Biden defende expulsão da Rússia do G20, grupo dos países mais ricos

A Polônia, país integrante da Otan e que faz fronteira com a Ucrânia, propõe a medida como forma de enfraquecer o país de Vladimir Putin

atualizado 24/03/2022 15:02

Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fala em evento realizado na Casa Branca - MetrópolesAlex Wong/Getty Images

Na primeira fala após a reunião de cúpula da Otan, em Bruxelas, na Bélgica, nesta quinta-feira (24/3), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que o líder russo, Vladimir Putin, fracassou na investida contra o Ocidente. Biden defendeu a expulsão da Rússia do G20, grupos dos países mais ricos do mundo. A Polônia, país integrantes da Otan e que faz fronteira com a Ucrânia, propõe a medida como forma de isolar e enfraquecer Putin.

“Ficou claro que ele achou que a gente não conseguiria manter essa coesão. Ele conseguiu o resultado exatamente oposto”, concluiu o líder norte-americano.

Nesta quinta, a guerra completa um mês, e os líderes da Otan estão reunidos em Bruxelas para avaliar novas medidas que possam acelerar o fim da guerra. Foi justamente o desejo da Ucrânia de entrar na organização que deu a Putin o motivo para a invasão russa, em 24 de fevereiro.

Biden comentou brevemente a situação das negociações de paz entre russos e ucranianos. As conversas estão estagnadas. “A Ucrânia que deve decidir se cede território [nas negociações, como forma de conseguir um acordo de paz]”, resumiu.

O presidente dos EUA também anunciou que será criado um sistema de monitoramento para registrar e punir pessoas e países que violem as sanções econômicas contra a Rússia.

Biden não deu detalhes sobre o projeto, mas insinuou que ele entrará em funcionamento em breve. ” Vamos criar um sistema que possa monitorar quem viola as sanções”, adiantou. Biden afirmou que o mundo corre o risco de sofrer com a falta de alimentos por causa da guerra.

Biden confirmou que os Estados Unidos irão acolher 100 mil refugiados ucranianos e oferecer US$ 1 bilhão (R$ 4,8 bilhões) em ajuda humanitária ao país.

Além disso, Biden deixou recados político-diplomáticos. Ele alertou que os países aliados estão preparados para responder em caso de uso de armas nucleares, químicas e biológicas. Afirmou apenas que a forma de resposta dependerá de como for esse hipotético ataque russo.

Outra mensagem foi direcionada a nações apoiadoras da Rússia, como Belarus e China. “Haverá consequências”, frisou.

Antes da entrevista de Biden, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou formalmente a Rússia de usar bombas de fósforo contra crianças. O país já havia feito esse tipo de avaliação sobre a atuação das tropas de Vladimir Putin, mas não de forma enfática.

Zelensky levou a denúncia para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na reunião desta quinta.

“Nesta manhã, houve ataques com bombas de fósforo, e novamente morreram crianças, além de adultos”, frisou o líder ucraniano, participando por vídeo.

As bombas de fósforo são semelhantes a armas incendiárias e causam graves ferimentos. Elas são compostas por substâncias solúveis em gordura e, assim, provocam queimaduras profundas.

Caso fragmentos entrem na corrente sanguínea, pode haver falência múltipla de órgãos, e feridas já cobertas podem reabrir quando os curativos são retirados e o local fica exposto ao oxigênio.

Ataques

Os bombardeios na Ucrânia completam um mês nesta quinta-feira (24/3) e não dão sinais de que vão parar. Russos continuam os ataques em centros urbanos. Ucranianos dizem ter afundado um navio militar da tropa inimiga.

Autoridades de Kharkiv, segunda maior cidade da Ucrânia, disseram que ao menos seis civis morreram e 15 ficaram feridos após um bombardeio russo.

O ataque teria atingido uma agência de correio próxima a um local onde moradores da cidade recebiam ajuda humanitária. A acusação é do governador regional, Oleg Siniegubov.

Em contrapartida, a Ucrânia fez um ataque inédito com mísseis contra um porto que havia sido ocupado pela Rússia nesta quinta-feira.

Segundo agências internacionais de notícias, ao menos um navio de desembarque de tropas, blindados e munição, o Orsk, foi destruído no ataque e afundou nos cinco metros do porto de Berdyansk, segundo a Marinha ucraniana.

Resolução da ONU

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma nova resolução que responsabiliza a Rússia pela guerra na Ucrânia.

Nesta quinta-feira, os embaixadores responsabilizaram o país comandado por Vladimir Putin pela “crise humanitária” provocada pela guerra.

Foram 140 votos a favor, 5 contra e 38 abstenções. O Brasil votou a favor da resolução. O texto prevê o envio de ajuda humanitária, mas há detalhes.

Na direção contrária, a Assembleia Geral se negou a votar uma resolução que “eximia” a Rússia pelo início do conflito da Ucrânia. Na prática, o documento funcionaria como um “perdão” pela guerra.

O texto foi proposto pela África do Sul, mas não chegou a ser votado, após ser rechaçado por 67 países na Assembleia, seguindo pedido da Ucrânia. A Rússia apresentou um texto semelhante. A Assembleia Geral da ONU tem 193 integrantes.

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