Copasa: governo de MG inicia seleção de investidor para privatização
Grupos interessados em se tornar investidores de referência da Copasa em Minas devem se cadastrar na B3 a partir desta sexta (24/4)
atualizado
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Belo Horizonte — O governo de Minas Gerais avançou no processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) ao publicar, nessa quinta-feira (23/4), o manual da etapa prévia para a seleção de um investidor de referência. Esse grupo poderá adquirir até 30% das ações da companhia.
A fase de cadastramento dos interessados começa nesta sexta-feira (24/4) e segue até 8 de maio. A expectativa do Executivo mineiro é concluir a operação nas próximas semanas, com uma movimentação estimada entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões.
A seleção será conduzida pela B3 e vai envolver investidores profissionais, que poderão participar individualmente ou em consórcio. O modelo repete a estrutura adotada na desestatização da Sabesp, em São Paulo, com a entrada de um sócio estratégico.
Para entrar na disputa, os interessados terão que cumprir exigências pesadas, como comprovar experiência em infraestrutura, com investimentos prévios de pelo menos R$ 6,3 bilhões e garantias financeiras de no mínimo R$ 7 bilhões. Na etapa seguinte, os candidatos apresentarão propostas com o valor que estão dispostos a pagar.
Como funciona a privatização da Copasa hoje
Atualmente, a Copasa já tem capital misto — ou seja, não é totalmente pública. O governo de Minas detém 50,3% das ações, o que garante o controle da empresa, enquanto os outros 49,7% já estão nas mãos de investidores privados, com papéis negociados na bolsa.
É justamente essa fatia do estado que está sendo colocada à venda.
O que muda com a venda das ações
O plano do governo é dividir sua participação de 50,3% em três partes, o que, na prática, altera o comando da companhia:
- 30% serão vendidos a um investidor de referência, que passa a ter influência direta na gestão
- 15% serão ofertados no mercado, ampliando a participação de acionistas privados
- até 5% permanecem com o governo de Minas, junto a uma “golden share”, que garante poder de veto em decisões estratégicas
Com isso, o governo deixa de ser o acionista controlador da empresa.
O que ainda falta para a privatização sair
Apesar do avanço, o processo ainda depende de aval definitivo do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Entenda aqui o “enrolado” trâmite de privatização da Copasa.
O órgão já autorizou o andamento das etapas preparatórias, mas determinou que decisões finais só sejam tomadas após análise conclusiva. O mercado também aguarda definições sobre o modelo regulatório e o cronograma da operação.
Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários, a Copasa afirmou que a decisão do tribunal não impede a oferta, mas orienta que a conclusão ocorra apenas após o posicionamento final do TCE.
O que está em jogo
A privatização da Copasa é uma das principais apostas do governo mineiro para atrair investimentos e reduzir a participação do estado mineiro em empresas estratégicas.
Para a população, os efeitos ainda são incertos e devem depender das regras que serão impostas após a venda, especialmente em relação a tarifas, metas de expansão e qualidade dos serviços de água e esgoto no estado.
