Albânia chega ao 4º dia de protestos contra premier e resort ligado a Trump.
Milhares de estudantes foram às ruas de Tirana para exigir renúncia de Edi Rama. Atos já deixaram 89 feridos.

Milhares de jovens voltaram às ruas de Tirana, capital da Albânia, nesta sexta-feira (16/10), no quarto dia de uma onda de protestos contra o primeiro-ministro, Edi Rama.
Lideradas por estudantes, as manifestações pedem a renúncia do premiê, denunciam casos de corrupção e cobram mais investimentos em educação.
Veja vídeo:
O estopim dos atos é a venda de áreas preservadas do litoral albanês para a construção de um resort de luxo apoiado por Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO empreendimento, avaliado em R$ 22,7 bilhões, tornou-se o principal alvo das críticas dos manifestantes.
Entenda reivindicações dos estudantes
- O movimento, que começou de forma predominantemente pacífica, ganhou força após meses de reivindicações que, segundo os estudantes, foram ignoradas pelo governo.
- Inicialmente concentrados na oposição ao resort, os protestos se ampliaram e passaram a incluir pautas por melhorias na educação e medidas contra a corrupção.
- A escalada também aumentou a violência nas ruas. Na quinta-feira (15/10), manifestantes quebraram janelas e semáforos, depredaram comércios e invadiram um banco. Os atos terminaram em confronto com a polícia albanesa.
- Segundo informações divulgadas por um jornal britânico, 89 pessoas ficaram feridas nos protestos, sendo 61 policiais.
Governo descarta renúncia
Edi Rama descartou deixar o cargo na quinta, horas antes de novos confrontos em frente ao Ministério da Educação. Na ocasião, policiais de choque usaram gás lacrimogêneo e jatos d’água para dispersar jovens que atiravam pedras.
O premiê afirmou que pretende ouvir as reivindicações dos manifestantes, mas defendeu a permanência no cargo. Segundo ele, renunciar seria trair os eleitores que lhe deram mandato para concluir as negociações de adesão da Albânia à União Europeia (UE).
Rama conquistou o quarto mandato em 2025, com a promessa de aproximar o país do bloco europeu. O governo pretende avançar no processo de adesão até 2028.
