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Minas Gerais

Privatização da Copasa não muda política de tarifas, dizem autoridades

Copasa e governo de Minas afirmam que preços continuarão sob controle da Arsae-MG e que critérios para os reajustes tarifários não mudarão

25/06/2026 13:00
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Copasa/Divulgação
van posto de atendimento Copasa itinerante

Belo Horizonte – A privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), concluída no último dia 17 de junho, continua gerando debates entre consumidores mineiros. Entre as principais dúvidas estão possíveis impactos da privatização nas tarifas de água e esgoto.

Em nota, a Copasa informou que a mudança no controle acionário não altera a forma como são definidos os reajustes tarifários. Segundo a empresa, a competência para calcular, autorizar e aplicar revisões de preços continua sendo exclusiva da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae-MG).

Tarifas seguem sob regulação estadual

De acordo com a companhia, as regras atuais permanecem em vigor e qualquer alteração nos valores cobrados dos consumidores deverá seguir critérios técnicos estabelecidos pela agência reguladora.

A empresa destacou ainda que mudanças tarifárias dependem de processos regulatórios, incluindo estudos técnicos e audiências públicas, sem possibilidade de decisões unilaterais por parte da nova administração.

O Governo de Minas também afirma que não haverá mudanças imediatas para os usuários dos serviços de água e esgoto. Segundo o governador Mateus Simões, as tarifas continuarão sendo definidas pela Arsae-MG, sem interferência dos novos controladores da companhia.

A agência reguladora reforçou que os contratos, normas de fiscalização, critérios de reajuste e revisões tarifárias permanecem inalterados.

Debate repercute nas redes sociais

A privatização tem provocado reações nas redes sociais. Entre os comentários publicados por internautas, há críticas relacionadas à qualidade dos serviços e ao futuro dos trabalhadores.

Alguns usuários manifestaram preocupação com possíveis demissões e eventual precarização do atendimento após a mudança de controle da empresa. Outros associaram a privatização a experiências observadas em companhias de saneamento de outros estados.

Para Maurício Oliveira, o valor da tarifa vai subir: “O valor dobra e o serviço piora”. João Maria criticou a medida e demonstrou preocupação com a substituição da mão de obra especializada. “Só retrocesso. Minas Gerais vai sentir o gosto ruim da privatização de uma empresa estratégica, assim como São Paulo e Rio de Janeiro já sentem. A força de trabalho especializada será substituída por alta rotatividade e sem experiência na produção e entrega de água de qualidade nos lares mineiros.”

Já Paulo Henrique Campos afirmou temer uma possível precarização dos serviços. “Se for seguir o mesmo modelo da Sabesp, vão demitir todos os funcionários e precarizar o serviço. Enquanto os novos acionistas vão lucrar, o povo vai ficar sem água ou vai receber água não tratada.”

Barragem do Rio Juramento (ou Reservatório de Juramento), da Copasa, em Montes Claros (MG)
Barragem do Rio Juramento (ou Reservatório de Juramento), da Copasa, em Montes Claros (MG)

Na mesma linha, Vitor Lopes associou a privatização à qualidade do abastecimento em outros estados. “Os mineiros irão beber água suja igual ao paulistano agora. Quem mandou votar mal, agora sofre as consequências.”

As opiniões refletem parte da preocupação manifestada por consumidores e trabalhadores após a transferência do controle da companhia para a iniciativa privada. Até o momento, o Governo de Minas, a Copasa e a Arsae-MG afirmam que não haverá mudanças imediatas para os usuários e que as tarifas e a fiscalização dos serviços continuarão submetidas à regulação estadual.

Operação movimentou R$ 8,38 bilhões

A privatização foi oficializada em cerimônia realizada na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo. A operação movimentou R$ 8,38 bilhões e transferiu o controle da companhia para a iniciativa privada.

Segundo o governo estadual, a expectativa é ampliar a capacidade de investimentos da empresa e acelerar a universalização dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto nos municípios atendidos até 2033.