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Minas Gerais

Delegada esposa de réu por morte de gari volta ao trabalho após 420 dias

Ana Paula Lamego Balbino retornou à Polícia Civil em 8 de outubro, após sucessivas licenças médicas, e terá atividades adaptadas por 90 dias

15/10/2026 12:10
Redes sociais/ Divulgação
Delegada esposa de réu por morte de gari volta ao trabalho após 420 dias

Belo Horizonte — A delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Ana Paula Lamego Balbino, esposa do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar a tiros o gari Laudemir de Souza Fernandes, voltou ao trabalho em 8 de outubro, após 420 dias de afastamento por sucessivas licenças médicas.

Ela estava afastada desde 13 de agosto de 2025, dois dias após o assassinato do gari. A informação sobre o retorno foi confirmada pela PCMG nesta quinta-feira (15/10).

O documento publicado no Diário Oficial informa a concessão de ajustamento funcional à delegada pelo prazo de 90 dias, conforme avaliação da Diretoria de Perícias da Polícia Civil.

A medida permite que a servidora continue trabalhando, mas com adaptações nas atividades exercidas, de acordo com suas condições de saúde.

Segundo a legislação estadual, o ajustamento funcional é concedido após avaliação médica e permite que o servidor exerça atividades compatíveis com eventuais limitações físicas ou mentais, sem mudança de cargo. A medida pode ser temporária ou permanente e busca evitar o agravamento de problemas de saúde.

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O documento não informa quais atividades a delegada poderá exercer nem quais restrições foram estabelecidas.

Relembre o caso

Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi morto a tiros em 11 de agosto de 2025, enquanto trabalhava na coleta de lixo em Belo Horizonte.

Segundo as investigações, o empresário René, marido de Ana Paula, teria se irritado porque o caminhão de lixo impedia a passagem de seu carro. Após uma discussão com a motorista, ele teria descido armado, ameaçado uma trabalhadora e atirado contra Laudemir.

O gari foi socorrido, mas morreu. René foi preso horas depois e posteriormente se tornou réu pelo crime.

Ana Paula chegou a ser indiciada por prevaricação e por permitir o uso de sua arma no crime que matou Laudemir. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), porém, não apresentou denúncia contra ela e propôs um acordo de não persecução penal.

O MPMG também pediu que a Justiça avaliasse o pagamento de uma indenização de pelo menos R$ 150 mil à família do gari. A Polícia Civil informou anteriormente que um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) envolvendo a delegada seguia em tramitação na Corregedoria-Geral da corporação.