Os sinais de que Cleitinho pode não disputar o governo de Minas
Pessoas próximas afirmam que demora na oficialização do nome de Cleitinho Azevedo faz parte de uma estratégia política para evitar críticas
atualizado
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Belo Horizonte – Em meio à incerteza sobre sua candidatura ao governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao mesmo tempo em que vem afirmando, a pessoas próximas e a pretensos aliados que está animado com a disputa, demonstra certo receio em se anunciar como candidato. Aliados afirmam que a decisão só deve ser oficializada após a Copa do Mundo, em meados de julho.
Para alguns de seus aliados, o jogo duro que Cleitinho faz, impondo prazos, impondo vice e provocando atritos dentro do seu partido seriam sinais de que ele na verdade não tem a intenção de concorrer este ano e estaria em pré-campanha para aumentar o próprio prestígio e conseguir bons acordos para parentes que também são políticos.
No início da corrida eleitoral, ainda em março, o político chegou a afirmar que, se fosse da vontade do povo, ele seria candidato. Desde então, ele não retirou a afirmação, recentemente reforçou a posição afirmando que não precisava ficar “latindo” que estava na disputa, mas deu sinais trocados que foram acompanhados com atenção por aliados e adversários.
Após o escândalo dos áudios que mostravam a proximidade entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcado, dono do Banco Master, o presidente do Republicanos mineiro, Euclydes Pettersen, afirmou que o nome de Azevedo passava a ser um dos cotados para a disputa presidencial. A afirmação não chegou a ser desmentida por Cleitinho.
Esta semana, Flávio participou de uma série agendas em Minas Gerais, com a intenção de fechar a candidatura do seu colega de Senado à disputa, mas, apesar de avanços, a situação segue em aberto.
Inicialmente, o PL buscava uma chapa mista, tendo um de seus nomes na disputa ao governo ou no vice, o que acabou mudando com a situação de Vorcaro, e, desde então, o ex-prefeito de Patos Luiz Eduardo Falcão (Republicanos) ganhou força para fazer chapa pura com Cleitinho.
Falcão chegou a ser convidado por Cleitinho para integrar sua chapa na disputa ao Palácio Tiradentes ainda em maio de 2026, quando o PL ainda não havia se aproximado do Republicanos. Apesar de alguns ainda quererem convencer o parlamentar a aceitar o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli (PL) como vice, Flávio Bolsonaro já deu o aval para a disputa ser com chapa pura do Republicanos. Mesmo assim, não tirou do aliado a confirmação de que irá concorrer.
O ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, também é cotado, mas, após as últimas conversas, segundo o presidente estadual do PL, Zé Vitor, a tendência é que, caso o senador não aceite concorrer, Roscoe lidere a chapa com Falcão de vice. O empresário conta com o apoio de uma das principais lideranças bolsonaristas em Minas, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Se Cleitinho concorrer junto a Falcão, caberia ao PL a decisão sobre os dois nomes que vão concorrer ao Senado. O deputado federal Domingos Sávio (PL-MG), já está garantido. A outra vaga ainda está sendo discutida, o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL) é um dos cotados.
Junto dele estão o ex-Secretário do Governo de Minas Gerais Marcelo Aro (PP), que vem fazendo sinalizações para os bolsonaristas e até participou da entrega de título de cidadão honorário de Belo Horizonte, a Flávio Bolsonaro; e outro nome defendido por Cleitinho, o do ex-prefeito de Divinópolis e seu irmão, Gleidson Azevedo (Republicanos).
Estratégia de Cleitinho Azevedo
A decisão por retardar a confirmação de entrar na disputa, dizem pessoas próximas, faz parte de duas estratégias políticas do parlamentar. A primeira visa evitar críticas que podem atingir a popularidade dele, que vem liderando todas as pesquisas eleitorais até o momento, como a falta de críticas aos áudios trocados entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro; e por ter como correligionário o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos-MG) que responde a múltiplos processos.
O outro objetivo é manter seu nome em evidência e aumentar o seu poder de decisão sobre a composição da chapa. Pessoas próximas, porém, alegaram que o político mineiro está sim disposto a ter seu nome na urna em outubro.










