MG: turistas imitando tortura de escravos em Mariana geram revolta. Vídeo
Cena gravada na Praça Minas Gerais mostra encenação considerada desrespeitosa e reacende debate sobre memória da escravidão
atualizado
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Belo Horizonte – Um vídeo que circula nas redes sociais nesta semana mostra um grupo de turistas encenando gestos que remetem à tortura de pessoas negras escravizadas no antigo pelourinho de Mariana, na Região Central de Minas Gerais. A gravação gerou forte repercussão e críticas de autoridades e moradores da cidade.
Nas imagens, o grupo aparece na Praça Minas Gerais, no centro histórico, em frente à estrutura conhecida como pelourinho — uma coluna de pedra utilizada no período colonial como instrumento de punição pública de escravos. Em determinado momento, uma das mulheres se segura nas argolas de ferro do monumento e grita “me bate”, enquanto outras pessoas simulam cenas semelhantes e começam a rir da situação.
O vídeo teria sido gravado por uma moradora na última segunda-feira (20/4). Segundo ela, os turistas fizeram referências diretas à escravidão, com frases como “agora me bate” e “vai lá, agora é a sua vez de ser escravizada”, em tom de brincadeira.
Monumento histórico e memória da escravidão
O pelourinho de Mariana, localizado entre as igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo, é um marco do período colonial brasileiro. A estrutura original foi construída por volta de 1750 e simbolizava o poder da Coroa Portuguesa, sendo utilizada para castigos públicos. A versão atual instalada na praça é uma réplica colocada em 1970.
A cena registrada no vídeo provocou indignação por ocorrer em um local que representa a memória da escravidão e das violências sofridas pela população negra no Brasil.
Reações e críticas
O caso foi divulgado nas redes sociais pelo vereador Pedro Sousa, que classificou a atitude como desrespeitosa e ofensiva à história da cidade. Em publicação, ele afirmou que situações semelhantes já ocorreram em Mariana e criticou o uso do espaço histórico como “cenário de encenação”.
Segundo o parlamentar, a prática demonstra falta de consciência histórica e reforça estereótipos ligados à escravidão, além de desrespeitar a memória do povo negro que contribuiu para a construção da cidade.
Seguidores manifestaram sua indignação na publicação afirmando que esse tipo de encenação de “mau gosto” e ‘revoltante” acontece de forma rotineira no pelourinho de Mariana.
“Esse desrespeito acontece com MUITA frequência lá. Ai depois o turista sai falando que “Ouro Preto e Mariana tem a energia pesada”. disse um dos seguidores. “Pior de tudo que isso não é novo, sempre fizeram isso! Absurdo total!”, relatou outro seguidor. “Os turistas precisam aprender a ir às cidades e a respeitar. Fazem o caos por onde passam, se acham donos de tudo e no direito de faltar com o respeito às pessoas e à história do lugar”.
Prefeitura e Câmara não se pronunciam
A Prefeitura de Mariana e a Câmara Municipal foram procuradas para comentar o caso e informar se alguma medida será tomada, mas não responderam até a publicação desta reportagem.
