Eleições Peru: Fujimori alcança votos suficientes para vencer disputa
Candidata da direita aguarda anúncio oficial dos resultados, mas o Roberto Sánchez já disse que não reconhecerá resultado

A candidata de direita Keiko Fujimori alcançou uma margem suficiente para vencer o segundo turno das eleições presidenciais do Peru na madrugada desta quarta-feira (24/6). Com 99.859% das urnas apuradas, até às 2h da manhã, ela tem 50.118% da preferência dos eleitores, o equivalente a 9.206.241 votos.
O número não é mais possível de ser alcançado pelo candidato da esquerda, Roberto Sánchez, que tem 9.162.855 votos, 43 mil a menos que a adversária. De acordo com dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), faltam apenas 40.213 votos para serem contabilizados.
Fujimori, que é filha do ex-presidente Alberto Fujimori e concorre pela quarta vez, aguarda anúncio oficial dos resultados, mas Sánchez já disse que não reconhecerá a derrota.
“Não reconheceremos esse governo e nos declararemos em luta política e social de resistência popular e patriótica, em apego ao marco legal e constitucional assim como à normatividade supranacional do sistema interamericano”, afirmou pelas redes sociais na terça-feira (23/6).
Ontem, a coligação Juntos por el Perú, partido do esquerdista, entrou com um novo pedido de anulação de todos os votos do exterior. A alegação é que houve “falhas irreparáveis” e “fraude eleitoral”.
“Solicitamos que os votos gerados em todas as seções eleitorais correspondentes aos Escritórios Consulares em funcionamento durante o processo de Eleições Presidenciais – Segundo Turno (votos de peruanos no exterior) sejam declarados NULOS E SEM EFEITO EX OFFICIO E POR LEI; visto que, como demonstraremos no desenvolvimento deste documento, teriam ocorrido, de forma concertada, 1) vícios irreparáveis, que teriam condicionado a consumação de 2) fraude eleitoral, conforme pressuposto pela alínea b) do artigo 363 da referida Lei Orgânica das Eleições”, diz o documento.
Quem é Keiko Fujimori?
Candidata de direita, Keiko Fujimori tem 51 anos, é filha e herdeira política do polêmico ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru por 10 anos, entre 1990 e 2000, dando um autogolpe em 1992. Ela foi primeira-dama do Peru, simbolicamente, entre 1994 e 2000, após o divórcio dos pais.
A primeira disputa eleitoral de Keiko foi em 2006, quando elegeu-se deputada federal por Lima, capital do Peru. Ela recebeu mais de 600 mil votos, o que a fez a parlamentar mais votada da história do país.
Em 2007, enquanto Keiko cumpria seu primeiro ano de mandato, o pai dela, Alberto Fujimori, foi extraditado ao Peru, após ter sido detido no Chile em 2005. Ele viria a ser condenado definitivamente em 2009 a 25 anos de prisão, por crimes contra os direitos humanos no país. Ele ficou preso até 2023, quando foi libertado, e morreu em 2024.
Em 2018, ela foi presa acusada de receber dinheiro em um esquema de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht. Ela ficou na prisão até novembro de 2019, quando foi libertada. O ex-presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, também foi preso na mesma investigação.
Formada em administração de empresas, esta é a quarta vez que Keiko se candidata à presidência, desta vez pelo partido Fuerza Popular. Desde 2011, ela concorreu em todas as eleições presidenciais do Peru (2011; 2016; 2021), sempre chegando ao segundo turno, mas nunca conseguiu se eleger.
Keiko fez promessas de campanha principalmente ao setor empresarial, como isenção de impostos e taxas, além de uma reforma tributária e trabalhista no Peru.
Ela também promete melhorar a segurança pública no país, com propostas similares às de Nayib Bukele em El Salvador.












