Fraude bilionária: Capsul é interditada e “ostentadores” seguem presos

Empresa ligada a esquema bilionário de e-books é fechada em MG; apuração aponta fraude fiscal e uso indevido de classificação de produtos

atualizado

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1 de 1 capsul - Foto: Reprodução/Redes sociais

A empresa Capsul, apontada como peça central em um esquema bilionário de fraude fiscal envolvendo a venda de e-books, foi interditada em Minas Gerais. A decisão ocorre após a deflagração de uma operação que levou à prisão de empresários conhecidos nas redes sociais por ostentar luxo e ensinar estratégias de negócios.

Segundo as investigações, o grupo utilizava a comercialização de e-books como fachada para reduzir ilegalmente a carga tributária sobre suplementos alimentares. Na prática, os produtos eram vendidos fisicamente, mas declarados como conteúdo digital — que possui tributação menor.

Entenda como “ostentadores” usaram e-books para sonegar milhões em MG.

A interdição da empresa foi determinada após a constatação de irregularidades no funcionamento e na atividade econômica declarada. O objetivo, de acordo com as autoridades, é interromper a continuidade das práticas investigadas.

Os responsáveis pelo esquema permanecem presos. Eles são suspeitos de integrar uma organização estruturada para fraudar o fisco, com atuação em Minas Gerais e possível alcance em outros estados.

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Exibindo os carros e o jatinho
Chegando com o carro na Capsul - filmado por drone
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As apurações indicam que o grupo também utilizava as redes sociais para atrair clientes e alunos, prometendo lucros elevados com a criação de marcas próprias de suplementos. Parte desse conteúdo ensinava, segundo a investigação, estratégias que burlavam a legislação tributária.

A prática consistia em registrar produtos como e-books — categoria com menor incidência de impostos — enquanto, na realidade, comercializava suplementos alimentares. Com isso, o grupo teria reduzido de forma significativa os tributos devidos.

Risco à saúde

Segundo a polícia, os indícios apontam que os suplementos alimentares eram anunciados ao público como se fossem medicamentos, com promessas de efeitos terapêuticos, o que é proibido para a categoria de produtos alimentícios. Além de não estarem regularizados como medicamentos, os produtos não continham os princípios ativos anunciados por meio de propaganda, podendo acarretar sérios riscos à saúde dos consumidores.

Durante a busca, os investigadores encontraram equipamentos industriais, grande quantidade de matérias-primas sem o devido controle de qualidade, cápsulas, produtos acabados e materiais de embalagem. Também foi identificada uma área destinada à produção de chás, onde insumos vegetais eram manipulados em “condições sanitárias extremamente precárias”.

A investigação aponta indícios de utilização de substâncias não autorizadas para suplementos alimentares, como o extrato de ginkgo biloba. Durante a operação, também foi apreendida grande quantidade de anabolizantes, cuja origem e destinação serão investigadas.

Fraude bilionária

De acordo com as investigações, a dupla, proprietária da empresa Capsul Brasil Indústria e Comércio S.A., sonegou cerca de R$ 100 milhões em impostos. Além disso, os dois tiveram R$ 1,3 bilhão em contas bancárias e bens bloqueados.

No cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão na casa dos envolvidos e também na fábrica, os agentes de segurança apreenderam 14 veículos de luxo entre Ferrari, Porshes, Escalade, Audi; relógios de marcas suíças – um Patek Philipe avaliado em mais de R$ 1 milhão –; além de joias de ouro e outros artigos de luxo.

Lobo de Wall Street

No escritório, dentro da Capsul, a polícia apreendeu um quadro com a ilustração do ator Leonardo di Caprio, quando o ator norte-americano interpretou a biografia de Jordan Belfort, mais conhecido no mercado financeiro como Lobo de Wall Street.

Lobo de Wall Street

Jordan Belfort é um ex-corretor da bolsa norte-americana que ficou famoso por fraudar investidores nos anos 1990, acumulando uma fortuna. Fundador da corretora Stratton Oakmont, ele manipulava o mercado de ações (penny stocks) por meio do esquema “pump and dump”, inspirando o livro e o filme de sucesso O Lobo de Wall Street.

Os investigadores viram no quadro um símbolo claro da inspiração e da mentalidade da dupla: enriquecer a qualquer custo, mesmo que isso significasse fraudar o fisco, enganar consumidores e ensinar o golpe para outros.

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