Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mundo

Câmara de Comércio dos EUA pede diálogo com Brasil para evitar tarifas

Entidades querem negociação entre governos para impedir tarifas de 50% anunciada por Trump

15/07/2025 16:05, atualizado 15/07/2025 17:30
Arte/Metrópoles
Lula e Trump, montagem -- Metrópoles

A Câmara de Comércio dos Estados Unidos e a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil) defenderam, nesta terça-feira (15/7), que os governos dos dois países iniciem uma negociação urgente para evitar a entrada em vigor de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, anunciadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Em nota conjunta, as entidades afirmam que a medida pode comprometer o comércio bilateral e causar prejuízos tanto a empresas quanto a consumidores dos Estados Unidos. Segundo o comunicado, cerca de 6,5 mil pequenas empresas americanas dependem da importação de itens brasileiros, além de outras 3,9 mil que mantêm investimentos ativos no Brasil.

A avaliação das câmaras é que a tarifa pode gerar aumento de custos para as famílias, prejudicar cadeias de fornecimento e reduzir a competitividade da indústria americana. O Brasil é hoje destino de aproximadamente US$ 60 bilhões (R$ 333,6 bilhões) por ano em produtos e serviços vindos dos Estados Unidos, destacam as instituições.

Para as duas entidades, usar uma medida comercial como resposta a disputas políticas pode colocar em risco uma das relações econômicas mais estratégicas dos EUA e abrir um precedente perigoso.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
“A imposição dessa tarifa pode prejudicar gravemente uma das parcerias econômicas mais importantes para os Estados Unidos”, diz um trecho da nota. O texto defende que uma relação comercial estável favorece empregos, beneficia os consumidores e amplia a prosperidade dos dois lados.

A Câmara americana e a Amcham Brasil se colocaram à disposição para colaborar em busca de uma saída negociada, que evite a escalada de tensões e preserve os interesses mútuos.

Brasil enviou carta a Trump por acordo, mas sem retorno

O vice-presidente Geraldo Alckmin informou, nesta terça-feira (15/7), que o governo brasileiro chegou a enviar à Casa Branca uma carta para negociar as primeiras tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil. No entanto, segundo o político, o documento completa dois meses sem respostas.

A declaração de Alckmin aconteceu após uma reunião com empresários do setor da indústria para discutir quais medidas o Brasil pode tomar para reverter a tarifa de 50% anunciada por Trump contra as exportações brasileiras.

“Destacar que sempre teve diálogo. Eu mesmo conversei com Howard Lutenich, que é o secretário [de Comércio dos Estados Unidos], com o embaixador [Jamieson] Greer, da USTR [Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos], o Itamaraty também, depois mandamos até uma carta, pedido deles, confidencial, sobre negociação, até o dia 4 de julho, aliás, feriado norte-americano. Teve uma reunião de trabalho entre os técnicos, então sempre houve diálogo”, pontuou Alckmin.

As primeiras tratativas do Palácio do Planalto com a Casa Branca começaram depois que Donald Trump sobretaxou em 10% os produtos brasileiros e em 25% o aço e o alumínio vendidos pelo Brasil ao mercado norte-americano, em abril deste ano.

“De uma carta, há dois meses, com uma carta confidencial sobre tratativas de acordo, de entendimento, mas não obtivemos resposta. Faz dois meses. Então, o que nós vamos encaminhar é uma carta dizendo ‘aguardamos a resposta e continuamos empenhados em resolver esse problema’”, ressaltou o vice-presidente.

Lei da Reciprocidade

Geraldo Alckmin tem coordenado as tratativas do governo brasileiro diante das medidas protecionistas adotadas por Donald Trump. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou que o Brasil irá se respaldar na Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o governo Lula a adotar medidas proporcionais contra os Estados Unidos.

A nova tarifa de 50% indicada por Trump começa a valer em 1º de agosto. Até lá, Geraldo Alckmin enfatizou que irá manter o diálogo com o comércio norte-americano e também com o doméstico para buscar a melhor saída a fim de reverter esse aumento de alíquota.