Quatro presos morrem e sindicato pede interdição de presídio em BH. Siga no YouTube

O local, que tem capacidade para 700 detentos, está com mais de 1.900; sindicato alega preocupação com a superlotação

atualizado

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Thales Antonio/Getty Images
Foto genérica de policial penal para matérias
1 de 1 Foto genérica de policial penal para matérias - Foto: Thales Antonio/Getty Images

Belo Horizonte – O Sindicato dos Policias Penais de Minas Gerais (Sindppen-MG) solicitou a interdição do Centro de Remanejamento da Gameleira (Ceresp Gameleira), na região oeste de BH, após quatro detentos serem encontrados mortos no local, desde o dia 26 de fevereiro deste ano.

O presidente do Sindppen-MG, Jean Otoni, afirmou ao Metrópoles que não é a primeira vez que eles entram com uma Ação Civel Pública denunciando a superlotação do local e o número reduzido de policiais penais. Ele alega que a situação é preocupante.

“No dia 12/2, fizemos uma inspeção na qual constatamos a superlotação. O local que tem capacidade para 700 detentos está com mais de 1.900”, disse.

De acordo com  Jean Otoni, o número reduzido de servidores e o número exagerado de detentos prejudica as atividades dos profissionais e tem causado o adoecimento de alguns, reduzindo mais ainda o número de policiais penais em atividades.

“A unidade enfrenta um grave quadro de superlotação, realidade que compromete não apenas as condições estruturais do estabelecimento, mas também a segurança de servidores, custodiados e de toda a sociedade. Soma-se a isso o reduzido número de policiais penais em atividade na unidade, fator que dificulta significativamente a execução das rotinas operacionais e a prestação de diversos serviços essenciais dentro do presídio”, diz a nota enviada pelo Sindppen-MG.

Cronologia das mortes:

26/2 – Um detento de 39 anos informou, no período da manhã, que havia sido agredido por outros presidiários e que estava sentindo muitas dores pelo corpo. O setor de saúde do local o medicou, mas enquanto esperava para ser escoltado até o hospital perdeu os sentidos e caiu no chão, e a morte foi constatada. Esse homem foi admitido no Ceresp Gameleira no dia 17/2, mas já possuía passagens desde 2007.

26/2 – No período da tarde do mesmo dia, um detento de 42 anos passou mal. Esse detento já fazia acompanhamento médico na unidade prisional desde o dia 9/2, quando foi admitido na unidade. Assim que os policiais chegaram à cela, o homem já estava morto. Ele tinha registros no sistema prisional, desde 2016. Ele não apresentava sinais de agressão pelo corpo, de acordo com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas (Sejusp).

27/2 – Durante a noite, policiais foram acionados e encontraram um detento de 26 anos sem os sinais vitais. A morte foi constatada pela equipe do Serviço Móvel de Urgência (Samu). Esse homem foi admitido no Ceresp Gameleira em 7/2. Ele já havia passado pelo sistema prisional em agosto de 2025.

14/3 – No último sábado, foi registada a última morte. Um homem de 49 anos foi encontrado deitado em sua cela e sem os sinais vitais. A morte foi constatada pela equipe do Samu. Ele havia dado entrada no presídio no dia 7/3.

Sejusp não foi notificada

A Secretaria de Justiça e Segurança Pública informou que não foi notificada sobre o pedido de interdição do Ceresp Gameleira. De acordo com o órgão, as unidades prisionais, administradas pelo Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG) são fiscalizadas com regularidade por vários órgãos de controle, entre eles Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

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