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Minas Gerais

Caso Joice: suspeito diz que jovem caiu de moto em corrida por app

Joice Batiston, de 27 anos, morreu após pegar uma corrida de moto por aplicativo em Varginha, no sul de Minas; motociclista foi preso

13/07/2026 09:46, atualizado 13/07/2026 09:58
Reprodução/Arquivo pessoal
Caso Joice: suspeito diz que jovem caiu de moto em corrida por app

Belo Horizonte – O motorista de aplicativo, de 30 anos, suspeito de envolvimento na morte de Joice Batiston, de 27, afirmou que a jovem “caiu da moto” durante a corrida, mas disse não saber explicar o motivo. Ela seguia para encontrar amigas e assistir ao jogo do Brasil em 19 de junho, em Varginha, no sul de Minas, mas não chegou ao destino e foi encontrada morta horas depois.

Em depoimento prestado no Presídio de Varginha em 2 de julho, ao qual o Metrópoles teve acesso nesse domingo (12/7), o investigado apresentou sua versão dos fatos.


Relembre o caso

  • Em 19 de junho, no dia da partida entre Brasil e Haiti, pela Copa do Mundo, Joice embarcou em uma corrida por aplicativo para encontrar amigas, mas não chegou ao destino.
  • Ela foi encontrada ferida na Avenida Perimetral e morreu após ser socorrida à UPA.
  • Inicialmente, a polícia investigou a hipótese de acidente de trânsito, mas, segundo a família, ferimentos incompatíveis com um acidente ampliaram as linhas de investigação.
  • O desaparecimento do celular da vítima passou a ser um dos principais focos do caso.
  • Em 25 de junho, o motorista de app, suspeito de envolvimento na morte, foi preso.

Segundo o homem, tudo aconteceu por volta das 22h, depois que ele aceitou uma corrida no bairro Figueira com destino ao bar Arca de Noé, na zona rural de Varginha.

O motorista afirmou que seguia em velocidade normal pela Avenida Perimetral quando, “sem explicação, a passageira caiu, não sabendo o declarante explicar o motivo”. Ao parar a moto, encontrou a jovem desacordada e sem o capacete, que, segundo ele, pode ter se soltado com o impacto.

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Em vez de chamar o socorro, ele disse que foi procurar a ajuda de um familiar. Segundo o depoimento, ao chegar à casa do pai e perceber que não havia ninguém, voltou ao local cerca de 10 minutos depois, mas a vítima já não estava mais lá.

Objeto queimado e blusa suja

Questionado sobre os pertences de Joice, o motorista negou ter levado celular, bolsa ou qualquer outro objeto dela. Ele disse que apenas retirou o capacete dela, que pertencia a ele.

No entanto, admitiu que jogou o celular dela no mato, em um local que afirma não se lembrar.

Outro ponto central da investigação é a destruição do celular dele. Segundo o documento, o aparelho foi encontrado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) escondido dentro de uma sacola com cimento fresco, destruído e queimado.

Ao ser questionado sobre o motivo de esconder o celular, o suspeito afirmou que o fez na segunda-feira (22/6), três dias após o ocorrido, alegando que o chip que estava no aparelho era da empresa do pai.

Uma camisa da Seleção Brasileira também foi apreendida. Ela estava de molho quando foi encontrada pela polícia. No depoimento, ele disse que um  cachorro havia sujado a roupa.

Ele também alegou que só soube da morte da passageira no domingo, por volta das 9h, por meio da imprensa. O condutor informou ainda que trabalhava como motorista da plataforma 99 havia cerca de dois anos e meio.

Segundo ele, depois do incidente, entrou em contato com o advogado, que o orientou a permanecer em casa até a chegada das autoridades.

A prisão

Ele foi preso em 25 de junho, após aparecer em imagens do circuito de segurança dando carona para Joice.

“Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram recolhidos uma motocicleta, aparelhos celulares e vestimentas que podem contribuir para o esclarecimento do caso”, informou a corporação à época.

A reportagem voltou a fazer contato com a Polícia Civil e aguarda um posicionamento.

Família não acredita em acidente

A jovem havia saído de casa para encontrar amigas e assistir ao jogo no bar da cidade, em 19 de junho. Segundo o boletim de ocorrência, ela embarcou em uma corrida pelo aplicativo 99 por volta das 21h45.

Horas depois, foi encontrada ferida pela Polícia Militar na Avenida Perimetral, em um trecho do trajeto, próximo a um espaço de eventos. Joice foi socorrida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu aos ferimentos.

Inicialmente, a hipótese era de que a vítima pudesse ter sido atropelada ou sofrido um acidente de trânsito. No entanto, familiares relataram ferimentos que consideraram incompatíveis com essa possibilidade, como escoriações pelo corpo, roupas rasgadas e sangramento na região íntima.

Outro ponto que chamou a atenção foi o desaparecimento do celular da jovem. De acordo com a família, bolsa, documentos e cartões foram encontrados, mas o aparelho não. Parentes também afirmaram que, logo após o ocorrido, mensagens enviadas ao telefone chegaram a aparecer como visualizadas antes de o aparelho deixar de responder.

O que diz a 99

Por meio de nota, a 99 lamentou o ocorrido e se solidarizou com a família. “Assim que o relato foi registrado em sua Central de Segurança, uma equipe especializada foi designada e está em contato com familiares de Joice Batiston para oferecer acolhimento e informações para o acionamento do seguro, que inclui atendimento psicológico e suporte para despesas funerárias”, disse.

Segundo a nota da Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), na manhã desta segunda-feira (13/7), o suspeito se encontra sob custódia no Presídio de Varginha desde 25 de junho de 2026, e esta é a única passagem dele pelo sistema prisional.

A reportagem entrou em contato com a defesa do suspeito e aguarda um posicionamento.