando em espanhol, o secretário afirmou que alimentos e medicamentos deveriam ser distribuídos pela Igreja Católica ou por organizações de caridade consideradas confiáveis. Rubio também responsabilizou o governo cubano pela crise enfrentada no país, marcada por escassez de combustível, alimentos e frequentes apagões.
Em resposta, o chanceler cubano Bruno Rodríguez chamou Rubio de “porta-voz de interesses corruptos e vingativos”, mas não descartou uma eventual aceitação da ajuda financeira oferecida pelos Estados Unidos.
“Ele continua falando sobre um pacote de ajuda de 100 milhões de dólares que Cuba não rejeitou, mas cujo cinismo é evidente diante do efeito devastador do bloqueio econômico e do estrangulamento energético”, escreveu Rodríguez em publicação nas redes sociais.
Raúl Castro e tensão entre Cuba e EUA
Nascido em 1931, Raúl Castro foi uma das principais figuras da revolução cubana ao lado de seu irmão mais velho, Fidel Castro, participando da guerrilha que derrubou o então presidente Fulgencio Batista, apoiado pelos EUA.
Anos depois, Raúl também teve papel importante na derrota da invasão da Baía dos Porcos, operação organizada pelos Estados Unidos em 1961 para tentar derrubar o governo revolucionário cubano.
A abertura de um processo criminal contra Castro lembra o caso do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusado pelos EUA por crimes ligados ao narcotráfico e atualmente preso em Nova York após ser capturado durante uma operação militar americana em Caracas.
O governo de Trump usou as acusações contra Maduro como justificativa para a incursão militar realizada em janeiro deste ano na Venezuela. Agora, a acusação contra Raúl Castro é vista como mais um capítulo da escalada de pressão americana sobre Cuba.
Trump afirma que o governo cubano é corrupto e, em março, chegou a declarar que “Cuba será a próxima” após a ofensiva contra a Venezuela. Nos últimos meses, Washington endureceu sanções econômicas e ampliou o bloqueio energético contra a ilha.
Diante da crescente tensão, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou nesta semana que qualquer ação militar americana contra Cuba provocaria um “banho de sangue” e insistiu que a ilha “não representa ameaça” aos Estados Unidos







