Biden processa Departamento de Justiça para evitar divulgação de áudio

Trata-se de uma entrevista entre o ex-presidente e o escritor da biografia sobre a vida do democrata, feita entre 2016 e 2017

atualizado

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1 de 1 Joe Biden - Metrópoles - Foto: Dan Kitwood/Getty Images

O ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden entrou com processo contra o Departamento de Justiça norte-americano, nessa terça-feira (26/5), para impedir a divulgação do áudio de uma entrevista dele.

A conversa, gravada entre 2016 e 2017, foi feita com o escritor de uma biografia sobre o democrata.  A Heritage Foundation, centro de pesquisa política reconhecidamente conservador dos EUA, requisitou o arquivo ao departamento, e anunciou que vai divulgá-lo em 15 de junho ao Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes e à fundação.

O áudio foi usado ​​como parte da investigação de 2023 sobre uma série de documentos oficiais confidenciais encontrados num antigo escritório de Biden e numa casa da família. A investigação não avançou e não resultou em acusações criminais.

O conselheiro Robert Hur, que estava à frente da investigação, descreveu Biden como um “homem idoso bem-intencionado com problemas de memória”, mas afirmou, em relatório, que o ex-presidente havia divulgado algumas informações confidenciais de seus cadernos ao escritor fantasma Mark Zwonitzer.

Os documentos são do período em que Biden foi vice-presidente (2009-2017) e das décadas que exerceu o cargo de senador.

A descoberta dos documentos causou embaraço dobrado à Casa Branca na época, pois veio à tona logo depois que mais de 100 outros documentos confidenciais haviam sido encontrados, pelo FBI, na mansão de Donald Trump, após o primeiro mandato como presidente.

A lei de registros presidenciais dos Estados Unidos estabelece que todos os documentos oficiais são propriedade pública e devem obrigatoriamente ser destinados ao Arquivo Nacional e Administração de Registros (Nara) após o término dos mandatos.

A Heritage Foundation já havia feito o mesmo pedido em 2024, mas o Departamento de Justiça alegou que os documentos estavam isentos da Lei de Liberdade de Informação. A advogada de Biden, Amy Jeffress, disse, no processo, que “o departamento reverteu essa posição” em fevereiro, “sem qualquer explicação formal para a sua mudança repentina de posição”. 

“Todo americano, incluindo um vice-presidente em exercício ou ex-vice-presidente, tem direito à privacidade nas conversas pessoais que mantém dentro de sua própria casa”, escreveu  a defensora.

À imprensa norte-americana, TJ Ducklo, porta-voz de Biden, também se manifestou e afirmou que “o próprio Departamento de Justiça afirmou que essas gravações não servem ao interesse público. O que está acontecendo agora não tem a ver com transparência. Tem a ver com política.” 

O livro de memórias de Biden foi lançado em 2017. Intitulado Prometa-me, Pai: Um Ano de Esperança, Dificuldades e Propósito, o livro fala sobre a decisão do político em concorrer à presidência enquanto o filho mais velho, Beau, lutava contra um câncer no cérebro — ele faleceu em 2015.

Reação de Trump

Trump se manifestou sobre o processo movido por Biden na Truth Social, chamando-o de político corrupto. 

O atual presidente dos EUA iniciou uma investigação contra Biden, assim que assumiu o segundo mandato. Ele defende que assessores ocultaram o “grave declínio cognitivo” de Biden e que ele abusou do poder das assinaturas presidenciais “por meio do uso de uma caneta automática”.

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