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Eleições 2026Mundo

Peru: Sánchez denuncia “fraude” e rejeita eventual vitória de Keiko

Candidato de esquerda, Roberto Sánchez, questiona votos do exterior, pede suspensão da apuração e convoca protestos no Peru

23/06/2026 16:17
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Carla Sena/ Arte Metrópoles
Imagem colorida mostra candidatos a presidência da Colômbia Keiko Fujimori e Roberto Sánchez - Metrópoles

O candidato de esquerda à Presidência do Peru, Roberto Sánchez, elevou o tom contra as autoridades eleitorais nesta terça-feira (23/6) e afirmou que há uma “fraude em curso” na apuração do segundo turno presidencial.

Em Lima, o político declarou que não reconhecerá um eventual governo liderado por Keiko Fujimori e convocou seus apoiadores para uma mobilização nacional no próximo sábado (27/6).

As declarações ocorrem em meio à reta final da contagem dos votos. Com 99,73% das urnas processadas até a tarde desta terça-feira, Keiko Fujimori aparecia com 50,11% dos votos válidos, o equivalente a 9.192.068 votos. Sánchez somava 49,89%, com 9.151.325 votos.

A diferença entre os candidatos, que chegou a ser de menos de 1 mil em alguns momentos para um e outro lado, era de pouco mais de 40 mil votos.

Até recentemente, o candidato do Juntos por el Perú evitava utilizar o termo “fraude” para questionar o processo eleitoral. Desta vez, porém, afirmou que existem irregularidades suficientes para colocar em dúvida a legitimidade da votação realizada por peruanos residentes no exterior.

“Acreditamos que houve uma grave perturbação no processo eleitoral”, afirmou.
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Fujimori e Sánchez
Keiko Fujimori, candidata à presidência pelo partido Fuerza Popular
Roberto Sánchez, candidato à presidência pelo partido Juntos por el Perú
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Roberto Sánchez, candidato à presidência pelo partido Juntos por el Perú

Jesus Saucedo/Getty Images
Fujimori e Sánchez
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Fujimori e Sánchez

Carla Sena/ Arte Metrópoles
Keiko Fujimori, candidata à presidência pelo partido Fuerza Popular
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Keiko Fujimori, candidata à presidência pelo partido Fuerza Popular

Raul Sifuentes/Getty Images

Segundo Sánchez, uma mudança promovida pela autoridade eleitoral peruana teria reduzido as garantias de transparência na votação realizada nos consulados.

O candidato alega que, diferentemente do primeiro turno, as atas eleitorais do exterior não foram digitalizadas e enviadas imediatamente após o encerramento da votação. Para ele, a alteração abriu espaço para possíveis manipulações.

“Temos o direito legítimo de duvidar e acreditar que essa situação envolveu manipulação de votos para beneficiar o partido Fuerza Popular da senhora Keiko Fujimori”, declarou.

Pedido para anular votos do exterior

Na segunda-feira (22/6), o candidato apresentou um recurso à Justiça Eleitoral pedindo a anulação dos votos registrados no exterior, que somam cerca de 300 mil eleitores e favoreceram amplamente Fujimori.

Segundo os números divulgados pelas autoridades eleitorais, Keiko obteve aproximadamente 63% dos votos fora do Peru. Já dentro do território peruano, Sánchez mantém uma ligeira vantagem.

A campanha do esquerdista sustenta que, sem os votos do exterior, ele teria uma vantagem próxima de 25 mil votos sobre a adversária.

Sánchez, então, pediu que a Junta Nacional Eleitoral (JNE) suspendesse a contagem enquanto os recursos apresentados por seu partido são analisados.

“Isso configura uma fraude em curso, pois a contagem de votos continua”, afirmou. “A fraude ainda pode ser interrompida se a Junta Nacional Eleitoral agir de acordo com a lei e a transparência.”

O candidato acrescentou que, caso o pedido seja rejeitado, considerará que a suposta fraude foi consumada.

“Não reconheceremos o governo de Fujimori”

Sánchez também afirmou que não aceitará a legitimidade de uma eventual administração liderada por Keiko Fujimori caso os resultados sejam mantidos.

“Nessas condições de transgressão das normas, não reconheceremos o governo da senhora Fujimori”, declarou. “Travaremos a luta democrática dentro da lei. Recorreremos à resistência patriótica e popular.”

O candidato ainda questionou a resistência das autoridades eleitorais em revisar os resultados da eleição. “O que eles estão escondendo? A democracia não se beneficiaria de uma recontagem?”, perguntou.