CNJ forma maioria para afastar desembargador do caso 123 Milhas
O desembargador Alexandre Victor de Carvalho, do TJMG, é suspeito de favorecer a empresa 123 Milhas em processo de recuperação judicial
atualizado
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Belo Horizonte — O plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) formou maioria, nesta sexta-feira (17/4), para afastar o desembargador Alexandre Victor de Carvalho, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que está sendo investigado por suspeita de favorecimento à empresa 123 Milhas em um processo de recuperação judicial. Ele já foi afastado liminarmente.
O julgamento ocorre em plenário virtual e, até o momento, 11 de 15 magistrados seguiram o relator, conselheiro Mauro Campbell Marques, a favor do afastamento. A análise teve início no dia 10 de abril e os magistrados têm até esta sexta para finalizar a votação.
A investigação feita até agora mostra, segundo o CNJ, “um padrão de atuação que aparentemente extrapola a simples divergência jurídica, configurando, em tese, violação dos deveres funcionais da magistratura”.
Carvalho atuava no processo de recuperação judicial da 123 Milhas desde 2023 e se tornou suspeito de irregularidades ao reformar decisões de instâncias inferiores e liberar honorários milionários para administradores nomeados por ele.
Essa é a segunda vez que o magistrado é afastado pelo CNJ por causa da mesma investigação. A primeira foi em dezembro de 2024 e durou 60 dias. Dessa vez, o afastamento é por tempo indeterminado. Carvalho, inclusive, pediu aposentadoria após a determinação do conselho.
Conforme a coluna da Manoela Alcântara, do Metrópoles, o então desembargador pediu aposentadoria da magistratura 30 minutos após ser intimado do afastamento pelo CNJ.
Há indícios, segundo apurou a coluna, de irregularidades na nomeação desses administradores, que seriam peritos indicados por ele e que teriam atuado, supostamente, de forma a favorecer a empresa.
