Copasa é privatizada em operação de R$ 8,38 bilhões e muda de controle
Equatorial assume posição de principal acionista da companhia; governo mantém 5% das ações com poder de veto em decisões estratégicas

Belo Horizonte – O Governo de Minas Gerais concluiu nesta terça-feira (16/6) o processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A operação, realizada na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, movimentou R$ 8,38 bilhões e transferiu o controle da companhia para a iniciativa privada, encerrando décadas de gestão estatal.
A venda envolveu 45% das ações da empresa que pertenciam ao Estado. Desse total, 30% foram adquiridos pelo Grupo Equatorial, que passa a ser o principal acionista da companhia. Os outros 15% foram distribuídos entre investidores institucionais, estrangeiros e de varejo.
Segundo o governo estadual, os recursos obtidos com a operação serão destinados integralmente ao abatimento da dívida de Minas Gerais com a União por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Como ficou a nova composição acionária
Com a conclusão da operação, o Grupo Equatorial passou a deter 30% do capital total da Copasa, em uma transação avaliada em R$ 5,59 bilhões.
Investidores institucionais adquiriram 10,5% das ações, movimentando cerca de R$ 1,96 bilhão. Já os investidores de varejo ficaram com 4,5% do capital social da companhia, em um volume financeiro de R$ 838,9 milhões.
A gestora Perfin, que já possuía participação na empresa, ampliou sua fatia e passou a deter aproximadamente 20,11% das ações da Copasa. Em comunicado ao mercado, a empresa informou que a aquisição tem caráter exclusivamente financeiro e não visa assumir o controle da companhia.
Apesar da privatização, o Governo de Minas manteve 5% das ações por meio da chamada “golden share”, mecanismo que garante poder de veto em decisões consideradas estratégicas para a companhia.
Investimentos e universalização do saneamento
Durante a cerimônia que marcou a conclusão da operação, o governador Mateus Simões afirmou que a privatização permitirá ampliar os investimentos em saneamento básico e acelerar o cumprimento das metas previstas pelo Novo Marco Legal do Saneamento.
Segundo ele, a expectativa é ampliar o acesso à água tratada e ao tratamento de esgoto em mais de 600 municípios mineiros até 2033.
O governador também ressaltou que a privatização não altera a forma de definição das tarifas cobradas dos consumidores, que continuam sendo reguladas pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae-MG).

O que diz a Equatorial
Novo acionista de referência da Copasa, o Grupo Equatorial afirmou que pretende ampliar os investimentos e modernizar a operação da companhia.
O CEO da empresa, Augusto Miranda da Paz, classificou o saneamento como uma prioridade estratégica e destacou o compromisso com a universalização dos serviços em Minas Gerais.
Segundo a companhia, a aquisição será financiada por meio de dívida, com impacto limitado na estrutura financeira do grupo. A Equatorial também ficará impedida de vender sua participação até junho de 2030, conforme regras estabelecidas na operação.
Próximos passos da nova Copasa
Com a privatização concluída, a Copasa inicia uma nova fase voltada para a reorganização da governança corporativa e a ampliação da capacidade de investimento.
Entre as prioridades estão a expansão das redes de abastecimento de água e esgotamento sanitário, além da execução de obras necessárias para atender às exigências do Marco Legal do Saneamento.
A empresa também deverá implementar uma nova estrutura de gestão, com participação dos novos acionistas na definição das estratégias de longo prazo.
A expectativa do governo e do mercado é que a nova configuração permita maior agilidade na tomada de decisões, ampliação dos investimentos e aceleração dos projetos de infraestrutura voltados à universalização dos serviços de saneamento em Minas Gerais.


