Argentina cobrará estrangeiros por atendimento em hospitais públicos
Governo de Javier Milei regulamentou medida que exige seguro ou pagamento antecipado de não residentes em casos "não urgentes"

Estrangeiros que não tenham residência permanente na Argentina passarão a pagar por atendimentos médicos não emergenciais em hospitais públicos administrados pelo governo nacional. A medida foi regulamentada nesta terça-feira (11/8) pelo governo do presidente Javier Milei e prevê a apresentação de seguro de saúde ou o pagamento antecipado pelo serviço.
A resolução coloca em prática uma mudança aprovada em 2025 na Lei de Migrações e estabelece regras para a cobrança de consultas, exames e procedimentos considerados não urgentes. O governo afirma que a medida busca reduzir o chamado “turismo de saúde”, quando estrangeiros viajam ao país para utilizar o sistema público e retornam posteriormente ao país de origem.
O atendimento de emergência, porém, continuará gratuito e não poderá ser atrasado por exigências administrativas. A regra vale para situações em que há risco iminente à vida, a um órgão ou a uma função do organismo.
Entre os casos classificados como emergência estão infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVC), traumatismos graves, queimaduras extensas, choques, hemorragias graves, sepse e intoxicações com comprometimento de funções vitais.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesTambém estão incluídas emergências obstétricas, pediátricas e neonatais, além de outras situações que, segundo avaliação do profissional responsável, apresentem risco imediato à vida ou à preservação de uma função vital.
Como funcionará
- A nova regulamentação estabelece que estrangeiros que alegarem ter residência permanente deverão apresentar o Documento Nacional de Identidade (DNI) argentino para estrangeiros com a categoria “residente permanente”.
- Quem não comprovar essa condição deverá apresentar um seguro de saúde válido que cubra o atendimento solicitado ou pagar antecipadamente o valor correspondente ao serviço.
- Para consultas, exames e procedimentos programados, o paciente sem residência permanente e sem seguro deverá procurar o setor de faturamento antes do atendimento.
- O hospital calculará o valor com base no nomenclador de prestações vigente e exigirá o pagamento de 100% do serviço antes da realização do procedimento.
- Nos casos de emergência, a prioridade será a estabilização do paciente.
- Depois que a situação deixar de representar risco imediato, os custos gerados poderão ser calculados e cobrados do estrangeiro ou encaminhados à seguradora responsável.
- Em caso de dúvida sobre a gravidade do quadro na chegada ao hospital, a norma determina que o paciente receba atendimento imediato até que um profissional de saúde determine se a situação se enquadra como emergência.
- A avaliação sobre a classificação do atendimento será responsabilidade do profissional de saúde responsável pelo paciente, e procedimentos administrativos não poderão atrasar essa análise.
Governo cita “turismo de saúde”
Segundo o governo Milei, a cobrança busca combater o chamado “turismo de saúde”. Durante a coletiva, Ravier afirmou que há casos de pessoas que viajam para a Argentina, utilizam o sistema público e depois retornam aos países de origem.
O porta-voz, porém, não apresentou dados sobre a quantidade de estrangeiros que utilizam o sistema dessa maneira, nem sobre o impacto financeiro desse tipo de atendimento.
A resolução vale para estabelecimentos de saúde administrados pelo Estado Nacional. As províncias argentinas possuem autonomia para estabelecer suas próprias regras, e algumas regiões que fazem fronteira com outros países já cobram determinados serviços de estrangeiros não residentes.









