Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube

Apuração pelo Brasil

Minas Gerais

Delegada que cedeu viatura ao marido em MG ficou 210 dias de licença

Afastada desde março, delegada teve licença renovada por seis vezes e continuou recebendo remuneração integral durante o período

25/08/2026 10:13, atualizado 25/08/2026 14:40
Reprodução / Redes Sociais
Delegada PCMG que responde por peculato

Belo Horizonte – A delegada Wanessa Santana Martins Vieira, investigada após o marido ser flagrado dirigindo uma viatura da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), completou 210 dias consecutivos afastada do trabalho por licença médica.

Inicialmente, o Metrópoles informou, de forma equivocada, que a delegada havia tido a licença médica renovada por mais 120 dias. A publicação feita no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (25/8), no entanto, refere-se à concessão de “ajustamento funcional” pelo período de 120 dias, e não a um novo afastamento.

Segundo a PCMG, o ajustamento foi definido pela Diretoria de Perícias da instituição. Com a medida, Wanessa segue trabalhando, mas com adequações em suas atividades funcionais durante o período determinado. A função a ser ocupada por ela, no entanto, não foi esclarecida pela Polícia Civil.

Salário integral

Durante as licenças, Wanessa continuou recebendo a remuneração integral, conforme prevê a legislação estadual.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Um dos afastamentos mais recentes havia concedido à servidora outros 30 dias de licença, contados a partir de 20 de julho. Desde março, a delegada acumulou sucessivas licenças médicas.

Wanessa recebeu, até julho, R$ 93.674,88 brutos em remuneração durante o período em que permaneceu licenciada.

Caso da viatura

Wanessa chegou a ser presa em março deste ano por “emprestar” uma viatura da corporação ao marido, o advogado Renan Rachid Silva Vieira.

O casal foi preso em flagrante em 10 de março. No dia seguinte, a Justiça de Minas Gerais concedeu liberdade provisória aos dois mediante pagamento de fiança equivalente a três salários mínimos para cada um.

Segundo a Polícia Civil, Renan foi abordado enquanto dirigia sozinho uma viatura descaracterizada da corporação em um corredor exclusivo do Move, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. A abordagem ocorreu durante uma operação da Corregedoria da PCMG.

Após as diligências, Wanessa e o marido foram presos em flagrante por peculato. Na ocasião, a Polícia Civil informou que a delegada foi ouvida pela unidade correcional e afirmou que a instituição “não coaduna com desvios de conduta de seus servidores”.

Licenças médicas

Em nota encaminhada anteriormente ao Metrópoles, a Polícia Civil afirmou que o afastamento de servidores para tratamento de saúde não implica suspensão automática da remuneração.

“A licença para tratamento de saúde de servidores públicos ocorre regularmente, mediante avaliação médica competente”, informou a corporação.

A Lei Orgânica da PCMG prevê ainda que o policial civil que acumular três meses de licença, contínuos ou não, nos 12 meses anteriores ao pedido de um novo afastamento seja submetido a uma verificação de invalidez. A avaliação não significa, por si só, aposentadoria do servidor.