Donos “ostentadores” da Capsul são presos por sonegação fiscal em MG. Video

Empresa Capsul fabricava suplementos alimentares, vendia e-books e cursos ensinando a sonegar impostos

atualizado

metropoles.com

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Belo Horizonte – Enquanto milhares de brasileiros sonhavam em emagrecer, ganhar massa muscular ou curar doenças com cápsulas milagrosas, os dois principais donos da Capsul Brasil Indústria e Comércio S.A., sediada em Arcos, no Centro-Oeste de Minas Gerais, não entregavam o que prometiam, mas viviam uma vida de luxo ostentada nas redes sociais.

Carros de milhões, relógios de alto padrão, joias de ouro e viagens extravagantes eram exibidos sem pudor pelos empresários. Ao mesmo tempo, eles vendiam cursos online ensinando outros empreendedores a replicar o esquema de sonegação fiscal que os enriqueceu — e que agora os levou à prisão na Operação Casa de Farinha, deflagrada nesta quarta-feira (25/3).

Os dois investigados — um de 29 anos (com passagem por violência doméstica) e outro de 35 anos (com antecedente por crime eleitoral) — foram alvos de mandados de prisão temporária na ação deflagrada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Minas Gerais (CIRA-MG). Eles são apontados como os idealizadores da fraude tributária que usava “e-books” como escudo para sonegar ICMS, além de crimes contra a saúde pública e lavagem de capitais.

Durante as buscas, a Polícia Civil e a Receita Estadual apreenderam 14 veículos, entre eles dois Porsches e uma Escalade, um dos carros vale mais de R$ 2 milhões. Também foram recolhidos relógios de luxo (um deles avaliado em mais de R$ 1 milhão) e joias de ouro.

dono Capsul

“Existia também a determinação de apreensão de elementos eletrônicos, celulares, computadores. Uma apreensão significativa onde o Estado pode recuperar parte do valor sonegado”, detalhou o promotor de Justiça Pedro Henrique Pereira Correa, coordenador regional do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (CAOET) em Divinópolis.

O delegado Wesley Geraldo Campos, da PCMG, confirmou que, no caso do suspeito de 29 anos, foi apreendida ainda uma submetralhadora, autorizada pelo seu registro CAC.

“Padrão de vida muito alto, sem o menor pudor”

Segundo as investigações, a ostentação não era apenas vaidade: era estratégia de marketing. Nas redes sociais, os empresários exibiam o estilo de vida milionário para atrair clientes para os cursos que vendiam pela internet. Nelas, ensinavam “como ficar rico” fabricando e vendendo suplementos com o mesmo truque tributário: inflar o valor de e-books na nota fiscal para zerar o ICMS.

“Existia um padrão de vida muito alto, demonstrado nas redes sociais, sem o menor pudor, muito pelo contrário. A partir do momento que começa a se vender curso a ostentação era uma forma de atração”, completou o promotor Pedro Henrique.

Pedro ainda destacou o impacto social dessa influência: “Acaba incitando nos mais jovens um caminho de sucesso equivocado. A operação tem a grande virtude de demonstrar que não existe caminho fácil porque uma hora as coisas vão ser apuradas e os responsáveis vão responder”.

Prejuízo estimado em mais de R$ 100 milhões

O superintendente de Fiscalização da Secretaria de Estado da Fazenda (SEFAZ-MG), Carlos Renato Machado, informou que os números preliminares apontam prejuízo superior a R$ 100 milhões aos cofres públicos — valor que deve aumentar com o avanço das investigações. “Os números preliminares mostram 100 milhões de reais e provavelmente esse valor vai subir bastante com o caminhar das investigações. A lesão não é só em relação ao dinheiro que é deixado de ser arrecadado que deixa de ser investido em segurança, saúde e educação”, alertou o auditor fiscal.

Problemas com a ANVISA

A Capsul Brasil, localizada na Avenida Progresso, bairro São Bento, em Arcos, já estava no radar da ANVISA desde dezembro de 2025. Na ocasião, a agência determinou o recolhimento de todos os suplementos fabricados até 5 de novembro de 2025 e suspendeu comercialização, distribuição, fabricação, divulgação e consumo dos produtos.

fábrica suplementos Arcos MG

Os motivos: descumprimento de boas práticas de fabricação, falhas em controle de qualidade, estudo de estabilidade, programa de alergênicos, controle da água e rótulos que sugeriam ação terapêutica e medicamentosa — exatamente o que as vítimas reclamavam no Reclame Aqui.

Mesmo com a interdição parcial da fábrica, o esquema continuou. Os donos da Capsul não só produziam os encapsulados irregulares como montaram um verdadeiro “franchise da fraude”: mais de 300 empresas replicavam o modelo, vendendo para mais de 1 milhão de CPFs em todo o Brasil.

A Operação Casa de Farinha mostra que o “sonho de riqueza fácil” vendido nas redes tinha data de validade. Com o bloqueio de R$ 1,3 bilhão e a prisão dos dois principais articuladores, o CIRA-MG e as forças de segurança mineiras dão um recado claro: ostentação construída com dinheiro público sonegado e com risco à saúde da população tem consequência. As investigações continuam.

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