Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mundo

Argentina: Suprema Corte revoga limite de compra de terras por estrangeiros

Decisão derruba bloqueio judicial a decreto de Javier Milei que revogou limite de propriedade rural por estrangeiros

30/09/2026 17:03, atualizado 30/09/2026 17:08
Caroline Cagnin/Canva
Argentina

A Suprema Corte da Argentina abriu caminho para que estrangeiros comprem terras rurais sem os limites impostos pela legislação nacional. Em decisão na terça-feira (29/9), os ministros derrubaram uma sentença de instância inferior que suspendia a aplicação de um decreto do presidente Javier Milei, responsável por revogar a Lei de Terras Rurais, em vigor desde 2011.

Na prática, a decisão permite a aplicação do artigo 154 do Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) 70/2023, que eliminou as restrições à propriedade rural estrangeira.

A medida representa uma mudança na disputa sobre o controle de terras no país, menos de dois meses depois de o Congresso argentino rejeitar uma tentativa do governo de flexibilizar as mesmas regras.

A decisão foi assinada pelos três integrantes da Suprema Corte: Horacio Rosatti, Carlos Rosenkrantz e Ricardo Lorenzetti. Os magistrados, porém, não analisaram a constitucionalidade da revogação da lei.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

O entendimento foi de que o Centro de Ex-Combatentes das Ilhas Malvinas de La Plata (CECIM), responsável pela ação que levou à suspensão do decreto, não tinha legitimidade para apresentar o processo.

O tribunal também considerou que não havia uma controvérsia jurídica que justificasse sua intervenção.

A decisão provocou reação de opositores de Milei. O deputado socialista Esteban Paulón criticou a medida e afirmou que “a Argentina não será vendida”. Já o advogado constitucionalista Andrés Gil Domínguez acusou a Suprema Corte de legislar “pelas costas do povo argentino e dos heróis da Guerra das Malvinas”.

O CECIM também condenou o entendimento. Em comunicado, a organização afirmou que o tribunal resolveu um problema político do governo e declarou que, com a decisão, “colocou a República Argentina à venda”.

Argentina: Suprema Corte revoga limite de compra de terras por estrangeiros - destaque galeria
3 imagens
Argentina conquista turistas por todo o mundo
O presidente argentino Javier Milei participa da convenção nacional do Partido Liberal (PL) na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, Brasil, em 25 de julho de 2026
Casa Rosada, sede do poder executivo da Argentina, localizada em frente à Plaza de Mayo, em Buenos Aires
1 de 3

Casa Rosada, sede do poder executivo da Argentina, localizada em frente à Plaza de Mayo, em Buenos Aires

Valentina Rodriguez/Canva
Argentina conquista turistas por todo o mundo
2 de 3

Argentina conquista turistas por todo o mundo

Caroline Cagnin/Canva
O presidente argentino Javier Milei participa da convenção nacional do Partido Liberal (PL) na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, Brasil, em 25 de julho de 2026
3 de 3

O presidente argentino Javier Milei participa da convenção nacional do Partido Liberal (PL) na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, Brasil, em 25 de julho de 2026

Allison Sales/NurPhoto via Getty Images

Disputa sobre terras

Promulgada em 2011, durante o governo de Cristina Kirchner, a Lei de Terras Rurais estabelecia que, no máximo, 15% das terras rurais argentinas poderiam estar sob propriedade estrangeira. A legislação também previa limites específicos por província e município, além de restrições relacionadas à nacionalidade dos proprietários.

Milei revogou a norma por meio do DNU 70/2023, assinado em dezembro daquele ano, dez dias depois de assumir a Presidência. A medida fazia parte de um pacote de desregulamentação econômica e redução da intervenção estatal.

A aplicação do artigo 154, no entanto, foi suspensa judicialmente após uma ação apresentada pelo CECIM. Com a decisão da Suprema Corte, o dispositivo volta a produzir efeitos, embora a discussão sobre sua constitucionalidade não tenha sido encerrada pelo julgamento.

O governo argentino defende a retirada das restrições como uma forma de atrair investimentos e facilitar a entrada de capital estrangeiro.

Congresso já havia barrado mudança

A decisão da Suprema Corte ocorre após o governo Milei enfrentar resistência política para alterar a legislação por meio do Congresso.

Neste ano, o Executivo incluiu a flexibilização das regras de propriedade rural estrangeira no projeto de Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada. A proposta original previa eliminar os limites para a aquisição de terras por pessoas físicas e empresas estrangeiras.