Presidente de Cuba diz sobre ação militar dos EUA: “Banho de sangue”
O cubano garantiu que a ilha não representa uma ameaça e que ataques americanos teriam consequências incalculáveis para a paz
atualizado
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O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta segunda-feira (18/5) que uma eventual ação militar dos Estados Unidos contra a ilha poderia provocar um “banho de sangue”.
Em publicação feita na rede social X, Díaz-Canel declarou que Cuba “não representa uma ameaça” e afirmou que qualquer ataque americano teria consequências “incalculáveis” para a paz e a estabilidade da região.
“As ameaças de agressão militar contra Cuba pela maior potência do planeta são conhecidas. Já a ameaça em si constitui um crime internacional. Se materializada, provocará um banho de sangue de consequências incalculáveis, mais o impacto destrutivo para a paz e a estabilidade regional. Cuba não representa uma ameaça, nem tem planos ou intenções agressivas contra qualquer país. Não os tem contra os EUA, nem os teve nunca”, escreveu.
O presidente também reforçou que o governo cubano não possui planos agressivos contra outros países. “Cuba não representa uma ameaça, nem tem planos ou intenções agressivas contra qualquer país. Não os tem contra os EUA, nem os teve nunca”, acrescentou.
As declarações ocorreram após uma reportagem do site americano Axios afirmar que Cuba teria adquirido mais de 300 drones militares e discutido possíveis planos para utilizá-los em ataques contra a base naval americana de Guantánamo Bay Naval Base, embarcações militares dos EUA e a cidade de Key West.
O governo cubano negou as informações e acusou os Estados Unidos de tentarem criar uma justificativa para uma eventual intervenção militar.
“Cuba, que já sofre uma agressão multidimensional dos EUA, tem sim o direito absoluto e legítimo de se defender de um ataque bélico, o que não pode ser brandido com lógica nem honestidade como desculpa para impor uma guerra contra o nobre povo cubano”, acrescentou Díaz-Canel.
Las amenazas de agresión militar contra Cuba de la mayor potencia del planeta son conocidas.
Ya la amenaza constituye un crimen internacional. De materializarse, provocará un baño de sangre de consecuencias incalculables, más el impacto destructivo para la paz y la estabilidad…
— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) May 18, 2026
Cuba teria discutido ataques com drones contra os Estados Unidos
De acordo com o site norte-americano Axios, desde 2023 o governo de Cuba teria adquirido mais de 300 drones militares de aliados como Rússia e Irã, armazenando os equipamentos em pontos estratégicos da ilha para eventuais ações contra alvos dos Estados Unidos.
Após a repercussão da reportagem, o chanceler cubano Bruno Rodríguez negou que Havana esteja planejando ataques e acusou os Estados Unidos de criarem um “caso fraudulento” para justificar novas sanções econômicas e até uma possível intervenção militar contra a ilha.
“Cuba não ameaça nem deseja guerra”, afirmou Rodríguez em publicação nas redes sociais. Segundo ele, o país apenas se prepara para enfrentar possíveis agressões externas dentro do direito de legítima defesa previsto pela Carta da ONU.
Bruno Rodríguez, porém, não comentou diretamente as alegações sobre o aumento da compra de drones militares.
A troca de acusações acontece em meio à escalada da tensão entre Washington e Havana.
De acordo com informações, os EUA devem formalizar nesta semana acusações contra o ex-líder cubano Raúl Castro relacionadas ao episódio de 1996 em que dois aviões operados pelo grupo humanitário Brothers to the Rescue foram abatidos por Cuba.
O clima entre os dois países já vinha deteriorado desde o início do ano, quando o presidente americano Donald Trump afirmou que “Cuba será a próxima” após a operação americana que resultou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Na semana passada, o diretor da CIA, John Ratcliffe, realizou uma visita incomum a Havana e se reuniu com autoridades cubanas, incluindo familiares ligados ao círculo de Raúl Castro. Segundo autoridades americanas, Ratcliffe alertou que Cuba “não pode continuar servindo como plataforma para interesses hostis” no hemisfério ocidental.






