Justiça nega habeas corpus a Renê Júnior, preso por matar gari em BH
Esposa do empresário, delegada Ana Paula Lamego Balbino, tem licença médica prorrogada e chega a quase 10 meses afastada da Polícia Civil
atualizado
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Belo Horizonte — O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou, nesta quinta-feira (9/04), um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Renê da Silva Nogueira Júnior, mantendo-o preso preventivamente. Ele é acusado de matar um gari.
No mesmo dia, a Polícia Civil prorrogou por mais 60 dias a licença médica da delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa de Renê, que está afastada das funções desde agosto de 2025.
A defesa de Renê Júnior alegou constrangimento ilegal e pediu a substituição da prisão por medidas cautelares, argumentando que ele é réu primário, tem bons antecedentes e residência fixa. Os desembargadores da 8ª Câmara Criminal do TJMG, porém, consideraram a gravidade do crime e a repercussão do caso, mantendo a prisão. Renê foi pronunciado e vai a júri popular.
Relembre o caso
Renê da Silva Nogueira Júnior está preso desde agosto de 2025, acusado de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, de 57 anos, no bairro Vista Alegre, Região Oeste de Belo Horizonte. O crime ocorreu na manhã do dia 11 de agosto, quando Renê, irritado com o caminhão de lixo que atrapalhava o trânsito, desceu de seu carro armado e atirou contra o trabalhador. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele apontou a arma para a motorista do caminhão e, em seguida, executou o gari com um tiro.
A arma utilizada no crime estava registrada em nome da delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa de Renê. Dois dias após o homicídio, Ana Paula apresentou atestado médico e foi afastada das funções. Agora, com a nova prorrogação de 60 dias, ela completa quase 10 meses longe do trabalho, período em que continua recebendo salário integral — em fevereiro, o valor foi superior a R$ 23,8 mil.
A delegada responde a um processo administrativo interno na Polícia Civil e o Ministério Público ofereceu a ela um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). As investigações sobre sua eventual participação ou omissão no caso ainda estão em andamento.
