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EUA esvazia embaixadas e eleva risco de ataque ao Irã

Retirada de diplomatas, impasse nuclear e reforço militar dos EUA elevam temor de escalada e possível confronto com o Irã no Oriente Médio

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Ameaça dos EUA ao Irã aumenta risco regional e impacto no petróleo
1 de 1 Ameaça dos EUA ao Irã aumenta risco regional e impacto no petróleo - Foto: Arte Metrópoles/Carla Sena

A tensão entre Estados Unidos e Irã volta a ganhar contornos cada vez mais concretos no tabuleiro geopolítico. Mesmo em meio a rodadas de negociação nuclear, Washington passou a emitir alertas de segurança e a reduzir a presença diplomática em pontos sensíveis do Oriente Médio.

A manobra do governo dos EUA parece antecipar preocupações reais com o agravamento do conflito e a possibilidade de uma ação militar contra Teerã.

Retirada em Israel

O Departamento de Estado autorizou, na sexta-feira (27/2), a saída de funcionários não essenciais do governo norte-americano e de seus familiares da missão dos EUA em Israel, citando riscos crescentes de segurança diante do aumento das tensões regionais envolvendo o Irã.

Em comunicado atualizado pela embaixada em Jerusalém, o governo informou que a medida foi adotada “devido a riscos de segurança” e que novas restrições podem ser impostas sem aviso prévio em áreas como a Cidade Velha de Jerusalém e a Cisjordânia.

A recomendação também orienta que cidadãos considerem deixar Israel enquanto ainda houver voos comerciais disponíveis — um indicativo de que Washington trabalha com cenários de deterioração rápida do ambiente de segurança.

A embaixada continuará funcionando com equipe essencial, incluindo diplomatas responsáveis por assistência consular, segurança e assuntos políticos.

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Ali Khamenei, Trump e Netanyahu
EUA: Trump quer Rússia no G7 e diz que Putin busca paz na Ucrânia
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Negociações sem acordo e pressão crescente

  • A decisão ocorre após o encerramento de mais uma rodada de negociações entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano, sem avanços significativos.
  • Embora mediadores tenham sinalizado “progressos técnicos”, os principais impasses permanecem: o nível de enriquecimento de urânio permitido ao Irã, o levantamento de sanções econômicas e as exigências americanas relacionadas ao programa de mísseis balísticos iranianos.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que prefere uma solução diplomática, mas declarou não estar satisfeito com o andamento das negociações.
  • Segundo ele, “o Irã não pode ter armas nucleares”, deixando aberta a possibilidade de medidas mais duras caso não haja um entendimento.
  • Do lado iraniano, autoridades insistem que o programa nuclear tem fins pacíficos e alertam que qualquer ataque resultaria em uma resposta ampla contra interesses americanos na região.

Beirute em alerta

Antes do alerta a Israel, a redução de pessoal não essencial também alcançou a embaixada dos Estados Unidos em Beirute, no Líbano. Um posto diplomático historicamente sensível nas relações entre Washington e Teerã.

Autoridades norte-americanas confirmaram a retirada temporária de dezenas de funcionários e familiares, mantendo o mesmo “modus operandi”, apenas equipe considerada essencial para o funcionamento da missão.

O Líbano ocupa posição estratégica nesse tabuleiro. O país abriga o Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo Irã e considerado organização terrorista pelos EUA.

Em cenários de escalada militar, o território libanês pode se tornar uma frente indireta de retaliação contra interesses americanos ou israelenses.

A embaixada dos EUA em Beirute já foi alvo de ataques no passado, em episódios que marcaram profundamente a presença norte-americana na região. Por isso, mudanças no quadro diplomático no país costumam ser interpretadas como indicativo de preocupação concreta com a segurança ou de preparação para possíveis desdobramentos militares.

Segundo o Departamento de Estado, a medida é preventiva e não significa o fechamento da missão, que permanece operacional com pessoal essencial.

Paralelamente às medidas diplomáticas, os Estados Unidos intensificaram a presença militar no Oriente Médio — o maior reforço em décadas. Entre os ativos deslocados está o porta-aviões USS Gerald R. Ford, acompanhado por destróieres, aeronaves e milhares de militares.

O aumento da presença militar ocorre enquanto o principal comandante das forças norte-americanas no Oriente Médio apresenta opções estratégicas à Casa Branca, indicando que a decisão sobre os próximos passos pode estar próxima.

Distribuição de bases e tropas dos EUA no Oriente Médio ajuda a explicar os riscos de uma escalada após novas ameaças de Washington a Teerã

 Risco de conflito regional

Autoridades iranianas já advertiram que bases norte-americanas espalhadas pelo Oriente Médio estariam ao alcance de seus mísseis em caso de ataque. Há também o temor de que aliados regionais de Teerã possam ser acionados, ampliando o confronto para múltiplas frentes e envolvendo Israel de forma direta.

Instalações diplomáticas norte-americanas são historicamente vistas como alvos sensíveis em momentos de escalada, ajudando a explicar a retirada preventiva de pessoal não essencial. Medidas semelhantes foram adotadas antes de ações militares anteriores na região.

Apesar da movimentação militar e dos alertas de segurança, canais diplomáticos permanecem abertos. Novas rodadas técnicas estão previstas para os próximos dias em Viena, Áustria.

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