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Mundo

Embaixador da Nicarágua na OEA se amotina e chama governo de ditadura

Arturo McFields acusou o governo de Daniel Ortega de reprimir a oposição política e tolher a liberdade de expressão

Maria Regina Mouta23/03/2022 19:16
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Presidência da Nicarágua/Cesar Perez/Handout via Reuters
foto do presidente da Nicarágua batendo continência. Ele veste um casaco azul e usa um boné da mesma cor

Embaixador da Nicarágua na Organização dos Estados Americanos (OEA), Arturo McFields rompeu com o governo de Daniel Ortega nesta quarta-feira (23/3) e afirmou que há uma ditadura em seu país, e que lá “não há partidos políticos independentes, liberdade de expressão ou eleições críveis”.

Após as declarações feitas por McFields, a Chancelaria da Nicarágua declarou que “desconhece o diplomata”. Arturo se pronunciou em um vídeo publicado por ele mesmo em uma rede social.

Na gravação, o embaixador falou em nome de mais de 300 pessoas que morreram no país desde o início dos protestos contra Daniel Ortega, em 2018. Além disso, ele se posicionou a favor de prisioneiros políticos.

“Denunciar a ditadura do meu país não é fácil, mas continuar em silêncio e defender o indefensável é impossível”, destacou ele.

Arturo também mencionou o fechamento de organizações não governamentais (ONGs) e a censura à imprensa na Nicarágua.

O governo nicaraguense se manifestou dizendo que os oponentes de Ortega tentam tirá-lo do poder com a ajuda de grupos estrangeiros e que as afirmações de McFields são inválidas.

Em novembro de 2021, Ortega se reelegeu para o quarto mandato em eleições de fachada, após deter sete opositores e organizar uma grande campanha policial contra o direito de expressão. Pouco tempo depois, ele pediu o início do processo de retirada da Nicarágua da OEA, o que leva cerca de dois anos.

Dias após o resultado das eleições, Arturo McFields, o primeiro homem negro a representar a Nicarágua na OEA, assumiu o cargo de embaixador. Ele é ex-jornalista do jornal La Prensa e da TV estatal Canal 12.

Desde 2018, a Nicarágua se tornou o único país da América Central onde não há mais jornais impressos.