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Minas Gerais

"Não revelei segredos de Estado", diz Aldo Rebelo sobre ET de Varginha

Declarações de ex-ministro e parlamentares americanos reacendem debate sobre supostos arquivos secretos envolvendo OVNIs e ET de Varginha

Daniel Galera12/06/2026 16:30, atualizado 12/06/2026 17:23
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TV Metrópoles
Aldo Rebelo

Belo Horizonte – Uma sequência de declarações feitas pelo ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo, por parlamentares dos Estados Unidos e até pelo cineasta Steven Spielberg colocou novamente o Brasil no centro de uma das maiores controvérsias da ufologia mundial: o caso Varginha.

A polêmica está ganhando força após uma entrevista do congressista norte-americano Eric Burlison, do Partido Republicano, começar a repercutir por ele afirmar, durante discussões sobre fenômenos aéreos não identificados (UAPs), que um ex-ministro brasileiro teria admitido que o episódio ocorrido em Varginha, em 1996, foi real e que militares brasileiros teriam recuperado uma nave e corpos não humanos. Ele referia-se a Aldo Rebelo, ministro da Defesa nessa época.

Questionado, Aldo Rebelo afirmou ao Metrópoles que suas declarações sobre o suposto ET que teria sido avistado e até capturado na cidade mineira foram baseadas exclusivamente em informações já conhecidas do público.

“O que eu disse está tudo baseado em notícias já divulgadas pela imprensa, está na internet, depoimentos de médicos, de militares. Não revelei nenhum segredo de Estado, apenas comentei aquilo que já é de conhecimento público”, disse Aldo Rebelo.

O ex-ministro também esclareceu que não fez revelações sobre informações sigilosas do Ministério da Defesa.

“No mais, foi apenas comentando o que já é de conhecimento público, depoimentos que eu também ouvi, mas nada relacionado com informações reservadas do Ministério da Defesa“, afirmou o ex-ministro.

Rebelo ainda reafirmou uma declaração feita anteriormente nas redes sociais no dia 3 de fevereiro de 2026, sobre a eventual divulgação de documentos governamentais relacionados ao tema.

“Disse num Twitter […] que se o governo norte-americano divulgar as informações que eles têm reservadas sobre esses fenômenos, que o Brasil deveria fazer o mesmo.” Veja a postagem:

Aldo Rebelo ET
Ex-ministro Aldo Rebelo fala sobre caso Varginha e gera polêmica

Apesar do esclarecimento, as declarações continuaram repercutindo entre o público, pesquisadores, jornalistas e divulgadores científicos.

Sacani cobra explicações públicas

Entre os que se manifestaram, está o divulgador científico Sérgio Sacani, que pediu esclarecimentos adicionais sobre o assunto.

“Se isso realmente for verdade, o Sr. Aldo Rebelo deve sérias explicações para a comunidade científica brasileira.”

Segundo Sacani, caso autoridades brasileiras tenham tido acesso a informações relacionadas à possível descoberta de vida extraterrestre, pesquisadores e instituições científicas do país deveriam participar da análise desses dados.

O divulgador também argumentou que, caso as declarações atribuídas ao congressista norte-americano estejam incorretas, seria importante uma manifestação pública para esclarecer o episódio.

“De qualquer maneira, o silêncio é a pior atitude.”

A frase que incendiou o debate

Grande parte da repercussão decorre de uma declaração feita por Aldo Rebelo semanas antes da entrevista concedida ao pesquisador norte-americano Jesse Michels, publicada em 11 de junho de 2026 no YouTube.

O ex-ministro da Defesa durante o governo Dilma Rousseff e atual pré-candidato à Presidência da República afirmou conhecer o conteúdo dos arquivos militares brasileiros relacionados a objetos voadores não identificados.

Ao longo de mais de duas horas de conversa, Rebelo abordou alguns dos casos mais conhecidos da ufologia brasileira, incluindo a Operação Prato, ocorrida no Pará na década de 1970, a chamada Noite Oficial dos OVNIs, de 1986, e o famoso caso Varginha, registrado em Minas Gerais em 1996.

“Eu sei o que as Forças Armadas têm nos arquivos”, disse Aldo Rebelo.

Durante a conversa, o ex-ministro voltou a sustentar que existem arquivos militares sobre o tema e defendeu que sua divulgação deveria ocorrer de forma coordenada com outros países, especialmente os Estados Unidos.

Segundo Rebelo, informações dessa natureza podem envolver interesses de segurança nacional, inteligência e acordos internacionais, razão pela qual a divulgação exigiria cautela. Rebelo também chamou a atenção para a possibilidade de ainda existirem informações não divulgadas ao público.

“Parte do relatório ainda permanece classificada, guardada pelas Forças Armadas”, disse o ex-ministro, que completou: “Essa parte do relatório que ainda está classificada é o que nós não tivemos a oportunidade de analisar ou testemunhar”.

A declaração gerou uma avalanche de especulações sobre o conteúdo dos arquivos militares brasileiros e sobre a existência de documentos ainda não divulgados ao público.

Contudo, o próprio Rebelo afirma que não revelou qualquer informação classificada e que seus comentários se limitaram a fatos, depoimentos e registros já conhecidos publicamente.

Congresso dos EUA pressiona por divulgação

Enquanto o debate cresce no Brasil, parlamentares norte-americanos continuam aumentando a pressão sobre o governo dos Estados Unidos.

Nos últimos anos, audiências no Congresso dos EUA reuniram militares, ex-agentes de inteligência e denunciantes que alegam a existência de programas secretos relacionados aos chamados UAPs — sigla utilizada atualmente para fenômenos anômalos não identificados.

parlamentares dos Estados Unidos falando sobre Et's
O congressista Rep. Moskowitz e parlamentares cobram respostas sobre OVNIs

Entre os nomes mais conhecidos, está David Grusch, ex-integrante da inteligência norte-americana, que afirmou ao Congresso que os Estados Unidos teriam acesso a programas de recuperação de tecnologias de origem desconhecida.

Grusch também declarou acreditar que autoridades dos EUA têm conhecimento sobre diferentes tipos de inteligências não humanas.

As alegações, entretanto, seguem sem comprovação pública definitiva.

O mistério de Varginha continua vivo

Quase três décadas após os acontecimentos de janeiro de 1996, o caso Varginha permanece como o episódio ufológico mais famoso da história brasileira.

Na ocasião, moradores da cidade mineira relataram encontros com uma criatura desconhecida. O caso envolveu ainda relatos de movimentação militar, supostas capturas e transporte de materiais sigilosos.

Investigações oficiais conduzidas ao longo dos anos apontaram explicações alternativas para os fatos. Mesmo assim, o episódio nunca deixou de despertar interesse internacional.

O documentário Moment of Contact, do cineasta James Fox, trouxe nova visibilidade ao caso e reacendeu debates entre pesquisadores, testemunhas e militares envolvidos na época.

O que existe de concreto?

Apesar das declarações recentes e das especulações que voltaram a circular nas redes sociais, não existe confirmação pública de que o governo brasileiro possua naves extraterrestres, corpos alienígenas ou provas definitivas de visitas de seres de outros planetas.

O que existe são documentos oficiais sobre ocorrências classificadas como objetos voadores não identificados, muitos deles disponíveis para consulta pública no Arquivo Nacional.

Especialistas lembram que a sigla OVNI significa apenas “Objeto Voador Não Identificado”, sem qualquer comprovação automática de origem extraterrestre.

Memorial ET Varginha
ET de Varginha-MG, imagem feita a partir de depoimentos de testemunhas

Ainda assim, as recentes declarações de parlamentares norte-americanos, somadas à fala de Aldo Rebelo sobre os arquivos das Forças Armadas, abriram um novo capítulo em uma discussão que há décadas divide cientistas, militares, pesquisadores e entusiastas.

E uma pergunta continua sem resposta:

Se realmente existem segredos guardados nos arquivos militares brasileiros, o que eles revelam?

Operação Prato: “Não há dúvida de que ocorreu”

Ainda durante a entrevista ao pesquisador norte-americano, ao comentar a Operação Prato, investigação conduzida pela Força Aérea Brasileira em 1977 após relatos de luzes misteriosas e supostos ataques conhecidos como “Chupa-Chupa” na região de Colares, no Pará, Rebelo foi categórico.

Para ele, não existe controvérsia sobre a existência da operação militar. Segundo afirmou, os registros oficiais, testemunhos de militares e relatos médicos demonstram que houve uma investigação formal conduzida pelas Forças Armadas.

“A operação aconteceu. Foi uma operação oficial liderada pelas Forças Armadas para monitorar esses fenômenos no estado do Pará.”

Rebelo ressaltou que parte da documentação teria permanecido sob sigilo e que apenas uma parcela dos registros foi disponibilizada ao público.

“Não há dúvida de que houve uma operação oficial executada pelas Forças Armadas brasileiras para monitorar esse fenômeno.”

Transparência ou revelação condicionada?

Um dos pontos mais controversos da entrevista envolve a posição de Rebelo sobre a divulgação de informações.

O ex-ministro voltou a defender que a abertura completa dos arquivos brasileiros deveria ocorrer em paralelo à divulgação dos documentos mantidos pelo governo dos Estados Unidos.

Segundo ele, existe compartilhamento de informações entre países e serviços de inteligência, razão pela qual uma revelação unilateral poderia não ser adequada.

“É por isso que eu condicionei a divulgação dessa informação do Brasil à divulgação da mesma informação pelos Estados Unidos.”

Em seguida, sugeriu a existência de intercâmbio internacional de dados:

“Uma parte significativa dessa informação, eu garanto a você, é compartilhada.”

A declaração, entretanto, levanta questionamentos sobre por que informações que poderiam representar uma das maiores descobertas da história da humanidade permaneceriam condicionadas a decisões políticas futuras.

Consequências para a humanidade

Ao refletir sobre a possibilidade de confirmação da existência de inteligências não humanas, Rebelo argumentou que o impacto ultrapassaria os limites da ciência.

Segundo ele:

“Se você admitir que há vida fora do nosso planeta, não é uma questão pequena.”

E acrescentou:

“Não é apenas científica. Envolve moral, filosofia e religião.”

Para o ex-ministro, qualquer revelação oficial exigiria cautela devido às implicações culturais e civilizatórias que poderia provocar.

Ovni
Aldo Rebelo fala sobre as consequências para a humanidade caso os extraterrestres realmente existam

Novas perguntas surgem

A entrevista também levanta questões que permanecem sem resposta:

  • Quais documentos exatamente Aldo Rebelo afirma conhecer?
  • Existem registros ainda classificados sobre a Operação Prato?
  • Há informações inéditas sobre o caso Varginha nos arquivos militares?
  • Cientistas brasileiros já tiveram acesso ao material citado?
  • Há cooperação internacional envolvendo Brasil e Estados Unidos sobre esses casos?
  • Por que a divulgação dependeria de decisões políticas futuras?

Independentemente da posição de cada observador sobre o fenômeno OVNI, a entrevista representa um dos pronunciamentos mais significativos já feitos por um ex-ministro da Defesa brasileiro sobre o tema.

Caso suas declarações correspondam à existência de informações ainda desconhecidas do público, cresce a pressão para que haja esclarecimentos oficiais, acesso científico aos documentos e uma discussão transparente sobre o que realmente consta nos arquivos do Estado brasileiro.