“Ostentadores” presos em MG ensinavam a lucrar com marca de suplemento

Investigados por sonegação fiscal, empresários usavam redes sociais para divulgar passo a passo da criação de marcas de suplemento

atualizado

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Divulgação/SEF-MG
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1 de 1 suplementos-minas - Foto: Divulgação/SEF-MG

Os donos da empresa Capsul, presos em uma operação contra sonegação fiscal em Minas Gerais, também usavam as redes sociais para ensinar seguidores a lucrar com a criação de marcas próprias de suplementos. Esse modelo, segundo as investigações, pode estar ligado ao esquema que gerou prejuízo milionário aos cofres públicos.

Em vídeos e conteúdos publicados na internet, os chamados “ostentadores” apresentavam orientações simplificadas para quem desejava entrar no mercado, com promessas de ganhos rápidos e baixo investimento inicial. Na prática, porém, eles comercializavam suplementos alimentares produzidos sem autorização e em desacordo com as normas da vigilância sanitária.

Promessa de lucro rápido

Nas publicações, os empresários indicavam caminhos para montar um negócio do zero, mesmo sem experiência prévia no setor. A narrativa era reforçada por ostentação de carros de luxo, viagens internacionais e itens de alto valor exibidos nas redes.

O estilo de vida divulgado funcionava como vitrine do suposto sucesso financeiro, atraindo seguidores interessados em replicar o modelo.

 

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O que era ensinado

Entre os conteúdos compartilhados, estavam orientações sobre:

  • Criação de marca própria
  • Escolha de fabricantes terceirizados
  • Venda direta ao consumidor pela internet
  • Uso de marketing digital para impulsionar produtos

O formato facilitava a entrada rápida de novos empreendedores no mercado de suplementos.

Ligação com investigação

Segundo as autoridades, parte das empresas criadas a partir desse modelo pode ter adotado práticas semelhantes às investigadas no caso da Capsul.

O esquema incluía o uso de produtos digitais, como e-books, para alterar a forma de tributação das vendas. Na prática, operações envolvendo suplementos — que têm incidência maior de impostos — eram registradas, total ou parcialmente, como vendas de conteúdo digital.

A estratégia reduzia o valor pago em tributos, especialmente ICMS, principal imposto estadual sobre circulação de mercadorias.

Modelo replicado

As investigações apontam que o método teria sido replicado por outras empresas, ampliando o alcance do esquema e dificultando a fiscalização. A estrutura em rede, com diferentes marcas seguindo padrão semelhante, é um dos pontos apurados pelas autoridades.

A operação que levou à prisão dos empresários apura crimes como sonegação fiscal, organização criminosa e possível lavagem de dinheiro. Outras pessoas físicas e jurídicas também são investigadas por possível participação ou adesão ao modelo.

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