Ataques de Milei contra Lula devem parar "imediatamente", diz Vieira
Segundo o chanceler, retorno do embaixador brasileiro para a Argentina está condicionado ao fim dos ataques promovido por Javier Milei

O chanceler do Brasil, Mauro Vieira, disse que os ataques de Javier Milei contra Luiz Inácio Lula da Silva devem “cessar imediatamente”. A declaração do ministro das Relações Exteriores aconteceu nesse sábado (8/8), durante entrevista ao jornal argentino Clarín.
“A Argentina deve valorizar sua relação com o Brasil da mesma forma que o Brasil valoriza a sua com a Argentina”, disse Vieira, que estava na Colômbia para a posse do novo presidente do país, Abelardo de la Espriella. “Precisamos ser muito claros quanto a isso, pelo bem desta relação: esse tipo de agressão deve cessar imediatamente para que possamos trabalhar no vínculo bilateral, que é tão importante”.
A crise entre Brasil e Argentina começou em 25 de julho, quando Milei participou da convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. No evento, o presidente argentino chamou Lula de “ladrão” e “presidiário”, e criticou as políticas do líder brasileiro.
Logo após a polêmica, o governo brasileiro chamou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, de volta ao país para consultas.
Dias depois da convenção em São Paulo, Milei voltou a atacar o presidente brasileiro. Segundo o líder argentino, Lula teria financiado uma campanha bilionária a favor de Sergio Massa, seu adversário nas eleições da Argentina em 2023.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesPor conta das hostilidades, o Brasil decidiu rebaixar as relações diplomáticas com o país vizinho, e retirou o embaixador brasileiro do posto em Buenos Aires.
Na entrevista publicada pelo Clarín neste fim de semana, o chanceler Mauro Vieira disse que basta um “gesto simples” para Julio Bitelli retornar à Embaixada do Brasil na Argentina.
“Quando cessarem as condições que levaram à sua saída [os ataques de Milei contra Lula], tal como aconteceu com o embaixador Raimondi [representante argentino no Brasil] , a quem conheço há 30 anos, um diplomata distinto, é necessário um gesto: pôr fim à agressão”, destacou Vieira. “É um gesto simples, dada a importância das relações bilaterais”.



