Em meio à tensão no Caribe, secretário de Defesa dos EUA viaja a Cuba
Pete Hegseth chegou a Cuba nesta quarta-feira (10/6), em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Havana e Washington
atualizado
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O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth (foto em destaque), embarcou nesta quarta-feira (10/6) para uma visita à base naval norte-americana da Baía de Guantánamo, em Cuba. A viagem ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Havana e foi anunciada oficialmente pelo Pentágono.
Após a passagem por Guantánamo, Hegseth também seguirá para Tampa, na Flórida, onde visitará a sede do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom).
O órgão é responsável pela coordenação das operações militares norte-americanas no Oriente Médio, incluindo as ações relacionadas ao conflito envolvendo Irã, Israel e forças aliadas na região.
A visita ocorre em um momento de crescente deterioração das relações entre Estados Unidos e Cuba. Nos últimos meses, integrantes do governo do presidente Donald Trump intensificaram críticas ao regime cubano e passaram a defender publicamente mudanças políticas na ilha.
Em declarações recentes, Trump e membros de sua administração afirmaram que uma mudança de regime seria necessária para garantir maior abertura política e econômica em Cuba.
O presidente norte-americano chegou a sugerir que os Estados Unidos poderiam assumir um papel mais ativo no futuro do país, aumentando a preocupação das autoridades cubanas.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou enxergar três possíveis caminhos que estariam sendo considerados por Washington para pressionar Havana: estimular episódios de instabilidade social, promover negociações sob forte pressão econômica para ampliar a influência norte-americana sobre setores estratégicos da economia cubana ou, em um cenário mais extremo, apoiar uma escalada militar.
As declarações refletem o clima de desconfiança entre os dois governos e surgem em um contexto marcado por sanções econômicas, disputas diplomáticas e divergências sobre o modelo político adotado pela ilha caribenha.
A presença do chefe do Pentágono em Guantánamo, território controlado pelos Estados Unidos em Cuba desde o início do século 20, tende a ampliar as tensões em um momento de forte instabilidade geopolítica no continente e no Oriente Médio.
Trump fala sobre “libertação de Cuba”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o governo dele está “libertando Cuba” e afirmou não saber “o que acontecerá depois” com a ilha.
As declarações foram feitas após o Departamento de Justiça dos EUA formalizar acusações criminais contra o ex-presidente cubano Raúl Castro.
Segundo autoridades norte-americanas, a denúncia está relacionada ao episódio ocorrido em 1996, quando caças da Força Aérea Cubana derrubaram duas aeronaves civis operadas pelo grupo Brothers to the Rescue (“Irmãos ao Resgate”), formado por exilados cubanos contrários ao regime de Havana.
As quatro pessoas que estavam a bordo morreram no incidente, incluindo três cidadãos norte-americanos. De acordo com informações repassadas à agência Reuters por uma fonte ligada ao Departamento de Justiça, os promotores consideram que Raúl Castro teve participação nas decisões que levaram à ação militar.
O governo cubano sempre sustentou que as aeronaves haviam violado repetidamente o espaço aéreo do país, enquanto os Estados Unidos classificaram a derrubada como um ataque ilegal contra civis.
O episódio provocou uma das maiores crises diplomáticas entre os dois países após o fim da Guerra Fria e levou Washington a endurecer ainda mais as sanções contra Havana.
A nova ofensiva judicial contra Raúl Castro e as declarações de Trump reforçam o clima de confronto entre os governos dos dois países, em um momento em que autoridades cubanas manifestam preocupação com possíveis medidas mais agressivas por parte da administração norte-americana.







