Protesto contra cortes de Milei em universidades termina em confronto
Quinta Marcha Federal Universitária pressiona governo argentino a cumprir lei de financiamento das instituições públicas

Estudantes e professores foram às ruas de Buenos Aires, na Argentina, nesta quinta-feira (15/10), para cobrar do presidente Javier Milei o cumprimento da lei de financiamento das universidades públicas. O ato em frente ao Congresso terminou em confronto entre manifestantes e policiais.
Agentes de segurança jogaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes, enquanto alguns manifestantes atiraram pedras. Segundo o Ministério da Segurança, cinco agentes ficaram feridos.
NO ESTAMOS EN DEMOCRACIA.
De este lado, personas manifestando en contra del DNU antiderechos de Milei. Del otro, la represión policial en defensa de quienes no dieron quórum.
5ta Marcha Federal Universitaria y en contra del Decreto de Necesidad y Urgencia 70/2023.
Dron de Radio Gráfica por Julián Pelliza.— Andrea Gentil (@Andrea_Gentil) October 15, 2026
A mobilização teve como principal reivindicação a aplicação da Lei de Financiamento Universitário, que prevê a atualização dos recursos destinados às instituições públicas, a reposição das perdas salariais dos professores e a recomposição das bolsas estudantis.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesCom bandeiras de entidades estudantis e sindicatos, os participantes exibiram mensagens como “Milei, cumpra a lei” e “A universidade pública é um direito, não um privilégio”. O protesto ocorre após dias de greve e manifestações dentro das universidades, em meio à pressão para que o Executivo cumpra determinações judiciais sobre o financiamento do setor.
O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, também criticou a política do governo federal para a educação pública. Em publicação na rede social X, ele afirmou que a nova Marcha Federal Universitária demonstra que os cortes na área representam um erro que compromete o presente e o futuro da Argentina.
“Enquanto todos os países do mundo escolhem proteger suas capacidades em inovação tecnológica e científica, o Governo nacional insiste em destruir algo tão precioso para nosso povo, que vai continuar lutando para defender seus direitos”, escreveu.
Una nueva y masiva Marcha Federal Universitaria deja en claro que aplicar la motosierra sobre la educación pública, los docentes, los estudiantes e investigadores es un gran error que compromete el presente y el futuro de la Argentina.
Mientras todos los países del mundo eligen proteger sus capacidades en innovación tecnológica y científica, el Gobierno nacional insiste en destruir algo tan preciado para nuestro pueblo, que va a seguir luchando para defender sus derechos.
Milei, cumplí la ley.
— Axel Kicillof (@Kicillofok) October 15, 2026
Disputa judicial mantém pressão sobre Milei
O impasse em torno do financiamento das universidades argentinas se arrasta desde agosto de 2025, quando o Congresso aprovou a Lei de Financiamento Universitário. Milei vetou o texto, mas a disputa avançou para a Justiça. Em junho, uma decisão da Suprema Corte determinou que o governo cumprisse os pagamentos previstos na legislação.
Mesmo diante das decisões judiciais, o financiamento segue no centro do embate entre o Executivo e as instituições de ensino, que pressionam pela recuperação dos recursos e pela valorização dos profissionais da educação.
Universidades voltam às ruas
A manifestação desta quinta-feira é a quinta mobilização nacional do setor desde que Milei chegou à Presidência, em dezembro de 2023. O governo anunciou reajustes nas verbas para as universidades durante o período, mas representantes das instituições avaliam que os repasses não acompanham as necessidades do ensino público.
Além de estudantes e professores, a marcha contou com a participação de partidos opositores, sindicatos, organizações sociais e aposentados. Os manifestantes pedem a revogação da medida.
